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Publicado por - 11/09/2013

Análise do Filme, O Óleo de Lorenzo Parte I

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Psicologia Social

 “Só há sentido na vida com luta “

Destaco a importância do presente estudo na área de Psicologia,  quanto a formação do futuro profissional. Quanto aos pressupostos teóricos, busquei pesquisar conceitos relacionados à   disciplina, procurando sustentação em cada orientação dada  pelos próprios professores.  Uma proposta que nos convida a investigar, tendo um olhar mais amplo sobre a pessoa humana e seu desenvolvimento.

A metodologia 

Filme: O Óleo de Lorenzo, direção de George Miller, no elenco: Nick Noite, Susan Sarando, Peter Ustinov.

Objetivo: Contextualizar uma estória real de coragem, determinação e dedicação no mundo pós-moderno.

 

Resumo do filme

Um garoto levava uma vida normal até que, aos seis anos, ele passa a ter diversos problemas de ordem mental, que são diagnosticados como ALD, uma doença extremamente rara e que provoca uma incurável degeneração no cérebro,levando o paciente à morte no máximo em dois anos. Os pais do menino ficam frustrados com o fracasso dos médicos e a falta de medicamento para uma doença desta natureza. Assim, começam a estudar e a pesquisar sozinhos, na esperança de descobrir algo que possa deter o avanço da doença.

 

2. Conhecimento Temático 

2.1 – Relação com a Filosofia 

Modernidade, o período que compreende os séculos XVIII, XIX e XX, durante os quais tomou corpo a distinção entre três grandes domínios da cultura: ciência, arte e filosofia. Na base dessa divisão está o fim da religião como saber hegemônico. Até o início do século XVII, ciência e religião formavam um todo indissolúvel.O projeto do Iluminismo consistiu justamente em delimitar os campos do pensamento e da ação, dissociando a fé da verdade científica. Esse primado da ciência sobre a tradição e a autoridade representou também o primeiro passo no sentido da fragmentação do saber em inúmeras especialidades e subespecialidades, tendência que se manifestaria plenamente no século XX. A relação entre fornecedores e usuários de conhecimento também se altera: o conhecimento tende a assumir a forma de mercadoria, ou seja, de valor, e passa a ser objeto de negociação e investimento como qualquer produto do mercado, do qual se espera lucro.

O traço mais peculiar do saber pós-moderno — o fato de definir ele próprio as regras que o legitimam — aproxima procedimentos científicos de procedimentos políticos, tornando as diferenças entre ambos cada vez mais difusas. Os critérios de legitimação do saber se confundem com os critérios do poder.O progresso da ciência, no entanto, não se fez graças ao positivismo da eficiência, mas por um caminho muito diverso: trabalhar para provar uma hipótese é pesquisar, inventar a hipótese contrária, propor o ininteligível. Trabalhar na argumentação é pesquisar o paradoxo e dar-lhe legitimidade mediante novas regras do jogo fornecidas pelo raciocínio.

Todos os dias, milhares de pessoas se submetem ao deus criado pela humanidade: sua santidade o cientista. Seu santuário localiza-se nos edifícios dos modernos laboratórios, hospitais e universidades. Em todos os lugares, encontramos o especialista, guardião do conhecimento científico, o qual, pretensamente, tem resposta para todos os males que afligem a humanidade. Como escreve Bourdieu:

“A especificidade do discurso de autoridade  reside no fato de que não basta que ele seja compreendido (em alguns casos, ele pode inclusive não ser compreendido sem perder seu poder), é preciso que ele seja reconhecido enquanto tal para que possa exercer seu efeito próprio.” (1998: 91)

Os estudantes, por exemplo, ficam extasiados com a erudição do mestre. Em certas circunstâncias, quanto mais incompreensível for o discurso do professor mais ele parecerá inteligente. Em geral, passa despercebido o fato de que a instituição universitária legitima o discurso professoral: o docente não precisa saber, mas sim aparentar que sabe. Tempos atrás, havia uma novela onde o personagem, estilo professor-filósofo, discursava em solenidades e o público ficava boquiaberto com tanta sabedoria e erudição […]. Este tipo de autoridade se impõe devido à nossa cumplicidade. Quando procuramos o médico aceitamos de bom grado a sua autoridade: suas palavras expressam a verdade científica. Como nós, míseros ignorantes, podemos questioná-lo? Terá o aluno a ousadia de questionar o saber do professor? Ainda que este ou aquele professor seja inquirido neste ou naquele ponto, a sua autoridade estará resguarda pela posição que ocupa na instituição. Ou seja:

