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Publicado por - 17/09/2013

O desejo de conhecer-se manifesta no homem civilizado.

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INTRODUÇÃO

Segundo o autor o assunto é vasto, mas vai explicar umas das idéias que julgamos inatas. É a ideia de pessoa, a ideia de eu. Uma visão da sua história e de seu valor atual por uma visão mais precisa. No segundo capitulo aborda o personagem e o lugar da pessoa.

 

DESENVOLVIMENTO

 Partindo simplesmente e provisoriamente da visão aristotélica. O autor descreve algumas das formas em determinadas civilizações, para encontrar a sua natureza motora e suas razões de ser assim. Desenvolvendo a noção de mana, Hubert , e  o autor não encontra apenas o fundamento arcaico da magia, como também a forma geral e provavelmente muito primitiva da noção de causa; foi assim que Hubert descreveu certas características da noção de tempo, que nosso amigo e discípulo Czarnowski  começou –  mas não terminou – sua teoria da divisão do extenso é um dos traços, de certos aspectos da noção de espaço e que Durkheim tratou da noção do todo, depois de tratado  com o autor a noção de gênero.

A psicologia  fez enormes progressos  quanto a questão do  “eu” , à personalidade consciente, e que jamais houve ser humano que não tenha tido o sentido, não apenas de seu corpo, como também sua individualidade  a um tempo espiritual e corporal.

O tema que o autor aborda é de história social. Com o tempo, através de numerosas sociedades, elaborou-se lentamente, não o sentido de eu, mas a noção, o conceito respectivo que os homens das diversas épocas criaram. O autor quer mostrar a série de formas que esse conceito revestiu na vida dos homens em sociedade, segundo seus direitos, religiões, costumes, estruturas sociais e suas mentalidades.

O personagem e o lugar da pessoa.

As cidades de Cibola  foram outrora convertidas ao cristianismo  e conservaram seus registros batismais, embora, ao mesmo tempo, praticassem seus direitos antigos e suas religiões  em estado nativo.O autor ressalta de modo evidente, que um vasto conjunto de sociedades alcançou a  noção de personagem, de papel que o indivíduo  preenche em dramas sagrados como desempenha um papel na vida familiar.Das sociedades primitivas até às nossas, a função criou a fórmula. Instituições  como a dos  recolhidos (as focas Kwakiutl), um costume como o dos arunta, que relegam entre as pessoas sem importância àquele que já não mais pode dançar – “que perdeu seu Kabara”, são inteiramente típicas.

Aborda a noção de reencarnação de espíritos  nomeados em número determinado,nos corpos de um  número  determinado  de indivíduos.

 A  “PERSONA” Latina

A noção de persona  latina; máscara, máscara trágica, máscara ritual e máscara de antepassado. Tal noção surge no início da civilização latina.

O autor comenta :”parece que a  Índia foi a mais antiga civilização a ter noção  do indivíduo,de sua consciência, do “eu”, conforme ; a ahankara, a “fabricação do eu”, é o nome da consciência individual: aham=eu (é a palavra indo-européia ego).

A respeito da China,o autor cita  seu colega e amigo Marcel Granet  o que aprendeu.  Suas obras  são admiráveis e revelam, na China antiga, a força e a grandeza de instituições comparáveis às do noroeste americano.Sua individualidade  diz-se ainda  hoje que é o seu ming, seu nome. O seu nome, o ming, é um coletivo, é algo que vem de fora: o ancestral correspondente o usou, assim como será pelo descendente do seu portador. O taoísmo e o budismo passaram sobre o assunto e a noção de pessoa não teve maior desenvolvimento.

Outras noções conheceram e adotaram idéias do mesmo gênero. Raras são as que fizeram da pessoa humana uma entidade completa, independente de qualquer outra, a não ser  de Deus.

A mais importante foi à romana. Foi em Roma, segundo pensamos que se formou tal noção.

A Persona

A o contrário dos hindus e dos chineses, os romanos, ou melhor os latinos parecem ter sido os que estabeleceram parcialmente a noção de pessoa. A pessoa é algo além de um fato de organização, mais do que uma máscara ritual: é um fato fundamental do direito. Se não forma os latinos os inventores  da palavra e das instituições, pelo menos foram eles que deram ao termo o sentido primitivo que veio a ser o nosso. Inicialmente, encontram-se entre os vestígios definidos de instituições congêneres das cerimônias  de clãs – máscaras e pinturas com as quais os atores enfeitam , conforme os nomes que apresentam.

Foram os cristãos que fizeram da pessoa moral uma entidade metafísica, após sentir-lhe a  força religiosa. Nossa noção de pessoa humana é ainda, fundamentalmente, a noção  cristã.

A noção de pessoa moral tornara-se tão clara que, desde o início da nossa era, e antes de Roma, ela se impunha,  em todo o Império, a todas as personalidades fictícias, às quais ainda damos o nome de pessoas morais; corporações, fundações pias, etc.,transformadas em pessoa.Falou-se da unidade das pessoas, da Igreja por relação com a unidade de Deus, que se resolveu após inúmeros debates. .

