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Publicado por - 19/08/2013

Curso Grátis – 2º. parte

Tratamento para o adolescente infrator dependente químico, com as terapias expressivas. Um estudo de caso.

 TERAPIAS EXPRESSIVAS, O QUE É?

 

drogas

 

Andrade (2000) é um artista/cientista. Apresenta no livro Terapias Expressivas textos básicos sobre modalidades terapêuticas ligadas às manifestações artísticas. O autor também diferencia Arte, Psicoterapia, Arte Terapia, Terapias Expressivas, demonstrando historicamente o valor das mais variadas expressões artísticas nas culturas humanas. 

Como já foi dito anteriormente, o autor se refere que o ato de criar e o produto de criação tornam-se porta voz da tentativa de resolução de choque entre o que se apresenta ao indivíduo advindo da realidade objetiva e a maneira deste compreendê-la. Ou seja, a obra de arte é a concretização simbólica da vida psíquica e possibilita um espaço de expressão e comunicação do cliente para o terapeuta de resolução de conflitos. 

Segundo Ferraz (2007), a criatividade e a expressão artística são um atributo da natureza humana. Desde tempos imemoráveis a raça humana utiliza a arte como canal de expressão de conteúdos emocionais.

Historicamente, o interesse pela relação terapia e arte vem de longe, foi somente a partir, da década de 1930, que distinguiu-se como opção terapêutica, quando psiquiatras tornaram-se interessados nos trabalhos desenvolvidos por alguns pacientes  procurando uma ligação entre suas produções e a doença que os acometia. Durante todos esses anos, as técnicas artísticas utilizadas em terapia, foram sendo desenvolvidas e criteriosamente pesquisadas.

Ferraz (2007) destaca que as Terapias Expressivas são conhecidas como uma maneira criativa de auxiliar em diversas questões emocionais como, resolução de conflitos, melhoria da auto-imagem, reestruturação emocional, minimização de traumas, superação de obstáculos, desenvolvimento de competências pessoais, treino de habilidades sociais, entre muitas outras situações. Da mesma forma, o autor referencia:

 […] têm a finalidade de propiciar um ambiente de liberdade expressiva, possibilitando ao cliente trabalhar suas questões com a ajuda de diversas técnicas artísticas como, dança, teatro, música, literatura, canto, artes plásticas e outras infinitas possibilidades criativas, buscando facilitar e aprofundar a intervenção psicológica. Por isso exige do terapeuta, um estudo aprofundado, supervisionado e continuo da técnica.  (FERRAZ, 2007, p.03).

 No universo das Terapias Expressivas, não é a obra artística que interessa, nem a sua qualidade estética, mas sim, a atividade criadora, a vivência, a expressão em si e as consequências emocionais desencadeadas por esta experiência.  A expressão tem valor apenas enquanto dura sua ação e apenas para quem se expressa.

Para Ferraz, (2007) avaliar ou interpretar a produção artística é cair no erro, pois, a arte orientada em terapia, serve apenas como espelho do mundo interno do cliente, seja qual for o a técnica utilizada, a expressão não é um espetáculo, mas apenas um modo individual de contato com o mundo inconsciente e de escape das tensões acumuladas e recalcadas. Propicia a catarse nas situações em que é penoso expressar pela palavra.

Do mesmo modo, experimentar as técnicas das Terapias Expressivas em suas vivencias, corrobora com o surgimento do potencial e da força criativa que levam as pessoas ao autoconhecimento, e ao encontro do equilíbrio e a superação de suas dificuldades emocionais, (FERRAZ, 2007).

Nas várias correntes alternativas como o Psicodrama, Musicoterapia, Dançaterapia, e também as diversas técnicas de Terapias Expressivas, se utilizam dos pressupostos básicos de Freud a respeito da resistência, transferência e contratransferência.

O termo transferência, segundo Laplanche, (1979), “designa em psicanálise o processo pelo qual os desejos inconscientes se atualizam sobre determinados objetos no quadro de um certo tipo de relação estabelecida com eles e eminentemente, no quadro da relação analítica” (LAPLANCHE, 1979,p.668).

A resistência e sua manifestação no contato com o terapeuta através da transferência e contratransferência deve ser devidamente manejada desde a psicanálise de divã e todas as possíveis linhas, passando pela mais variadas terapias verbais. Isto porque, resistência e transferência no desenvolvimento da teoria da psicanálise passam a ser conceitos chaves para a compreensão da dificuldade do processo de tratamento.

Naumburg (1991) focaliza um dos momentos possíveis da utilização de materiais e expressões artísticas “no tratamento de problemas psicológicos exatamente neste momento quando os pacientes relatam dificuldades em descrever verbalmente experiências, lembranças e sonhos, mas se referem a eles através de imagens.” (ANDRADE, 2000, p.32).

A utilização da arte com objetivos terapêuticos em Terapias Expressivas é recente, mas a arte sempre expressou situações vividas pelo ser humano, desde a pré-história até os dias atuais, independentemente do grau de desenvolvimento cultural das sociedades.  

A arte tem sido um referencial de vida, um caminho para o homem adaptar-se a novas situações. Como meio de comunicação, a arte possui recursos e técnicas que a fazem presente em todas as manifestações culturais humanas. Suas formas de linguagem verbal têm sido substituídas pela eficiência tecnológica atual, que permite ao homem identificar-se com a rápida evolução das imagens visuais.

