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Publicado por - 29/08/2013

Adolescente Infrator . Um Estudo de Caso

 

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O caso  de L.S

 A IMPORTÂNCIA DO TRATAMENTO EM TERAPIAS EXPRESSIVAS ATRAVÉS DO ESTUDO DE CASO. 

Nas Terapias Expressivas, a arte é um meio, um instrumento de trabalho. No presente estudo, as Terapias Expressivas foram utilizadas para conhecer o cliente – um adolescente infrator dependente químico – para facilitar o diálogo com a terapeuta. A utilização da arte com objetivos terapêuticos.

Trata-se de um paciente que tivemos ocasião de acompanhar em tratamento no programa do PAAI, Sala de acolhimento do COMAD, destinada a usuários de substâncias psicoativas. O tratamento a que estamos nos referindo foi realizado no período de 2008 a 2010, no atendimento gratuito.

Procederemos ao relato com enunciados da mãe, visto que o adolescente infrator dependente químico L.S, não desenvolveu  relato verbal, possuindo grande dificuldade de usar a expressão verbal, não articulando as palavras, dizendo como resposta sempre “hum”, “sim”, “né”, “não sei”, considerando que o processo de formação de sua identidade é uma construção.

Além de suas fragilidades próprias e de seu contexto familiar, o adolescente encaminhou-se para a marginalidade, participando de grupos e cometendo atos infracionais.

A Mãe compareceu a Sala de Acolhimento pela primeira vez em novembro de 2008.  Nessa época, ela tinha 35 anos e seu filho 14 anos. Tanto a mãe quanto o adolescente traziam história de uso e abuso de álcool e outras drogas.

No percurso de elaboração desse Estudo de Caso, o não comparecimento do adolescente nas sessões e de sua mãe, que poderia acompanhá-lo, trouxe com isso dificuldades na compreensão do processo.

O encaminhamento foi feito pelo Conselho Tutelar por uma demanda da mãe que insistia por uma internação, pois não suportava a situação do seu filho: bebendo muito, autor de vários atos infracionais e “sem limites”. A mãe dizia “não consigo colocar limites para ele”. A mãe, uma alcoolista, afirmava: “saía para as farras e o L.S ia comigo, ele presenciou tudo, as meninas ficavam em casa, mas ele não, saía comigo.”

Nesse primeiro contato, chamou nossa atenção a dificuldade dessa mãe em cuidar do seu filho e não admitir de forma efetiva o uso de drogas. E ainda, o porquê da insistência em internar seu filho sem o consentimento dele. Em situações clínicas como essa em que o fenômeno de embriaguez e o uso de outras substâncias ocupam a frente do palco, sendo assim, a distinção diagnóstica torna-se muito difícil.

Frente à urgência em que se encontrava esse sujeito recorremos inicialmente a anamnese.  Segundo relato da mãe, a partir da anamnese foi possível constatar que o adolescente começou a apresentar dificuldades desde sua infância, como: enurese noturna e insônia, transtorno desafiador de oposição (em relação à autoridade), desobediência ativa, baixa autoestima, mau prognóstico na vida adulta, transtorno de conduta, (a incidência aumentando com a idade, desrespeito aos direitos básicos das outras pessoas, roubo, difícil tratamento, abuso de substâncias psicoativas). Esse possível diagnóstico foi constatado através do levantamento bibliográfico, segundo Silva (2009), no seu livro Mentes Inquietas, que possui um questionário sobre o comportamento de adolescentes com o quadro de DDA, Distúrbio do Déficit de Atenção. O diagnóstico foi realizado pela equipe do COMAD, este foi um instrumento de trabalho para melhor direcionar os encaminhamentos e o tratamento propriamente dito para o adolescente. 

Alguns encaminhamentos foram realizados: consulta com clínico geral (atendimento no PSF do seu bairro); Neurologista (consulta particular); Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) como incentivo à frequencia escolar. Para o tratamento medicamentoso foi receitado Diazepan, porém M.L.S não fazia uso da medicação prescrita todos os dias, devido ao uso de drogas. No PETI, o adolescente permaneceu por dois meses.