A noção de pessoa foi criada, o autor reflete, a partir da noção de um que a noção de pessoa foi criada, a propósito das pessoas divinas, mas ao mesmo tempo, a propósito da pessoa humana, substância e forma, corpo e alma, consciência e ação.

Cassiodoro terminou por dizer com precisão: persona – a pessoa é uma substância racional indivisível, individual. Faltava fazer dessa substância racional individual o que ela é atualmente: uma consciência e uma categoria.

A pessoa ser psicológico

A noção de pessoa, deveria sofrer ainda uma outra transformação para tornar-se no que é desde um século e meio, mais ou menos: a categoria do “eu”. A mentalidade dos nossos antepassados, até o século XVII e mesmo até  o fim do século XVIII,foi tocada pela questão de saber se a alma individual é uma substância, se é uma e indivisível, ou se é divisível e separável, se é livre fonte absoluta das ações, ou se está determinada e acorrentada por outros destinos, pro uma predestinação. O Concílio de Trento- Concílio ecumênico da Igreja Católica, realizado entre 1545 e 1563, importante por suas decisões sobre os dogmas e a legislação eclesiástica, dá fim a polêmica inúteis a respeito da criação pessoal de cada alma.

Mesmo Spinoza conservou a antiga ideia pura da imortalidade da alma. Ele não acredita na subsistência, após a morte, de outra parte da alma além da que se anima do “amor intelectual de Deus”. Ele repete Maimônides que seguia Aristóteles.Só a alma poética pode ser eterna, pois as outras duas almas, a vegetativa e a sensitiva, estão necessariamente ligadas ao corpo e a energia do corpo não penetra no vous.

Não foi entre os cartesianos, que teve solução; o problema da pessoa que é apenas consciência. Nunca se exageraria a importância dos movimentos sectários durante os séculos XVII e XVIII em torno da formação do pensamento político e filosófico. Foi neles que surgiram as questões de liberdade individual, do direito de comunicação direta com Deus, de  ser o indivíduo  o seu próprio sacerdote, de possuir um Deus interior. São as noções dos Irmãos Moravos, dos Puritanos, dos Weslyanos, dos pietistas que formam a base sobre a qual se erguerá a noção: a pessoa = ao eu; o eu = à consciência – da qual é a categoria primordial.

É só  em Kant que  ela torna forma nítida. Kant era pietista –  Pietismo, movimento protestante alemão do século XVII, surgido em oposição à teologia racionalista e ao dogmatismo que dominavam a igreja oficial alemã. Influenciou significativamente o metodismo do século XVIII., filósofo modesto mas preparado psicólogo, que encontrava o eu indivisível ao seu redor. Kant  coloca, mas não resolve a questão de se saber se o eu é uma categoria.

Quem responde finalmente que todo fato de consciência  é um fato do eu, quem fundamenta toda a ciência e toda ação a respeito do eu, é Fichte. Kant já havia feito da consciência individual, do caráter sagrado da pessoa humana, condição da razão prática. Fichte faz, a mais, da categoria  do eu, a condição da consciência e da ciência, da razão pura.

Então a partir daí, está feita a revolução das mentalidades, cada um de nós tem o seu “eu” – eco das Declarações dos Direitos, que Kant e Fichte precederam.

 

Conclusão

De uma mascarada à máscara, de um personagem a uma pessoa, a um nome, a um indivíduo, desde  ser de valor metafísico e moral, de uma consciência moral a um ser sagrado, desde a uma forma fundamental do pensamento e da ação – venceu-se o percurso.

Assim nos mostra o autor.

Muitas questões podem ser levantadas. Digamos que a antropologia social, a sociologia, a história nos ensinam a acompanhar a marcha do pensamento humano, que através do tempo,das sociedades, através dos contatos destas, de suas mudanças,por caminhos aparentemente vagos, lentamente consegue articular-se.

Trabalhemos para mostrar como devemos nós mesmos, considerar a consciência, para aperfeiçoá-la, para articulá-la, de modo melhor ainda.

O conhecimento sobre a noção de pessoa trouxe dados significativos, em especial   quando o autor fala sobre a mascara, o personagem, a pessoa, um nome e um individuo  Através desse processo o autor nos mostra  um processo.

No texto de Rousseau, Discurso sobre a origem e o fundamentos da desigualdade, a frase tão conhecida de Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”, nos convida a conhecer-se e descobrir o que é o homem, além do que ele aparenta.

Pois o desejo de conhecer-se e manifestar-se apenas  no homem civilizado. O conhecimento  do que é “ o homem natural “ é ofuscado pelos próprios progresso da civilização. E uma contribuição marcante que Rousseau fala: “Como conhecer, pois a origem e a desigualdade entre os homens, a não ser começando por conhecer o próprio homem? Se por vezes, de tanto estudar o homem que perdemos a capacidade de conhece-lo.”

 

UMA CATEGORIA DO ESPÍRITO HUMANO  A NOÇÃO DE PESSOA A NOÇÃO DO “EU”

Marcel Mauss

Texto escrito por Maria de Lourdes Batista.

 

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