“A linguagem de autoridade governa sob a condição de contar com a colaboração daqueles a quem governa, ou seja, graças à assistência dos mecanismos sociais capazes de produzir tal cumplicidade, fundada por sua vez no desconhecimento, que constitui o princípio de toda e qualquer autoridade.” (Id.)

A imposição do saber canônico, da palavra autorizada, inclina-se à arrogância, manifesta ou camuflada (na forma da humildade demagógica). Isto ocorre na medida em que o portador do conhecimento científico não reconhece outro saber. Há quem considere que a posse da sabedoria livresca e do conhecimento titulado e legitimado pela instituição concede status superior. Não fosse o mal e o sofrimento que causa – para si e para os outros –, a arrogância bem que poderia ser desconsiderada ou simplesmente debitada às compreensíveis fraquezas humanas. E quando, mesmo com toda a cumplicidade à autoridade instituída, nos vemos diante de uma situação desesperadora, para a qual a ciência não tem resposta?

O filme O Óleo de Lorenzo ilustra bem esta situação. Trata-se da história de uma criança que tem uma doença rara e, pelos prognósticos dos  cientistas, não viverá muito. Logo nas primeiras cenas um fato se sobressai: o sofrimento ao qual o menino é submetido e as dificuldades da ciência em diagnosticar. A fala fria e científica do médico, ao informar o diagnóstico, contrasta com o desespero dos pais. A mãe pergunta se não há uma remota possibilidade de cura, se ele tem certeza mesmo de sua fala, o doutor responde, secamente: “Absoluta”. Só resta a resignação. E diz que  ALD é transmitido apenas pela mãe, consultoria genética, é congênito Os defeitos congênitos não são resultado de uma única causa […]. A mãe comenta assustada: “Lorenzo recebeu diretamente de mim? “ – sentimento de culpa e questiona: “Se eu herdei o defeito, porque não tenho a doença?” O médico responde friamente: a mulher é apenas a portadora. A família dos Odones que antes frequentavam a Igreja Católica  abandona, se sente castigada por Deus e decepcionados comentam: com certeza,não teremos mais filhos.

O filme O Óleo de Lorenzo demonstra em sua arrogância, os guardiões do saber canônico não admitem concorrência: reflete a contradição entre o saber considerado científico e o saber não reconhecido no campus. Os pais de Lorenzo, na luta para salvar o filho, tornam-se autodidatas, rivalizando com os renomados doutos. As autoridades científicas relutam em aceitar os avanços obtidos nas pesquisas realizadas externamente ao seu controle.

Mas, a resistência não é apenas dos médicos: os demais pais, cujos filhos sofrem da mesma doença de Lorenzo, não aceitam que alguém fora da academia possa atingir o saber científico. Ou seja, negam legitimidade ao saber não-diplomado. “Querem ensinar os médicos”, acusa uma mãe. Em sua opinião, o desafio ao saber estabelecido é um ato arrogante. E ela tem certa razão. Com efeito, a palavra arrogante vem do latim arrogare, que significa apropriar-se de. E de fato, o que o pai de Lorenzo faz é, por meios próprios, apropriar-se do conhecimento científico. Aqui não é  descartado  o saber instituído. Não há contradição absoluta entre os tipos de saber: o autodidatismo do pai de Lorenzo se referencia no conhecimento científico acumulado e disperso. Não há a negação absoluta do saber científico, mas sim de uma determinada maneira de compreendê-lo e de agir. O pai de Lorenzo busca o saber  pela pesquisa, ele vai até a Universidade –  campo acadêmico, na biblioteca.