L.S vem de uma família com situação econômica desfavorável, mas a mãe trabalha para o sustento da família. Percebemos que a mãe sustenta também o vício do filho, pois teme que possa roubar para aguentar o vício.  Mora com a mãe, o padrasto e 4 irmãs.  Passa a maior parte do tempo fora de sua casa, e quando chega fica trancado no quarto.  A única versão que estabelece para seu pai é que “não sabe quem é seu pai”. É dessa forma que o adolescente se refere ao pai, sempre diz não saber quem ele é. Quando tomou uma facada no braço e foi hospitalizado na cidade vizinha, a mãe contou que o colega de enfermaria perguntou para L.S como o pai reagiu a esse fato, a mãe comentou sua fala:  “ meu  pai? Ele mora em São Paulo”. O convívio social é estabelecido apenas com outros usuários de drogas.

Chamou-nos nossa atenção as seguintes questões:  o nome do pai do adolescente não consta na sua certidão de nascimento, não foi uma gravidez planejada, ingestão de álcool durante os nove meses da gravidez, parto normal, mas com problemas sérios (anemia e broncopneumonia). A criança sofreu vários acidentes: com cinco anos caiu da bicicleta (nada muito grave), levou uma pedrada na cabeça (quatro pontos) tendo posteriormente, dores de cabeça constantes até os quatorze anos de idade. Aos dois anos teve ingestão de remédio (mioflex) por descuido da família, indo para Hospital fazer lavagem. Segundo a mãe, o desmame aconteceu por que o leite era “fraco” e por causa de seu trabalho, assim a criança ficou desnutrida. A família não tinha o ritual da alimentação, o adolescente comia em frente a TV, então os momentos de família, do diálogo, não havia, para marcar a presença da mãe, das irmãs e do padrasto.

L.S  dormiu com a mãe até os oito anos de idade, enurese noturna até os nove anos. Apresenta-se lento em seu desenvolvimento, aprendendo a dar nó no sapato somente aos quatorze anos. Não gostava de ir para escola, denotando aparente hiperatividade.

Segundo a mãe, o padrasto tinha ciúmes do filho, tendo por vezes, comportamentos agressivos em relação a L.S, como por exemplo, jogando seus animais de estimação em um buraco ou dando uma “surra” ao buscá-lo na rua. Na última gravidez da mãe, o adolescente recusava-se a ir para a escola apresentando depois do nascimento do bebê, crises de ciúmes em relação à irmã. L.S ficou sabendo o nome de seu  pai aos seus quatorze anos, quando começou o tratamento para dependência química. 

O adolescente dizia: “mas eu não sei onde ele mora”.  Entretanto, o pai foi localizado através do Conselho Tutelar. Na conversa que tivemos com o avô e a irmã do pai do adolescente, dizendo da história de L.S, após escutarem, houve certo distanciamento do avô, no sentido de querer encerrar a conversa e não demonstrando interesse em conhecer o adolescente. Terminou a conversa dizendo que o pai (a pessoa que procurávamos) não morava mais naquele endereço, e que ele estava casado e que tinha filhos e morava atualmente em São Paulo.  

L.S cumpria medidas socioeducativas e nossa conduta era tentar compreender os atos infracionais e como foram aplicadas tais medidas. O adolescente foi preso por 45 dias. Ao sair, sua mãe solicitou uma medida de intervenção, pois admitiu que o filho estava envolvido com drogas, o que antes era “inacreditável” para a mãe. Mesmo apresentando sentimentos de incapacidade e insegurança frente aos fatos que não conseguia controlar, a mãe sempre acompanhou o adolescente nas audiências para responder sobre os atos infracionais, sendo um fator relevante no andamento do tratamento.

No acolhimento inicial fizemos avaliação diagnóstica, investigando os tratamentos anteriores. L.S não fala sobre quais as drogas que ele utilizava, qual a frequência e a quantidade. A mãe parou de trabalhar oito meses para acompanhar o processo do adolescente, mas diz: “ele continua com o uso de drogas, não respeita as regras”.

De acordo com Boni e Kessler (2010), o abuso de álcool durante a gestação possibilita a ocorrência de alguns transtornos como: transtornos do humor, ansiosos e de personalidade, pois o uso durante a gestação faz do feto um co-consumidor de álcool, uma vez que a placenta não filtra o álcool do sistema circulatório da mãe para o feto, o resultado pode ser uma síndrome Alcoólica Fetal, causando várias lesões. O uso/abuso de álcool pode ter contribuído também para dificuldade nas interações familiares.

A demanda identificada durante as entrevistas de acolhimento em relação à estrutura familiar e a dificuldade de adaptação nos anos iniciais na escolar, proporcionou a  construção de  uma  demanda de  tratamento.

