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Publicado por - 5/09/2012

A Experiência Criativa – Viola Spolin



Todas as pessoas são capazes de atuar no palco. Todas as pessoas são
capazes de improvisar. As pessoas que desejarem são capazes de jogar
e aprender a ter valor no palco.

Aprendemos através da experiência e ninguém ensina nada a ninguém.
Isso é válido tanto para a criança que se movimenta inicialmente chutando
o ar, engatinhando e depois andando, como para o
cientista com suas equações.

Se o ambiente permitir, pode-se aprender qualquer coisa, e se o indivíduo
permitir, o ambiente lhe ensinará tudo o que ele tem para ensinar. “Talento”
ou “falta de talento” tem muito pouco a ver com isso.

Devemos reconsiderar o que significa “talento”. É muito possível que o
que é chamado de comportamento talentoso seja simplesmente uma maior
capacidade individual para experienciar. Deste ponto de vista, é no aumento
da capacidade individual para experienciar, que a infinita potencialidade de
uma personalidade pode ser evocada.

Experienciar é penetrar no ambiente, é envolver-se total e organicamente
com ele. Isto significa envolvimento em todos os níveis intelectual, físico e
intuitivo. Dos três, o intuitivo, que é o mais vital para a situação de
aprendizagem, é negligenciado.

A intuição é sempre tida como sendo uma dotação ou uma força mística
possuída pelos privilegiados somente. No entanto, todos nós tivemos
momentos em que a resposta certa “simplesmente surgiu do nada”
ou “fizemos a coisa certa sem pensar”. As vezes, em momentos como
este, precipitados por uma crise, perigo ou choque, a pessoa “normal”
transcende os limites daquilo que é familiar, corajosamente entra na
área do desconhecido e libera por alguns minutos o gênio que tem
dentro de si. Quando a resposta a uma experiência se realiza no nível
do intuitivo, quando a pessoa trabalha além de um plano intelectual
constrito ela está realmente aberta para aprender.

O intuitivo só pode responder no imediato – no aqui e agora.
Ele gera suas dádivas no momento de espontaneidade, no momento
quando estamos livres para atuar e inter-relacionar, envolvendo-nos
com o mundo à nossa volta que está em constante transformação.

Através da espontaneidade somos re-formados em nós mesmos.
A espontaneidade cria uma explosão que por um momento nos liberta de
quadros de referência estáticos, da memória sufocada por velhos fatos e
informações, de teorias não digeridas e técnicas que são na realidade
descobertas de outros. A espontaneidade é um momento de liberdade
pessoal quando estamos frente a frente com a realidade e a vemos,
a exploramos e agimos em conformidade com ela. Nessa realidade, as
nossas mínimas partes duncionam como um todo orgânico. É o momento
de descoberta, de experiência, de expressão criativa.

Tanto a pessoa “média” quanto a “talentosa” podem ser ensinadas a atuar
no palco quando o precesso de ensino é orientado no sentido de tornar as
técnicas teatrais tão intuitivas que sejam aprorpiadas pelo aluno. É necessário
um caminho para adquirir o conhecimento intuitivo. Ele requer um ambiente no
qual a experiência se realize, uma pessoa livre para experienciar e uma
atividade que faça a espontaneidade acontecer.                                                      
                                                      

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