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Publicado por - 20/08/2013

Curso Grátis – 3º. parte

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Tratamento para o adolescente infrator dependente químico,

com as terapias expressivas. Um estudo de caso.

Maria de Lourdes Batista

Psicóloga e Especialista em Dependência Química – Ano 2012

(se for compartilhar peço que dê a referência, grata.)

 

O TRATAMENTO PARA O ADOLESCENTE.

A dependência química é sempre discutida, os desafios existem em relação ao uso abusivo de álcool e outras drogas na vida do adolescente infrator dependente químico. Sabemos pela história que “as primeiras abordagens terapêuticas para o tratamento de dependentes químicos datam do século XIX, embora existam relatos de quadros de alcoolismo desde a antiguidade.” (BONI E KESSLER, 2010, p. 178).

No mundo atual,o tratamento para o adolescente torna-se uma necessidade, pois a violência tomou uma enorme proporção e tornou-se um assunto para todos. O adolescente infrator no seu processo de desenvolvimento e em busca de algo que dê sentido à sua existência, por vezes já encontra “de forma indevida no uso abusivo de substâncias psicoativas e nos grupos ao qual ele tem uma pertença”.  (BAPTISTA, 2006, p.23). A dependência química é um fator preocupante, uma realidade presente em várias classes da sociedade, com “a singularidade de cada caso, das famílias que são atingidas e que buscam tratamento”, (BONI E KESSLER, 2010, p.179).  A relação violenta estabelecida entre o adolescente e o ambiente às vezes é uma maneira deles posicionar-se frente a tantas vivências e sofrimentos.

Segundo Boni e Kessler (2010, p. 179) é necessário direcionar os tratamentos para determinados públicos, ou seja, tratamentos diferenciados para públicos diferenciados.

Segundo estudos realizados pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trânsito e Álcool (NEPTA), os dependentes químicos não compreendem os  problemas relacionados ao uso de substância, ou seja, eles não conseguem entender a dimensão inicial deste problema.

Dessa forma, o primeiro passo para o tratamento “é alcançar um nível de participação e motivação suficiente para manter um tratamento a médio e longo prazo.” (BONI e KESSLER, 2010 p.179).

Logo, o fato é que o tratamento é um processo longo que requer total participação da família, independente do caso. A abordagem familiar é parte integrante e indispensável no tratamento de adolescentes com problemas relacionados ao uso de substâncias psicoativas, não só no tratamento do adolescente dependente, como em qualquer caso de dependência química, seja na infância, juventude ou velhice.

O tratamento para o adolescente infrator em dependência química tem sido alvo constante de discussões, e preocupações, sendo “necessários estudos específicos sobre as características particulares do uso de drogas na adolescência para validação dos critérios diagnósticos empregados nesta faixa etária.”. (SCIVOLETTO, 2001, p. 69).

Para Scivoletto (2001), no tratamento com os adolescentes no período de abstinência do álcool e outras drogas em Comunidades Terapêuticas e outros locais, os adolescentes encontram dificuldades no início e não conseguem muitas vezes preencher seu tempo com atividades não relacionadas às drogas, não permanecendo no tratamento.

Podemos dizer que isso acontece devido estes adolescentes estarem dentro do programa de tratamento dos adultos, “os adolescentes possuem outras necessidades, uma delas é o tempo de permanência, precisam de mais auxílio e supervisão dos membros da equipe.” (KAMINER, 2004, p.25).

Então, no tratamento do adolescente infrator que faz uso abusivo de álcool e outras drogas, é preciso também estar atento nas características próprias dos adolescentes.

 

Observe-se, por exemplo, que uma das características que se destacam no mundo adolescente é a busca do prazer, inscrito não só pela maturação sexual, mas pelo despertar mais amplo para as dimensões do amor, do belo e do prazeroso. O adolescente precisa da comprovação de si mesmo e de certa forma inicia sua confirmação pelas experimentações que seu corpo físico pode conter. Sexualidade e drogas se encaixam aqui. (ALVES, 2002, p. 67).

Outra característica é a transgressão, atitude que aproxima o adolescente do problema da droga. É sabido que o adolescente tem impulsos de desafiar as autoridades, “em nome de alterar a ordem estabelecida na busca de um mundo ideal. Nesta perspectiva a transgressão na adolescência é normal. Apresenta-se como uma necessidade de resgatar a auto firmação e auto estima abaladas.” (ALVES, 2002 p. 67).

O adolescente vive com os conflitos existentes na construção de sua identidade e ele acaba tendo influências da sociedade, que cobra dele um papel social, “Numa fase onde a identidade do adolescente ainda não se completou fica difícil falar em papel social definitivo” (OSÓRIO, 1989, p. 28).

Para Grynberg e Kalina (2002) analisam o uso de drogas na adolescência como uma crise em que os jovens se defrontam com o meio social em que vivem e sua história individual. Dessa maneira os jovens acreditam estar dando provas de sua autonomia e auto-suficiência, sendo ele capaz de alcançar seus objetivos, muitas vezes não tão claros. (GRYNBERG E KALINA, 2002, p.46).

