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Publicado por - 26/11/2012

O Futurismo

 

Futurismomovimento de artistas italianos, deve ser considerado o primeiro
movimento artístico tipicamente de vanguarda, embora tenha surgido um pouco depois do Cubismo.
O primeiro manifesto do movimento foi publicado em 20 de fevereiro de 1909, em Paris no “Le Figaro” e não na Itália, assinado por Filippo Tommaso Marinetti (1876/1944); apresentava como pontos fundamentais a exaltação da vida moderna, da máquina, da eletricidade, do automóvel e da velocidade. Período 1909 a 1914.
Principais artistas
Umberto Boccioni
Carlo Carrá
Luigi Russolo
Gino Severini
Giacomo Balla
Futurismo
“Formas de Continuidade no Espaço”
Humberto Boccioni, 1913

Características do Futurismo

Precedência da teoria sobre a prática e pretensão de ser “moderno”, com exclusividade
da expressão mais avançada da arte do seu tempo, características que, também, marcaram outros movimentos de vanguarda.
Movimento que mais produziu manifestos.
Expressão do dinamismo, ponto essencial da estética futurista.
Busca de uma linguagem intensa, dinâmica, audaciosa capaz de expressar as novas concepções de espaço e movimento.
Futurismo
Movimento artístico e literário que teve origem no início do século XX,
antes da Primeira Guerra Mundial, e que se desenvolve na Europa, sobretudo em Itália, com os trabalhos de F. T. Marinetti, que estudara em Paris,
onde publicou La conquête des étoiles (1902) e Destruction (1904), livros que despertaram o interesse de escritores de créditos já firmados na época como P. Claudel.
Como principais representantes da escola italiana de Marinetti temos:
Paolo Buzzi (1874-1956)
Ardengo Soffici (1879-1964)
Giovanni Papini (1881-1956)
Enrico Cavacchioli (1884-1954)
Corrado Govoni (1884-1965)
Aldo Palazzeschi (1885-1974)
Luciano Folgore (1888-1966)

 