Óleo de Lorenzo uma história real, questiona a arrogância titulada e o intelectualismo desencantado do mundo: o saber cientificista, abstrato e sisudo, profundamente desvinculado do humano; um saber que não mergulha no mar da humanidade, um saber desumanizado. O amor pelo filho e pelo próximo alimenta a paixão pelo conhecimento. “Com efeito, para o homem enquanto homem, nada tem valor a menos que ele possa fazê-lo com paixão”, afirma WEBER (1993: 25) O trabalho realizado com paixão inspira e realiza o homem; o contrário, exprime obrigação, opressão. O exemplo do pai de Lorenzo comprova que o diletantismo, como admite Weber, é positivo:

“No campo das ciências, a intuição do diletante pode ter significado tão grande quanto a do especialista e, por vezes maior. Devemos, aliás, muitas das hipóteses mais frutíferas e dos conhecimentos de maior alcance a diletantes – (Que ou quem se ocupa de qualquer assunto, ou exerce uma arte, por gosto, como amador, e não por ofício ou obrigação.) Estes não se distinguem dos especialistas (…) senão por ausência de segurança no método de trabalho e, amiudamente, em conseqüência, pela incapacidade de verificar, apreciar e explorar o significado da própria intuição”. (Id.: 26)

O saber confrontado pelas experiências relatadas neste filme vincula-se, via de regra, à vaidade – que, em defesa dos intelectuais, não é uma propriedade exclusiva do campus. Se todos somos vaidosos, em menor ou maior grau, o problema começa quando a vaidade se traduz em atos autoritários ou se erige em obstáculo às relações humanas (talvez, por isso, há quem prefira os animais).O mais preocupante nisto tudo é a perda do sentido da vida e da percepção da sua finitude. Se levarmos em conta as sábias palavras em epígrafe e, quem sabe, nos tornemos mais humildes em relação às nossas pretensões intelectuais e tenhamos uma atitude mais crítica (quanto ao pretenso conhecimento científico) e mais flexível (em relação à sabedoria popular). Quem sabe, aprendamos a controlar a arrogância e nos convençamos de que os títulos acadêmicos não nos tornam essencialmente melhores do que os nossos semelhante não-titulados. A Ciência preocupada  na pesquisa, produzir remédio a serviço do capital, uma racionalidade instrumental – os detentores do poder, “não posso pensar além.” Para os médicos, os presidentes da Associação eles tinham todo tempo, mas para os pais de Lorenzo eles tinham consciência que haviam uma meta a ser cumprida, a ser avançada, sair do comodismo da “jaula de ferro burocrática”. Isso é liberdade? Os pais de Lorenzo vão além, buscam formas diferenciadas.

 

Relação com a disciplina Neuroanatomia

 

Buscando a definição de Ciência no dicionário Aurélio vemos que é um Conjunto de conhecimentos socialmente adquiridos ou produzidos, historicamente acumulados, dotados de universalidade e objetividade que permitem sua transmissão, e estruturados com métodos, teorias e linguagens próprias, que visam compreender e,  orientar a natureza e as atividades humanas.

O “Óleo de Lorenzo” é uma história verdadeira, de um menino Lorenzo Odone  que aos oito anos começou a demonstrar os sintomas de uma rara doença genética e incurável.

Em neuroanatomia a definição sobre mielina pela primeira vez aconteceu no contexto de algumas considerações sobre a Esclerose Múltipla, na pesquisa “Avaliação do funcionamento psicossocial  na esclerose múltipla: características piscométricas de quatro medidas de auto-relato”  apresentada  pelo  prof. Ricardo da disciplina de Estatística para compreender termos apresentados e relacionados a sua disciplina. Assim a definição da bainha de mielina; é uma Substância lipóide que forma a bainha em torno de certos nervos.

A história  mostra que Lorenzo possuía bons relacionamentos, amigos, até que na escola  seu comportamento muda,  passa a ter reações furiosas conforme narra a professora a sua mãe.  As atitudes de Lorenzo se repetem e então os exames vão mostrando: neurologicamente está bem, até que descobrem uma doença rara – a leucodistrofia  segundo o médico ele tem uma delas – ALD – é uma deficiência metabólica que causa a degeneração do cérebro. Afeta o sexo masculino e segundo a ciência morrem após 2 anos do diagnóstico.Segundo o médico há 10 anos atrás essa doença não era identificada, não tem tratamento para a doença desta natureza. Desapontados com a ciência começam a pesquisar sozinhos na esperança de descobrir algo que possa deter o avanço da doença.

