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Publicado por - 15/06/2009

"Não é um cachimbo"

Em um de seus textos, Magritte afirma: “A dificuldade de meu pensamento, quando anseio fazer um novo quadro, é, de fato, obter uma imagem que resista a qualquer explicação”.
Na verdade, em sua obra, desenvolve a presença de um conceito a decifrar, onde o título não explica a pintura, nem a pintura é mera ilustração do título. O artista joga com a sedução na liberdade das associações construídas quando brinca com o sentido das coisas. Palavra e imagem não agem separadamente. valorar a composição visual.
Magritte explora diferentes estratégias entre imagens, objetos e palavras.
Numa obra ele pinta um cachimbo e ao mesmo tempo afirma que “não é um
cachimbo”; noutra ele pinta uma vela e escreve, embaixo, a palavra “teto”;
noutra ele pinta um objeto e coloca o nome que lhe corresponde, ou pinta uma
forma abstrata qualquer e lhe dá um nome de objeto reconhecível. O que acontece nas pinturas de Magritte se passa apenas ali, naquele espaço determinado do quadro, pois são armadilhas construídas por ele para capturar a palavra,
a imagem e, com certeza, o observador. É uma articulação da arbitrariedade

Magritte joga com o descompasso entre imagem e texto. A princípio ocorre uma intriga na denominação de suas pinturas. Na verdade joga também com uma evidência lógica, pois quando coloca em uma pintura ou um desenho a inscrição “isto não é um cachimbo” junto à imagem do cachimbo, quer dizer, entre outras coisas, que aquilo não é o objeto e sim a imagem do cachimbo, trama entre a realidade e a representação. Quais são os limites entre a representação e o que está sendo representado? Ele entrelaça uma conspiração da semelhança com a similaridade. É a traição das imagens da qual fala o próprio artista: “quem poderia fumar o cachimbo de meus quadros? Ninguém.
Conseqüentemente NÃO É UM CACHIMBO. Nisso existe um jogo
com o observador que sempre pergunta: ’o que é esta imagem?’ ou ‘o que
significa esta imagem?’”

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