Pages Menu
Categories Menu

Publicado por - 13/04/2013

Expressão e Arte

390_552010104454    A arte não está aqui só para embelezar a existência humana, está  aqui  também para expressar a existência divina.  (Fabietti apud Bruton 1998 pág 5)

Para Andrade (2000)  a arte é uma forma de expressão do ser humano e como tal, uma forma de comunicação e de linguagem simbólica  é um produto da intuição, da observação, do inconsciente e do consciente, da emoção e do conhecimento , do talento e da técnica,favorecendo a criatividade.

Entretanto o mesmo revela de forma fascinante que além da função social, a arte pode ter uma função terapêutica. Desde o teatro grego por intermédio de níveis diversos de identificações, o público liberava sentimentos e emoções catarticamente.

No  ato de criar verifica-se o sentido e o modo de viver do ser  humano, pois o criar e o viver se interligam. De acordo com Andrade (2000) no ato de criar percebe-se a sua função social e terapêutica  da arte enquanto forma de externar, viabilizar uma nova apreensão da realidade. Como produto individual e social, assim a arte permite uma orientação para novos rumos na cultura na ciência, no conhecimento e na  vida do ser humano. Nesse sentido a arte possibilita um processo de crescimento e de maturidade da pessoa, colaborando assim com sua expressividade na educação, reabilitação, psicoterapia e na prevenção, pois a arte possui uma força propulsora.

A criatividade participa deste desenvolvimento da personalidade conforme a fala do autor (2000) como um todo. A criatividade é função natural da mente humana e tem função estruturante.Todo esse caminho proporciona a tranqüilidade, a capacidade de simbolizar dentro de um ambiente  que reintegre o indivíduo. Entretanto, na década de 20, Jung começa a usar a arte como parte do tratamento. Passa a pedir seus clientes que façam desenhos, representações de imagens de seus sonhos e de situações conflitivas e outros. Começa a usar a técnica de desenhos livres, para facilitar a interação verbal com o paciente. Ele acreditava que o homem poderia organizar seu interior utilizando-se da arte: pintura, escultura,dança, poesia, etc.

Margaret Naumburg foi a primeira a sistematizar a arte terapia em 1941

 (2000)segundo Andrade dizia que as imagens viriam antes das palavras, por serem diretas e inteiras.

Percebi que o simples ato de riscar um papel tem um sentido e descobri em meus desenhos algumas verdades que o meu pensamento discursivo tinha sido incapaz de  captar.Era como se tecessem para mim, fios muito finos a própria trama do simbólico. (Pereira apud Andrade, 2000, p.18)

 

 Educação, Arteterapia e o  Adolescente

A arte nasceu com o homem e desde a antiguidade ele utilizava sua criatividade para expressar imagens na argila ou nas paredes das cavernas. A história da arte e marcada pelo desenvolvimento do pensamento racional, privilegiando as funções do lado esquerdo do cérebro. Deixando assim o lado direito menos utilizado e desvalorizado. Assim, a imagem, o pensamento analógico e a criatividade perderam espaço.

Segundo Philipinni (1998) a arte tornou-se apêndice da igreja e da nobreza.  Com o Renascimento houve um grande impulso do desenvolvimento científico e o aprofundamento do racionalismo.Tendo início a fragmentação do saber, separando o artista do cientista, do religioso, do político, do trabalhador comum.

Entretanto nesta sociedade fragmentada e violenta, brotando a impotência diante das drogas, da marginalidade, entre outros conflitos. Surgem as manifestações expressivas espalhadas pelo corpo das cidades, o grafite, a rebeldia dos adolescentes extrapolam seus pensamentos nos muros, em casas e outros lugares. (Philipinni 1998) o autor comenta uma curiosidade: o que faz com que muitos indivíduos corram riscos, para subir em muros, ou agarrar-se às grades de uma fachada de prédio e em equilíbrio precários traçar rabiscos, escrever o próprio nome? O que os move? Desejo de ser visto e reconhecido ?  Seria talvez a repetição de um ritual arquétipo para ser reconhecido pela “tribo” como o “guerreiro” mais forte e corajoso, porque “grafitou” no local mais alto e perigoso?