Na ALD, a atividade anormal dos peroxissomos leva a um acúmulo excessivo de ácidos graxos de cadeia muito longa (AGCML) constituídos de 24 ou 26 átomos de carbono em tecidos corporais, sobretudo no cérebro e nas glândulas adrenais. A conseqüência desse acúmulo é a destruição da bainha de mielina, o revestimento dos axônios das células nervosas, afetando, assim, a transmissão de impulsos nervosos.  ALD é uma doença genética rara causada por uma mutação no gene ABCD1, que está localizado no cromosomo X e codifica uma proteína de membrana peroxisomal. A doença é caracterizada por altas concentrações de ácido graxos de cadeia muito longa (VLCFAs) no SNC – Sistema Nervoso Central  e na córtex da adrenal, afetando 1 em cada 25000 meninos. O gene defeituoso que ocasiona a doença está localizado no lócus Xq-28 do cromossomo X. Tal gene é responsável pela codificação de uma enzima denominada ligase acil CoA gordurosa, que é encontrada na membrana dos peroxissomos e está relacionada ao transporte de ácidos graxos para o interior dessa estrutura celular. Como o gene defeituoso ocasiona uma mutação nessa enzima, os AGCML ficam impedidos de penetrar nos peroxissomos e se acumulam no interior celular. Os mecanismos precisos através dos quais os AGCML ocasionam a destruição da bainha de mielina ainda são desconhecidos.

Não existe terapia definitiva para a ALD até o momento. No seu tratamento, alimentos ricos em AGCML, como espinafre, queijo e carne vermelha, devem ser restringidos na dieta. Segundo estudos, a dieta baseada no “azeite ou óleo de Lorenzo” tem obtido êxito, especialmente quando administrada antes da aparição dos sintomas. O “óleo de Lorenzo” é uma composição obtida através da mistura de ácido erúcico e ácido oléico. O tratamento da disfunção adrenal, através da administração de hormônios, por exemplo, e os transplantes de medula também são outros tipos de medidas adotadas no tratamento da ALD

O óleo de Lorenzo – que contém ácidos oléico e erúcico – foi desenvolvido em 1984 por Augosto and Michaela Odone depois que seu filho, Lorenzo, começou a mostrar os sintomas de ALD.

No filme a mãe e o pai de Lorenzo acompanham a  diminuição da audição, pois segundo o médico alguma coisa já está afetando o cérebro, ele começa a perder os  movimentos, os nervos vão perdendo sua função, logo após segue todos os procedimentos que a família dos Odone buscam para salvar o filho dessa doença. Lorenzo hoje vive,está com 28 anos, tem suas limitações, consegue se comunicar pelo piscar de olhos e movimentos dos dedos. Gosta de música e ouvir estórias. Lorenzo não se curou porque lesões no sistema nervoso central deixaram seqüelas permanentes, mas a doença estacionou.

 

Relação com a disciplina Teoria Existencial Humanista

Denomina-se existencialismo uma série de doutrinas filosóficas que, mesmo diferindo radicalmente em muitos pontos, coincidem na idéia de que é a existência do ser humano, como ser livre, que define sua essência, e não a essência ou natureza humana que determina sua existência. Existencialismo na filosofia. Embora represente uma corrente específica do pensamento moderno, o existencialismo não deixa de ser uma tendência que se faz sentir ao longo de toda a história da filosofia. Assim sucede, por exemplo, com o imperativo socrático “conhece-te a ti mesmo”; com a angustiada exclamação de Pascal, situando o homem entre o ser e o nada; ou com a formulação do idealista alemão Friedrich Wilhelm Joseph von Schelling, segundo o qual a existência humana não pode ser reduzida à razão.