Essa autora valorizou, a eficácia nos acolhimentos, tratamentos especializados para esse público e são essenciais para minimizar o uso das sustâncias psicoativas, não permitindo o agravamento deste uso.

 

 Possibilidades de tratamento na atualidade

 

 No mundo atual, são diversas as opiniões acerca da melhor forma de tratamento para o adolescente infrator dependente químico. De maneira geral a demanda existe, e a carência de alguma intervenção terapêutica também. Talvez seja por esse viés que os casos de adolescentes infratores e dependentes químicos pouco progridem, por parte da família que recusa acreditar que o adolescente é um usuário de substâncias psicoativas. Em alguns casos a família desiste de tentar algum tratamento e abandona o adolescente infrator.

A síndrome da dependência é doença crônica passível de tratamento. São raros os casos de dependentes químicos que puderam se recuperar sem ajuda da família ou de terceiros. Segundo Franco (2008) “esta alternativa, (internação em Comunidade Terapêutica), deve ser avaliada por uma equipe de profissionais habilitada, de acordo com o grau de dependência do paciente, a gravidade dos transtornos que ele apresenta suas peculiaridades socioculturais”. (FRANCO JÚNIOR, 2008).  Visto que a internação é, quase sempre, evocada pela família como a primeira e única porta de saída para a crise gerada pelo comportamento desregrado de um de seus membros.

Nessa discussão sobre o tratamento em dependência química para adolescentes infratores, um dos problemas são as principais dificuldades metodológicas sobre efetividade do tratamento. Destacamos, “a avaliação inicial que se trata de uma avaliação detalhada do padrão de consumo de drogas pelo adolescente, fornecendo informações sobre o nível de envolvimento com as drogas e a gravidade do quadro clínico.” (SCIVOLETTO, 2001, p.69).

Essa avaliação detalhada é especialmente importante na elaboração da estratégia terapêutica, por exemplo, se o tratamento se dará em regime de internação ou ambulatorial ou outras alternativas, como encaminhamento psicológico.

Entre as dificuldades metodológicas, também incluem a falta de uma definição clara do que é sucesso ou fracasso terapêutico, mensuração pobre e inadequada das variáveis durante o seguimento e falhas no acompanhamento, incluindo a baixa aderência ao tratamento e pouco tempo de seguimento. Sendo a adolescência uma etapa da vida em que ocorrem muitas transformações, o corpo começa a mudar, vontades e dúvidas surgem a cada dia, o grupo de amigos adquire grande importância e evidenciam-se mais a busca de modelos identificatórios.

É nesta fase, inclusive, que iniciam o uso de substâncias psicoativas, ficando assim mais suscetíveis ao desenvolvimento de agravos à saúde psíquica e alterações comportamentais.

O abuso e a dependência de drogas merecem especial atenção nesta faixa etária, o que exige do profissional um repertório de habilidades que incluam uma boa capacidade para motivar para o tratamento, construção de um bom vínculo terapêutico, manejo adequado de diferentes modalidades de tratamento (farmacoterapia, psicoterapia, prevenção de recaídas e estratégias psicossociais) e avaliação do modelo adotado.

No campo de tratamento da dependência química, considerando as várias modalidades terapêuticas destacaremos a entrevista motivacional, que é uma intervenção breve visando estimular a mudança de comportamento. Foi aplicada, em adolescentes usuários de drogas, identificando-se as modificações ocorridas após a mesma. Com a amostra constituída por 50 adolescentes usuários de drogas que cometeram ato infracional. Todos foram avaliados por meio de protocolo padrão, depois submetidos a cinco sessões de EM,  entrevista motivacional, e reavaliados posteriormente.

O conceito de motivação, essencial na compreensão das dependências, inspirou a formulação de uma intervenção terapêutica chamada Entrevista Motivacional, amplamente difundida na Europa e EUA e mais recentemente difundida no Brasil. Esta abordagem, que junta várias abordagens já existentes, tais como a terapia centrada no cliente e terapias breves, acrescentando alguns novos conceitos, tem como objetivo principal promover a mudança de comportamento.

Andretta (2008) é autora da pesquisa realizada em Porto Alegre. Ela relata sobre os efeitos da entrevista motivacional em adolescentes infratores, com os seguintes resultados: o aumento do número de dias de abstinência de maconha e álcool; diminuição da quantidade de uso de álcool, tabaco e maconha; abstinência de cocaína, crack e solventes. Os dados evidenciaram que, após a entrevista motivacional, houve mudança no consumo de drogas, nos estágios motivacionais e nas crenças cognitivas em adolescentes infratores usuários de drogas.

Portanto, a aplicação da Entrevista Motivacional (EM) na população de adolescentes infratores, demonstrou também ser uma alternativa devido à gravidade do problema do consumo de drogas, sendo esta considerada uma questão de saúde pública, assim como os comportamentos infratores, por serem geralmente crônicos e de difícil extinção. Entretanto, são poucos os estudos existentes com resultados positivos nesta população.

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