A noção de construção norteou a prática da equipe, as intervenções iniciais se deram a partir de uma suposta dificuldade de aprendizagem devido à evasão escolar do adolescente e o uso precoce do álcool.  L.S parece apresentar um quadro de transtorno de aprendizagem em nível moderado, desde os primeiros anos de escolaridade, com história de antecedentes familiares.

  

O uso das Terapias Expressivas

 

 O tratamento envolveu a aplicação de técnicas expressivas e arte-educação, devido a sua dificuldade de aprendizagem. Mas não houve um processo de autoconhecimento, de  crescimento e cura, descobertas de suas habilidades, pois o adolescente queria ver tudo pronto, rápido e imediato, tendo em vista o desejo de vender o que produzia.

Entretanto, pudemos perceber que as técnicas utilizadas proporcionaram uma tentativa de aproximação desse adolescente, contribuindo também a aspectos referentes à melhoria da auto-imagem, auto-estima. Através de suas produções artísticas, demonstrando sua criatividade, sua forma de desenhar, escrever de forma livre, expressando sentimentos e pensamentos. Foi possível perceber uma conexão que o cliente fez com a sua vida.

 No universo das Terapias Expressivas, o importante é o processo. Nesse sentido, o vínculo aconteceu devido a liberdade que L.S teve em vivenciar o que lhe foi proposto, um clima de liberdade em vista de um comportamento passivo e introvertido desse sujeito.

Foram utilizadas as seguintes práticas:

  • o desenho livre,  desenhar é  a arte de representar alguma coisa por meio de sinais, linhas e pontos. Na técnica do desenho livre o sujeito solta a imaginação, a criatividade. Os temas inspiram na criação e no uso de linhas e pontos, dando formas. Essa técnica utilizada no primeiro encontro proporciona um rapport e um clima de confiança, como também conhecer qual a relação que o sujeito tem com a escola.
  • técnica do rabisco, o imaginário é projetado em linhas casuais que podem registrar um movimento rítmico e um padrão pessoal.
  •  as máscaras, um jogo teatral –  Segundo Koudela (2001) é um processo que tem  por objetivo gerar uma nova realidade. Tem em vista o processo criativo e através da representação a expressão da subjetividade do sujeito.
  • elaboração de texto, demonstrava sua dificuldade em realizar a tarefa, havia um esforço para executar.  Essa atividade propõe que o sujeito demonstre seu conhecimento  na leitura e na escrita e conteúdos internos tendo como  exemplo que o mesmo faça um texto sobre a importância de seu nome,
  • laboração de histórias, o participante desenvolve liberdade pessoal dentro do limite de regras estabelecidas, leitura de textos, lento ao ler, mas terminava a leitura, aplicação de ditado, uma intervenção na dificuldade da escrita,cópia de textos, para treino de caligrafia.

Em todas as atividades propostas o adolescente mostrava dificuldades de concentração, desviando atenção para outras coisas, demonstrando um comportamento difícil de trabalhar. Nesse sentido as Terapias Expressivas contribuíram no sentido de proporcionar um crescimento interior, na aprendizagem, e procurando entender o que se passa com esse indivíduo para ajudá-lo a superar suas dificuldades.  

Foram realizadas dez sessões no modelo de Técnicas Expressivas como recurso terapêutico usando as técnicas citadas. A vantagem principal da sua utilização foi à possibilidade de acesso aos conteúdos internos, que permitiram ao terapeuta um melhor manejo. Mesmo com a dificuldade de junto com o adolescente perceber seus sentimentos diante das vivencias. Proporcionando assim, um caminho de aproximação. 

Portanto, apresentaremos abaixo, alguns aspectos relevantes sobre o andamento das sessões.

  • Primeira sessão: L.S   veio acompanhado de sua mãe que ficou aguardando na sala de espera. O adolescente mostrou interesse pelos trabalhos manuais, dizendo que ia vender para sua avó. Nesta sessão aprendeu a fazer sabonete decorado, pois quando estava na cadeia viu os detentos fazer e se interessou. No contato inicial por telefone M.L.S pediu que ensinasse este trabalho manual. M.L.S demonstrou dificuldade em dar forma no que ele quis fazer, ficando um pouco frustrado com o resultado final de sua obra, uma escultura feita com sabonete em forma de coração. Pudemos perceber que o efeito terapêutico do trabalho com a arte estava diretamente ligado às possibilidades de expressar seus conteúdos internos. Num primeiro contato foi possível criar um clima de confiança onde o adolescente mostrou a dificuldade na habilidade de cortar, de fazer escolhas, solicitando do terapeuta que fizesse por ele.  Estabelecimento do vínculo cliente-terapeuta.

