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Publicado por - 29/07/2013

É necessário um caminho para adquirir o conhecimento intuitivo.

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Todos nós somos convidados a atuar. Mas será que todos nós temos talentos?

Na improvisação teatral  Spolin afirma:todas as pessoas são capazes de atuar no palco. Todas as pessoas são capazes de improvisar. As pessoas que desejarem são capazes de jogar e aprender a ter valor no palco. “Ninguém ensina nada a ninguém.”

Essa afirmativa vale também para a criança, que se movimenta chutando o ar, engatinhando e depois andando, como para o cientista em suas descobertas.  Se o ambiente permitir, pode-se aprender qualquer coisa, e se o indivíduo permitir, o ambiente lhe ensinará tudo o que ele tem para ensinar. “Talento”ou “falta de talento” tem muito pouco a ver com isso.

O que significa “talento”? É possível que o que é chamado comportamento talentoso seja simplesmente a capacidade individual para fazer experiências – experienciar.  Deste ponto de vista, é no aumento da capacidade individual para experenciar que a infinita potencialidade de uma personalidade pode ser evocada.

 “Experenciar é penetrar no ambiente, é envolver-se total e organicamente com ele. Isto significa envolvimento e todos os níveis: intelectual, físico e intuitivo. Dos três, o intuitivo, que é o mais vital para a situação de aprendizagem, é negligenciado.”

A intuição é sempre vista como sendo uma dotação ou uma força mística possuída pelos privilegiados. Mas, não é bem assim todos nós tivemos momentos em que a resposta “simplesmente surgiu do nada” ou “fizemos a coisa certa sem pensar”. Às vezes em momentos como este, precipitados por uma crise, perigo ou choque, a pessoa “normal” transcende os limites daquilo que é familiar, corajosamente entra na área do desconhecido e libera por alguns minutos o gênio que tem dentro de si. Quando a resposta a uma experiência se realiza no nível intuitivo, quando a pessoa trabalha além de um plano intelectual constrito, ela está realmente aberta para aprender.

O intuitivo só pode responder no imediato – no aqui e agora. Ele gera suas dádivas no momento de espontaneidade, no momento quando estamos livres para atuar e inter-relacionar, envolvendo-nos com o mundo à nossa volta que está em constante transformação.

Então, através da espontaneidade somos re-formados em nós mesmos. A espontaneidade cria uma explosão  que por um momento nos libera de quadros de referência estáticos, da memória sufocada por velhos fatos e informações, de teorias não digeridas e técnicas que são na realidade descobertas dos outros. A espontaneidade é um momento de liberdade pessoal quando estamos frente a frente com a realidade e a vemos, a exploramos e agimos em conformidade com ela. Nessa realidade, as nossas mínimas partes funcionam como um todo orgânico. É o momento de descoberta, de experiência, de expressão criativa. Tanto a “pessoa média” quanto a “talentosa” podem ser ensinadas a atuar no palco quando o processo de ensino é orientado no sentido de tornar as técnicas teatrais tão intuitivas que sejam apropriadas pelo aluno.

É necessário um caminho para adquirir o conhecimento intuitivo. Ele requer um ambiente no qual a experiência se realize, uma pessoa livre para experenciar e uma atividade que faça a espontaneidade.

A espontaneidade é algo fundamental para o crescimento humano. A experiência que conduz a ela nos leva a um amadurecimento contínuo.

Fonte:  Viola Spolin

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