Para alguns pensadores dessa corrente – os alemães Martin Heidegger e Karl Jaspers, por exemplo – as possibilidades existenciais, na medida em que ancoradas no passado, conduzem todo projeto de futuro para o passsado. Para outros, como o francês Jean-Paul Sartre, as possibilidades de escolha existencial são infinitas e equivalentes, e a opção entre elas é, pois, indiferente. Outros, enfim, como o italiano Nicola Abbagnano e o francês Maurice Merleau-Ponty, consideram que as possibilidades existenciais são limitadas pelas circunstâncias, mas nem determinam a escolha nem fazem com que ela seja indiferente. Sejam quais forem suas posições particulares, todos os existencialistas afirmam, porém, que a escolha entre as diferentes possibilidades implica riscos, renúncia e limitação, salvo o francês Gabriel Marcel, principal representante do existencialismo cristão, que acha possível a transcendência do homem mediante seu encontro com Deus na fé.

Embora não seja possível dar uma definição precisa do existencialismo – pois não existe um existencialismo único – ainda assim há uma série de traços que ajudam a descrever a índole e o espírito desse movimento filosófico. O existencialismo introduz a experiência pessoal na reflexão filosófica. Opondo-se à tradição de que o filósofo deve manter certa distância entre ele próprio, como sujeito pensante, e o objeto que  examina, o existencialista submerge apaixonadamente no objeto que contempla, a ponto de tornar sua filosofia basicamente autobiográfica (Kierkegaard).

Os temas de reflexão do existencialista giram em torno do homem e da realidade humana (homem, liberdade, realidade individual, existência cotidiana). Heidegger, ao que parece, é o filósofo mais alheio a essa perspectiva, pois para ele o problema fundamental da filosofia é o ontológico, isto é, o problema do ser e, assim, o problema do homem fica subordinado a esse problema. Ao descrever o existente que é o homem, Heidegger observa que sua essência consiste em existir, pois esta é a determinação fundamental do que ele chama Dasein (“o estar-no-mundo”). O homem não é para os existencialistas um mero objeto. É um sujeito-no-mundo e aberto para este. Em termos sartrianos, o homem cria a si mesmo.

A liberdade é também um tema básico para os existencialistas. Mas esta não é para eles uma liberdade acadêmica, como pressuposto do ato moral, mas sim a liberdade que permite a escolha e, portanto, a realização do indivíduo. Na Europa oprimida pelo nazismo e pelas ditaduras totalitárias, o existencialismo significou a reafirmação da liberdade política e cultural do indivíduo. Historicamente milita a favor do existencialismo a dura batalha que travou contra a ditadura da razão formalizada, já antes denunciada por Max Weber.

O homem vive para morrer; cada um morre só. Para Heidegger, a morte é a última possibilidade do homem; para Sartre, o fim de todas as possibilidades; para todos os existencialistas, a suprema realidade transcendente. O ser-para-a-morte é o verdadeiro destino e objetivo da existência humana. O tempo transcorre unicamente entre o nascimento e a morte; é a experiência que o indivíduo tem de sua limitação, de sua finitude. Assim, seria uma extrapolação arbitrária representar o tempo que precede o começo da existência e continua correndo depois que esta acabou […].

E a consciência é sempre consciência de alguma coisa. O dado básico do eu é a intencionalidade da consciência. A consciência é do mundo, mas não se acha no mundo como as coisas. Se a consciência é consciência de algo, ela própria não pode ser esse algo. É inerente à consciência a negação da identidade entre consciência e algo. A consciência se aproxima do ser, pois é consciência dele, mas se reconhece ao mesmo tempo distanciada do ser.  À distância entre o ser e a consciência Sartre chama “nada”.

Na Abordagem Centrada na Pessoa, Carl  Rogers  define os conceitos fundamentais: organismo, existência, mundo, tendência atualizante; que é uma tendência natural e inata que possibilita o crescimento e o desenvolvimento de todas as potencialidades para a sobrevivência e para todas as outras atividades mais complexas do organismo.A eficácia dependerá da articulação entre as condições oferecidas pelo mundo ao indivíduo e como este as significará ( como ameaçadoras ou não).