O homem usa a imagem como fonte de suas inovações lingüísticas. No desenvolvimento dessa discussão, Andrade (2000) coloca um discernimento epistemológico, quando determina o uso do símbolo como fator importante na organização e compreensão do conhecimento.  

Antes de tudo no estudo filosófico do símbolo, o que importa é sempre a concepção e uma colocação do homem em busca do conhecimento e não está calcado em um pensamento racional, mas no intuitivo. Ou seja, “um novo discernimento epistemológico determina o uso do símbolo como fator mais importante na organização e compreensão do próprio conhecimento” (ANDRADE, 2000, p.25), isto vai causar uma transformação na forma de encarar o homem como um ser inteligente.

O autor acrescenta que, a inteligência não é apenas produto da intenção, da memória e da associação. A sensibilidade e a memória não fazem do homem um animal superior, mas a capacidade de simbolizar, o poder da fala sendo o ponto axial da diferença entre homem e animal. Andrade (2000) afirma que o ato importante do pensamento passa a ser a simbolização.  Logo, a vida mental é reconhecida como um processo simbólico, “passa a existir conjuntamente à capacidade de simbolização, como decorrência da mesma, […]”. (ANDRADE, 2000, p. 29).

A fala nesse sentido é o fato mais imediato, mais palpável que se vê como produto e desse processo de simbolização da mente humana, o qual é chamado de transformação simbólica da experiência. Portanto, podemos dizer que a transformação simbólica da experiência “cria tanto o ritual como a arte, como frutos de uma necessidade elementar do cérebro.” (ANDRADE, 2000, p. 31), proporcionando um processo de auto expressão, autoconhecimento e auto-imagem para o individuo.

O pensamento vai depender de uma linguagem, a raiz da função simbólica, da conceituação, pois o campo simbólico não se reduz a linguagem verbal. Então, empregamos a palavra linguagem para designar muitas outras formas de expressão. Assim, as formas empregadas pelas terapias expressivas se encontram no campo da expressão humana, o movimento, o som, a dança, a escrita e outros. Assim temos:

 A arte é um caminho novo, único ao exteriorizar a interpretação síntese da experiência pessoal. Esta expressão é fruto das atividades conscientes e inconscientes de apreensão do mundo objetivo enquanto elaboração desse impacto no mundo interno do indivíduo. O ato de criar e o produto de criação tornam-se o porta voz da tentativa de resolução de choque entre o que se apresenta ao indivíduo advindo da realidade objetiva e a maneira de compreendê-la. […]

 

O criar e o produto da criação podem se tornar o porta voz desse ensaio de resolução de conflitos. […] (ANDRADE, 2000, p. 33)

 

 Nas Terapias Expressivas enquanto se realiza essa manifestação, o cliente integra, compreende e vivência aspectos do mundo exterior e do interior concomitantemente.

Andrade (2000) refere que ao buscar definir arte, psicoterapia, Terapia Expressiva a partir do seu contexto histórico diz que na cultura humana existem várias expressões artísticas, no entanto “a arte tem função simbólica, cria substitutos da vida sem nunca ser descrição do real. Permite o homem expressar e ao mesmo tempo perceber os significados atribuídos à sua vida, na sua eterna busca de um tênue equilíbrio como meio circundante.” (ANDRADE, 2000 p. 26).

Quer dizer que a arte pode ser compreendida pela sua função importante e essencial para o desenvolvimento humano, possuindo uma qualidade integrativa, “podendo unir forças oponentes dentro da personalidade e favorece a reconciliação das necessidades do indivíduo com as demandas do mundo exterior, pode ser compreendido como a função psicológica da arte.” (ANDRADE, 2000, p. 34).

Este estudo mostra um conjunto de diversas maneiras em psicoterapia de se utilizar recursos em artes plásticas e outras expressões tais como: som, movimento, dança expressão corporal, dramatização e a escrita, etc. Neste cenário da terapia, segundo Pain e Jarreau (1996), deve-se compreender o papel do terapeuta como mediador entre a formação da imagem (objeto da arte), a realidade e o que é comunicado simbolicamente.

Acredita-se que o processo terapêutico decorre da análise não só de uma, mas de uma série de produções artísticas do indivíduo, pois, se consideradas isoladamente, elas não permitirão o aprofundamento no quadro clínico do cliente, nem uma visão mais ampla de sua produção. Essas produções podem estar interligadas, formando um sistema no qual as imagens se completam e, com isso, revelam-se ao olhar do analista.

Andrade (2000) afirma que a utilização de recursos artísticos na psicoterapia ou na educação está subordinada a uma escolha e definição de um referencial teórico e operativo em função de um determinado objetivo. O teórico determina quais conceitos serão utilizados na compreensão do processo psicoterapêutico. Por referencial operativo o autor coloca que são as técnicas utilizadas e decorrentes de cada teoria.

Para Andrade (2000) as questões de definição de campo de trabalho, método e objetivo são das mais importantes nas Terapias Expressivas e estão ainda em muitos aspectos pouco definidas afirma o autor.

Portanto, em sua pesquisa sobre Terapias Expressivas procura referenciar os desdobramentos da psicanálise freudiana, da psicologia analítica junguiana e as correntes alternativas, psicologias humanistas, com um embasamento filosófico existencial fenomenológico, em uma possível articulação desses citados recursos expressivos aplicados em psicoterapia e educação.

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