 Após essas as atividades propostas e a explicação sobre a utilização de cada material o adolescente falou do desejo de aprender um ofício. Ou seja, demonstrava esse desejo através da suas produções e escolhas e dizia que desejava trabalhar. Não foi possível realizar seu desejo, pois a sociedade como todo, conhece seus atos infracionais e não foi possível encontrar alguém que confiasse em L.S.

  • Segunda sessão: L.S veio em companhia de um amigo. Perguntou se ele podia entrar e a terapeuta aceitou a presença do amigo. Iniciamos a sessão conversando sobre a escola. L.S trouxe palitos de picolé e pediu para ensinar a fazer porta retrato. Nessa atividade houve um melhor desempenho, este sempre desejoso de vender o que estava produzindo. A utilidade da arte e da criatividade no contato inicial entre paciente e terapeuta torna-se uma forma de expressão do ser humano e uma forma de comunicação e de linguagem simbólica. Iniciamos um processo de comunicação, mesmo com as poucas palavras do adolescente. Este também foi acolhido por outros profissionais através de encaminhamentos, mas sem evoluções significativas com os atendimentos.
  • Terceira sessão: L.S não compareceu, a mãe não comunicou o por quê. No contato feito pelo telefone diz que ele gastou o dinheiro que deveria ser usado para comprar o material na realização dos trabalhos propostos por ele. 
  • Quarta sessão: leitura de textos. O adolescente demonstrava dificuldade na leitura, e ficava olhando para a janela, às vezes um olhar perdido, às vezes tentando ver quem passava na rua. O texto era um meio para um diálogo, o que custava muito para ele, demonstrando inibição que custava muito para ele, demonstrando inibido, conhece seus atos infracionais e num clima de liberdade.
  • Quinta sessão: Usamos a Técnica do rabisco. O adolescente não ocupou a folha toda, fazia a técnica de “qualquer jeito” ele dizia assim, de “qualquer jeito tá bom”??
  • Sexta sessão: Fizemos a “Cópia de textos”, através de um poema com o tema: meu bambu amado. Ele leu o texto em voz alta e achou bonito, mas não gosta de sua letra.
  • Sétima sessão: quanto às máscaras conversamos sobre elas, e ele me disse que lembrava o carnaval. Não produziu uma máscara.

            Nesse sentido, a atenção do terapeuta expressivo volta-se para a maneira como o cliente está utilizando esses recursos, sua expressão através da arte, com  L.S,  foi possível ir além do limiar de sua indiferença. Na tentativa de estabelecer uma relação onde o vínculo terapêutico o despertasse para a vida.

No total foram dez sessões, entretanto o adolescente não compareceu em três sessões. Então, a mãe do adolescente solicitou ao juiz, tratamento em Comunidade Terapêutica, como uma alternativa para sua recuperação evitando o agravamento de sua dependência e atos infracionais.

L.S, após passar por testes para  validar a avaliação psicológica solicitada pelo juiz, aceitou o tratamento na Comunidade Terapêutica, realizou os exames para sua internação, compareceu na consulta com psiquiatra, sendo medicado com Tecretol. Realizou tratamento dentário, clínico geral. L.S  tirou sua  carteira de identidade e CPF.

Após quatro dias de permanência nesta instituição, a assistente social entrou em contato com a mãe de L.S dizendo que ele precisava fazer um exame, solicitando sua presença. Entramos em contato com a equipe para que eles pudessem assumir a demanda, foi negado o pedido. Dessa forma, a mãe foi buscá-lo para cuidar de uma doença que apareceu no adolescente após quatro dias de internação. Nesse percurso o adolescente foi entregue novamente a essa mãe para que ela cuidasse dele.

Parece que a equipe de profissionais ainda não estava preparada para as dificuldades do tratamento com o adolescente infrator dependente químico. Nessa instituição o projeto terapêutico é o mesmo usado para os adultos.

No momento o adolescente está em cadeia domiciliar, devido suas sentenças de medida de internação. A equipe do COMAD, elaborou u m projeto terapêutico para L.S na Sala de Acolhimento , buscando  dar continuidade ao processo iniciado.  Enfim, depois das sessões, dos contados, das tentativas de internação, L.S entrou novamente para o cenário do crime, participando de um assalto a mão armada com mais dois colegas num posto de gasolina.

