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Publicado por - 16/06/2009

O que é Arte Naif

por Oscar D’Ambrosio

A Arte primitiva ou naif é tipicamente brasileira e está fortemente vinculada à arte popular nacional.
Cabe lembrar que se convencionou chamar arte primitiva a que é produzida por artistas não-eruditos, a partir de temas populares geralmente inspirados no meio rural. Já quando o tema é urbano, costuma-se utilizar o termo naïve (“ingênuo”, em francês), que se pronuncia “naíf”, e ganha especial relevância entre artistas franceses e haitianos para designar os pintores que rejeitam as regras convencionais da pintura ou não tiveram acesso a elas. Os dois estilos, porém, têm em comum as cores vivas e uma imaginação, estilização e poder de síntese levados para a tela com uma técnica aparentemente rudimentar.

Em linhas gerais, pode-se dizer que a arte naïf brota do inconsciente coletivo, mantém-se em constante renovação e se deixa penetrar por influências eruditas, embora conserve sua natureza própria. Sabedoria e sonho se irmanam em obras difíceis de definir sob uma única catalogação

Mas o que seria essa pintura de raízes populares?
Para o crítico de arte Américo Pellegrini Filho, a arte popular se caracteriza pelo autodidatismo, por técnicas rudimentares adquiridas de modo empírico, pela espontaneidade e liberdade de expressão, e informalismo (ausência de aspectos formais acadêmicos, como composição, perspectiva e respeito às cores reais).
A arte naïf vem, pouco a pouco, ganhando espaço na mídia. Em 1974, os franceses lançaram um selo com um quadro do mais famoso dos pintores naïfs, Henri Rousseau, enquanto, na Suécia, caixas de fósforos já foram enfeitadas com imagens criadas por Skum, um pintor ingênuo esquimó. Além disso, há museus especificamente de arte naïf, em Laval, na França; em Luzzara, na Itália; em Figueras, na Espanha; em Esquel, província de Chubut, na Argentina; e, em Heblime, na Iugoslávia.

Na III Trienal de Arte Popular de Bratislava, em 1972, na então Tchecoslováquia, por exemplo, o Brasil se destacou ganhando o prêmio de melhor representação nacional. “Na ocasião, surgiu uma nova tentativa de nomenclatura, porque toda arte popular foi agrupada sob o nome de arte ínsita, do latim insatus, inato. No entanto, nos últimos anos, o termo naïf superou todos os demais, sendo aceito internacionalmente”, conta o crítico Geraldo Edson de Andrade.

Para Ardies, a arte naïf é um estilo que existe há milênios, desde quando o homem desenhava cenas de caça nas paredes das cavernas. “Os artistas naïfs são forçosamente autodidatas no sentido que eles não receberam influência ou dirigismo de um professor de Belas Artes. Eles começam a pintar por impulso e procuram resolver as dificuldades técnicas com meios próprios, sendo perdoados quando as suas figuras não são perfeitamente desenhadas ou quando aparecem erros de simetria e perspectiva. Porém, a experiência da prática aos longo dos anos pode proporcionar ao pintor naïf uma técnica apurada e certeira”, explica Ardies. “A pureza com que pintam mostra que eles não estão querendo provar nada, apenas exprimir o sentimento por meio do pincel. Essa é a força da arte deles”, completa Lucien Finkelstein, fundador do Museu Internacional de Arte Naïf (Mian), no Rio de Janeiro, criado, em 1995, num casarão do Bairro de Cosme Velho, com o maior acervo do mundo no gênero, reunindo cerca de 8 mil obras de 130 países, incluindo aqueles em que a arte naïf é mais forte, como Iugoslávia, Haiti e Equador, e de todos os Estados brasileiros.

No Brasil, o movimento cresceu a partir de 1937 com Heitor dos Prazeres. A arte naïf brasileira, portanto, não toma emprestada a inspiração da vanguarda parisiense, mas reflete uma realidade nacional. Sem mimetismo, extremamente rica e variada, é autêntica e, na maioria das vezes, otimista e alegre. Ela reflete o país tropical, generoso em sua vegetação, aberto em sua gente. Não existe país que melhor sirva a este estilo. Hoje, pela diversidade entre as regiões e os povos que a compõem, a arte brasileira tem seu lugar de destaque no cenário mundial”.

Qualquer estudo sobre a arte naïf brasileira deve passar por Heitor dos Prazeres (1898-1966), parceiro de Noel Rosa na célebre música Pierrô apaixonado e premiado na I Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, em cujo júri estava o crítico e historiador Herbert Read, um dos nomes mais respeitados da historiografia da arte mundial.

BIBLIOGRAFIA
AQUINO, F. de. Aspectos da pintura primitiva brasileira. Rio de Janeiro: Editora Spala, 1978.
ARDIES, J. A arte naïf no Brasil. Textos de Geraldo Edson de Andrade. São Paulo: Empresa das Artes, 1998.

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