No filme Óleo de Lorenzo vem demonstrar uma estória de coragem, determinação e dedicação. O pais de Lorenzo  recusaram a aceitar passivamente o diagnóstico que seu filho não teria tratamento, após a fala do médico decidiram a  fazer um  estudo dos mecanismos básicos celulares, em livros  de cursos de medicina. Buscavam aprender e entender como as células do nosso organismo funcionam, para isso, passavam dias e noites em bibliotecas, mergulhados em livros em uma época em que computadores pessoais e internet eram palavras desconhecidas.

Quando eles encontravam alguma informação relevante, procuravam médicos e professores dos cursos de medicina e discutiam com eles suas idéias, sempre buscando encontrar formas de tratamento para seu filho Lorenzo. As dificuldades foram muitas, desde o preconceito de médicos e professores por serem “leigos” em Bioquímica e Medicina, a impossibilidade de realização de testes em humanos  de tratamentos ainda não autorizados pelo FDA – Órgão que fiscaliza  a saúde  nos Estados Unidos  e a dificuldade de achar parceiros químicos com competência para produzir a fórmula dos óleos que eles acreditavam que poderiam curar Lorenzo.

Algumas cenas marcam o jeito de ser dos Odones, quando eles buscam a responsabilidade da leitura, a fala do pai de Lorenzo a sua mãe: “Os médicos estão nas trevas, não devemos confiar cegamente.” Sabiam que a dieta era inútil, mas não tiram Lorenzo da dieta sem consultar, sem pesquisar e comenta: ” não vamos agir sem saber o porque?

Algumas cenas marcam: quando  eles vão perdendo o contato com a criança, a fala fica comprometida, já não pode mais andar, não escuta, o sofrimento de Lorenzo, neste momento ela faz a entrega dele a Jesus fazendo seu momento de oração no hospital. Os costumes da casa mudaram, o casal tem uma  atitude ativa, vão em reuniões, congressos.

Quando vão visitar a Fundação ALD, percebem que eles estão cuidando da doença, dos fundos para a pesquisa e eles questionam: “Nossos filhos estão a serviço da ciência médica, estamos aqui para discutir métodos de como salvar nossos casamentos e nossa dor e as nossas crianças ninguém esta falando delas. Falam sempre da doença;”

Nos momentos que a família  pai, mãe e Lorenzo estão juntos, conversam, atualizam o potencial dele, fazendo perguntas, Lorenzo responde, existe ainda uma  comunicação.

Sua Mãe conta história, quando Lorenzo responde ao tratamento faz movimento com os olhos,mãe começa a observar, faz movimentos de expressão, movimenta o dedo, os olhos dizendo sim e não – interessante a fala da mãe: “Diga ao cérebro para falar com o braço mandar a mão mexer com o dedo mínimo.”  Com 14 anos de idade Lorenzo recuperou a visão. A mãe observa o seu crescimento, o menino faz seu tratamento em casa, não o levam para o hospital, não perderão o vínculo com a vida e seus acontecimentos. Eles afastavam todos que não acreditavam na capacidade de Lorenzo reagir, enfermeiros que estavam acostumados com as coisas prontas, uma fala importante da mãe: “eu quero alguém que cuide da mente, do corpo” pensou em Omouri – o amigo de Lorenzo, africano. O amigo aceita o convite supera a diferenças do país, da língua e outros, vem  cuidar do amigo, canta na sua língua  para ele. Lorenzo começa a reagir e aqui faço um questionamento, será que foi o óleo que não permitiu o óbito de Lorenzo? Será que a ciência estava com a razão? A psicologia surge com os conflitos da modernidade, essa ciência vem suscitar questões adormecidas e questões fechadas; não tem jeito, é assim mesmo.

Lorenzo passa por um processo de morte, ele perdeu muito, mas ele respira, engole, ele recebe sensações, ele tem sentimentos.Ele vive, ele transcendeu, ele encontrou uma outra forma de viver. Seus pais aceitaram esse processo,eles decidiram pela vida.

Hoje Lorenzo está com 28 anos e apesar das suas limitações consegue se comunicar pelo piscar dos olhos e movimento dos dedos. Gosta de música e ouvir historias. Os pais de Lorenzo fundaram o “Projeto Mielina”, uma fundação que tenta concentrar esforços nos estudos das doenças relacionadas à mielina.

 

 continua Parte II 

 

 

 

 

 

 

 

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