Como uma possibilidade de continuar nosso trabalho com o adolescente, buscamos junto com a mãe um advogado para investigar os processos de L.S, e se era possível o juiz encaminhar o adolescente para tratamento na Comunidade Terapêutica da cidade, visto que a medida de internação não poderia possibilitar ao adolescente citado um tratamento pelo uso indevido de substâncias psicoativas.

 De acordo com a Sentença, apresentado a equipe do COMAD pela mãe do adolescente,  segue alguns relatos das autoridades:  “os infratores são incorrigíveis,  todas as oportunidades a eles foram dadas, mas em vão” nesse ato infracional M.L.S  estava acompanhado,  outro relato  “L.S confessa com inteira indiferença seus atos, acredita-se  ser por que a lei o protege, e vaga para sua internação  por mais que requisite não tem reposta.”  Segundo o  ECA  art.121§ 1º. a medida de internação […] o juiz deve ter à vista o laudo de avaliação clínica, psicológica  e assistencial.

Parece que toda essa situação ocorreu devido a falta de decisão da mãe do adolescente infrator, pois parece ter  aceitado  com passividade as sentenças, não recorreu, o advogado nomeado  nada solicitou – conforme as sentenças, concordando com as decisões da promotora e juiz, talvez  por ter sido nomeado pelo Estado.

 Na sentença de acordo com o relato da Assistente Social, o município não dispõe de aparelhos voltados para menores, ou seja, não tem profissionais que possam prestar esse serviço.  Então é aplicada mais uma vez a medida de internamento para L.S em estabelecimento educacional por prazo inicial de seis meses, sujeito antes da sua liberação a uma avaliação técnica. A sentença foi aplicada pelo Juiz dessa comarca no dia 22 de setembro de 2010.

Portanto, não foi aceito o pedido de tratamento com o encaminhamento feito pelo próprio Juiz para Comunidade Terapêutica deste município, ou em outra instituição, no momento atual – dezembro 2012  L.S encontra-se  preso na cadeia pública desse município, em cela separada, mas entre os detentos, sem nenhum atendimento, está cumprindo a medida socioeducativa nesse local.

Podemos dizer que o trabalho com adolescentes infratores e também, na situação de dependentes químicos, torna-se difícil a partir do momento que não podemos articular serviços especializados para o público e nem uma rede de atendimento “afinada”. Apesar de sabermos que o sujeito é seu principal agente de mudança, não podemos nos esquecer que estamos lidando com sujeitos onde seus direitos foram violados desde a infância. O profissional pode oferecer recursos para que o adolescente se encontre, entretanto, isso não nos dá a garantia da “resolução” de casos ou de vidas. Dessa forma, pensamos que o não prosseguimento do referido caso se deu por vários aspectos. Dentre eles: a dificuldade do trabalho em rede para fortalecimento das ações, o não comparecimento do adolescente às sessões propostas, o agravo na auto-estima e frustração pelas dificuldades em realizar as tarefas do modo que desejava, o imediatismo (característica observável em adolescentes infratores e dependentes químicos) quando revelava seu desejo de vender suas produções.

Por outro lado, a tentativa do uso da Terapia Expressiva possibilitou-nos a criação do vínculo com o adolescente e a expressão de alguns sentimentos e falas (ainda que rápidas). Do mesmo modo, podemos citar que seu desejo de vender, revelava o desejo de produzir algo bom e oferecê-lo a alguém, sendo um aspecto significativo das técnicas utilizadas. Ainda que pudéssemos pensar no que ele faria com o dinheiro das vendas, não podemos esquecer que as vendas estavam sempre ligadas à pessoa da avó (pessoa com quem mantinha laços afetivos importantes), proporcionando mais uma vez, a expressão e a produção de que ele poderia também oferecer coisas boas às pessoas, e não tão somente seus atos de infração ou fazer conexão com o mundo simplesmente através do uso/abuso de drogas.   

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Este estudo de caso faz parte  da Monografia defendida como requisito parcial para obtenção do título em Especialista em Dependência Química, na Universidade Federal de São João del-Rei – UFSJ  

A IMPORTÂNCIA DAS TERAPIAS EXPRESSIVAS PARA O TRATAMENTO DO ADOLESCENTE INFRATOR DEPENDENTE QUÍMICO

Maria de Lourdes Batista

Curso  Livre : Recursos Terapêuticos em  Terapias Expressivas.

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REFERÊNCIAS

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