 

Que outros lugares estes indivíduos tem para experimentar, comunicar e registrar

suas formas expressivas? Na aula de artes? E o arteterapeuta como entra nesta

história? Se considerarmos como uma  das tarefas terapêuticas básicas, resgatar

as possibilidades criativas do cliente .   (Philipinni 1998 pág. 25)

Diante dessas comunicações, dessas marcas o adolescente quer dizer algo para a sociedade. Como aplicar arteterapia na educação, na psicoterapia? Como  lidar com os adolescentes?

O arte educador, afirma Saviani (1998), tem como objetivo o ensino e aprendizagem da arte como linguagem, como desenvolvimento da criatividade no  processo artístico. Os educadores têm a missão de ajudar os alunos a definir seus pensamentos limitadores, a reconhecer e comunicar seus medos, seus verdadeiros sentimentos e desejo.Todo esse percurso possibilita saúde na educação, autoconhecimento, direcionando o indivíduo para a sua autonomia, a se apropriar de sua existência.

Cabe aqui citar Urrutigaray (2003) dizendo que a aquisição da aprendizagem significativa, atual preocupação psicopedagógica, encontra na aplicação da arteterapia um excelente canal de intervenção para minimização de problemas de aprendizado, ou de tratamento de dificuldades em aprender, como também atuam de modo preventivo as possíveis questões de aquisição do conhecimento.

Reforço que os espaços de  auto-expressão são importantes, pois no trabalho artístico o ser constrói a si mesmo. O tocar, modelar, desenhar, pintar, escrever ou dançar possibilitam uma consciência e a sair de estados de tristeza, depressão ou confusão segundo Barcellos (1998). Pois símbolos, sinais, formas e cores, sons e movimentos são nossa expressão única e pessoal. Ação criativa pode ser vista então como intrínseca ao aprendizado (Allessandrini 1998). Educar é aprender a amar a capacidade de construir o conhecimento com a curiosidade espontânea da criança que inventa, explora possibilidades e cria soluções. Allessandrini (1998)

Tendo como base os nossos estudos sobre a arteterapia segundo as  considerações de Urrutigaray (2003)  ela é definida  como uma tentativa dos seres humanos de representar suas experiências performáticas, encontrados  em movimentos como os da dança, na poesia, nas peças teatrais, narração de história, na composições musicais ou naquelas mediadas por instrumentos, como pela tinta, argila. É determinar que o fazer arte para arteterapia resulta, simultaneamente, numa prática que vincula áreas distintas de construção de conhecimento e, conseqüentemente de desenvolvimento pessoal.

E ainda corroborando com essa idéia, Andrade (1998) diz que: “A arte tem a função simbólica, criando substitutos da vida sem nunca ser descrição do real. Permite o homem expressar e ao mesmo  tempo perceber os significados atribuídos à sua vida e sua  eterna busca de um tênue equilíbrio com o meio circundante”.(Andrade, 1998,  pg. 23).

Nesse sentido não podemos confundir arte com artesanato e priorizar o  como fazer. De acordo com Camnitzer (2007) é bom para o professor de arte ele tenha tempo de acompanhar cada aluno e que tudo termine em forma de conferência e exercícios de comparação relativa. Assim, os professores devem lutar contra os obstáculos que lhes impõe o sistema escolar. O autor reforça que é momento de convencer as autoridades de que essa percepção é reacionária. A arte é uma forma de conhecer, de especular, de propor de resolver problemas.

Ainda que ler e escrever sejam exemplos de codificar e decodificar, a arte também é uma forma de criar códigos, é um instrumento de comunicação.

Nosso estudo prioriza o adolescente dentro dessa sociedade onde encontra-se várias classes sociais, para que ele possa expressar sua subjetividade e ir além, vivendo uma experiência de grupo, verificando sua individualidade e sua ação no mundo, se jeito de viver, de existir.

 

Aguardem o terceiro post deste projeto.

Maria de Lourdes Batista

Deixe uma resposta