futurismo contesta o sentimentalismo e exalta o homem de ação. Destaca-se a originalidade, que Marinetti procura pelo elogio ao progresso, à máquina, ao motor, a tudo o que representa o moderno e o imprevisto. No Manifesto Técnico da Literatura (1912), Marinetti evoca a libertação da sintaxe e dos substantivos. É neste sentido que os adjetivos e os advérbios são abolidos, para dar mais valor aos substantivos. A utilização dos verbos no infinito, a abolição da pontuação, das conjunções, a supressão do “eu” na literatura e o uso de símbolos matemáticos são medidadas inovadoras.
De igual modo, aparecem novas concepções tipográficas ao surgir a recusa da página tradicional. Assim, procura-se a simultaneidade de formas e sensações e é na poesia que o futurismo encontra a sua melhor expressão.
futurismo influenciou a pintura, a música e outras artes como o cinema. Neste aspecto, Marinetti sugeriu que se fizesse um filme futurista que surgiu com o título Vida Futurista (1916). Neste filme, levantaram-se problemas de âmbito social e psicológico. O cinema era então visto como uma nova arte de grande alcance expressivo.
Com o começo da Primeira Guerra Mundial, os valores do mundo tradicional são postos em causa e daí que se agrave um clima de tensão social que se vinha arrastando por alguns anos. Os valores ditos burgueses começam a serem questionados e o mesmo acontece às formas de arte que representam esse mundo. Consequentemente, o futurismo surge como resultado dessa ruptura na arte, assim como o criacionismo, o dadaísmo, o cubismo, o ultraísmo, o orfismo e o surrealismo. O futurismo foi responsável pelo aparecimento de numerosos manifestos e exposições que provocaram escândalos.
futurismo sempre teve a sua faceta política. Marinetti fomenta o esplendor da guerra, do militarismo, do patriotismo, e depois torna-se um defensor convicto do fascismo italiano. O futurismo caracteriza a vida moderna na sua fragmentação, nos contrastes de classes, na agressividade social e por isso se serve dos manifestos para a retórica política.
futurismo difunde-se em vários outros países, para além da Itália e da França, incluindo Portugal. Segundo Pedro Oliveira, o jornal português Diário dos Açores seria o único a reproduzir o primeiro manifesto futurista de Marinetti e a publicar uma entrevista do mesmo teorizador. Posteriormente, Mário de Sá-Carneiro e Álvaro de Campos aderem ao futurismo, assim como José de Almada Negreiros com o Manifesto Anti-Dantas (1916), onde se apresenta como poeta futurista do Orpheu.
Apesar de só terem saído dois números desta revista, ela conseguiu escandalizar a burguesia, ameaçada pelo poder monárquico que podia derrotar as instituições republicanas. Daí o aparecimento da expressão “escândalo do Orpheu”, pela não aceitação das provocações de alguns elementos da revista. Apesar do desaparecimento do idealismo da Águia, o Orpheu garante um maior fortalecimento da estética futurista e da agressividade que lhe é inerente.
Importa destacar as condições em que Fernando Pessoa reconhece o futurismo nas sua própria poesia.
Em carta ao Diário de Notícias, esclarece: “O que quero acentuar, acentuar bem, acentuar muito bem, é que é preciso que cesse a trapalhada, que a ignorância dos nossos críticos está fazendo, com a palavra futurismo.
Falar de futurismo, quer a propósito do primeiro número do Orpheu, quer a propósito do livro do Sr. Sá-Carneiro, é a coisa mais disparatada que se pode imaginar. (…) A minha Ode Triunfal, no primeiro número do Orpheu, é a única coisa que se aproxima do futurismo. Mas aproxima-se pelo assunto que me inspirou, não pela realização – e em arte a forma de realizar é que caracteriza e distingue as correntes e as escolas.” (Carta datada de 4-6-1915, in Obras em Prosa, vol.V, org. de João Gaspar Simões, Círculo de Leitores, Lisboa, 1987, pp.208-209). Álvaro de Campos foi diretamente influenciado por outra das grandes figuras de inspiração dos poetas futuristas, o norte-americano Walt Whitman. No Manifesto Futurista está a recusa da arte dominante que é o simbolismo, e, neste sentido, temos o anti-aristotelismo de Álvaro de Campos e o Manifesto Anti-Dantas de Almada. A revista Portugal Futurista sai logo de circulação pelo seu aspecto provocatório.
De fato, o futurismo surge como um escândalo (ao gosto dos futuristas) e se as notícias nos jornais não foram muitas, elas foram suficientes para a transmissão do pensamento futurista e sua consolidação como movimento de vanguarda.
Politicamente, vivia-se uma situação de intolerância ideológica que não foi atenuada com a subida ao poder de Sidónio Pais. Com o desaparecimento prematuro de Amadeo e Santa-Rita Pintor, em 1918, e com a dispersão de outras personalidades do futurismo, este acabaria por se dissipar.
Um outro país a sofrer a influência futurista foi o Brasil, onde se ansiava romper com os movimentos estéticos anteriores e, por outro lado, inovar no plano nacional.
No extremo oriental da Europa, a Rússia é um dos polos privilegiados no desenvolvimento do futurismo que surgiu com o manifesto Uma Bofetada no Gosto Público, assinado por D. Bourlyok, A. Kroutchoykh e V. Mayakovsky. Os futuristas russos opunham-se às vanguardas simbolistas e eram considerados como representantes de um importante aspecto do vanguardismo russo. Surgem grupos como o cubo-futurismo e o ego-futurismo.
É de notar o papel determinante que o futurismo teve na literatura russa, pois é bem capaz de ter influenciado indiretamente o surrealismo, o cubismo, o expressionismo e o dadaísmo.
futurismo influenciou as teorias dos formalistas russos no manuseamento livre das palavras, no verso livre, na nova sintaxe.
De fato, o futurismo inovou na poesia e na prosa ao caracterizar a arte de forma geométrica e abstrata. Queriam criar uma nova linguagem poética, liberta de todo o tipo de restrições e que fosse distinta das formas tradicionais de arte. Este tipo de atitude consiste num desafio ao que os escritores futuristas como Kamensky, Mayakovsky e Khlebnykov designam por sociedade burguesa decadente, aliada a uma autocracia czarista. Os futuristas russos estiveram ligados ao fascismo.
Pode-se dizer que proclamavam uma utopia socialista, um novo paraíso terrestre e daí a adesão à Revolução. Depois da Revolução de Outubro deu-se a ascensão do fascismo e muitos futuristas começaram a destacar-se no plano oficial da literatura. Apesar da arte se comprometer com a política, o movimento morre na década de vinte.
Fonte: www2.fcsh.unl.pt

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