Pages Menu
Categories Menu

Publicado por - 28/10/2013

ArteTerapia e Terapias Expressivas a Vivência de Arte Em Gestalt

 

images (2)

 

 

 

 

 

 

Janie Rhyne fundamenta-se nos princípios e técnicas da “Gestalt Terapia” associados ao uso de materiais artísticos e desenvolveu um procedimento de arte terapia gestáltica que promove a descoberta e exploração de sentimentos e qualidades pessoais.

Seus métodos são aplicados em trabalhos individuais e de grupo, em psicoterapia e em educação artística com pessoas de variadas idades e origens. Enfatiza a aquisição e aumento da percepção e “awareness” como um fator positivo no desenvolvimento das potencialidades humanas e senso de responsabilidade frente às escolhas feitas na vida. Utiliza-se do conceito geral da Psicologia da Gestalt  como uma teoria da percepção que inclui as inter-relações entre a forma do objeto e os processos de figura-fundo, a fluidez dos processos perceptuais e o “percebedor” como um participante ativo em todo processo e não simplesmente, um receptor passivo da qualidade da forma. Através do seu contato com  Fritz Perls o pai da Gestalt, em 1965, pode estabelecer uma compreensão à sua prática  de trabalho com base na “Gestalt Terapia”, reforçando suas crenças e aplicações da Psicologia da Gestalt.

Admite em seu trabalho os pressupostos básicos da Gestalt:

a) de viver e estar consciente do presente,

b) estar plenamente atento ao fazer

c) saber o que ser quer fazer e poder fazê-lo.

d) confiar nos dados da própria percepção; considera que estes pressupostos são plenamente aplicáveis às crianças sadias.

Durante o processo de educação e crescimento, o ser humano é ensinado a “esquecer” estes salutares dispositivos de orientação de vida e aceitar os padrões vigentes de como ser, sentir, pensar e atuar.  Apesar de todas as resistências espontâneas, gradativamente  o indivíduo perde suas capacidades inatas de fazer escolhas a partir da interioridade, desistindo de ser ele mesmo e conformando-se com o que a sociedade espera que ele seja. A vivência da arte terapia gestáltica se propõe exatamente a lidar com todos esses aspectos sufocados utilizando-se de materiais da arte, construindo imagens de diversas maneiras para permitir a redescoberta desses  objetivos de vida, necessidades e potencialidades individuais. Esse trabalho, produzido ao desenhar fantasias, é considerado e utilizado como uma mensagem do cliente e com isso, ele aprende e toma conhecimento de aspectos seus considerados: tendo “insights” e integrando seu passado no seu presente, desejo e realidade como um projeto de futuro. 

Nesta abordagem, cada vez que alguém desenha, pinta ou modela, está de fato experienciando um evento único e individual. Ao emergirem linhas, formas e cores da atividade desenvolvida, é possível observar como vai se formando pouco a pouco uma espécie de registro gráfico de algum sentimento, sensação ou recordação do autor.

Por arte, Rhyne entende a habilidade humana de fazer coisas, a criatividade do homem em transformar materiais da natureza com os mais diversos propósitos.  Para o homem é natural fazer coisas. Desde a caverna e em todas as culturas o homem passa por boa parte do seu tempo produzindo objetos, comida, abrigo, vestimentas e meio de transporte. Do substancial ao supérfluo, por diferentes motivos, o homem cria e recria.

Ela desenvolveu o uso de materiais artísticos com o objetivo de ser uma ponte entre a realidade interna e externa das pessoas com as quais trabalha, encorajando-as a criar formas artísticas próprias e a usa-las com mensagens por elas enviadas.

Rhyne aplica a Gestalt denotando a habilidade de perceber-se configurações completas. Considera a personalidade como uma totalidade de muitas partes que em conjunto formam a configuração de uma pessoa.

 A vivência de arte em Gestalt define-se no conjunto formado pelo: fazer formas artísticas, b) estar emocionalmente envolvido nas formas que estão sendo criadas como um evento pessoal, c) observar o que está sendo feito e, d) perceber através das produções realizadas não somente como a pessoa está neste momento, mas também maneiras alternativas possíveis para desenvolver-se seguindo modelos mais desejados por ela mesma.

 

CONEXÃO CRIATIVAA partir da abordagem centrada na pessoa de Carl Rogers, Natalie Rogers, filha deste autor, desenvolveu um trabalho de terapia expressiva ao qual denomina Conexão Criativa. A autora afirma que o trabalho não é brincar, não é teatro, improvisação, dança ou mímica. Não é arte terapia, não é trabalho de corpo, não é estimulação sensorial, embora seja tudo isso junto. Embora não tivessem inteira clareza estavam conscientes de estarem usando o sentido intuitivo, sensorial e sinestésico, além dos aspectos racionais e emocionais. “Como terapeuta, olho novamente para minha própria experiência, para encontrar minha relação com o universo. Descubro que, à medida que uso meu corpo em movimento com consciência, debato-me em emoções inexploradas, as quais podem então ser expressas por meio da arte, escrita, sons ou movimentos/dança. Seguir esta seqüência abriu-me as portas para meu intuitivo e criativo self(eu). Denominei isto de “The Creative Connection”. (Natalie Rogers, 1989,p4.) 

Para Natalie Rogers, Terapia Expressiva ou Terapia da Arte Expressiva define-se como as terapias não verbais: Dançaterapia, Arteterapia, Músicoterapia, terapia da escrita, poesia, drama, teatro improvisado. Com o passar do tempo adota o termo Abordagem Centrada na Pessoa para a Terapia Expressiva, com a finalidade de distinguir esta abordagem de orientação rogeriana de outras linhas terapêuticas expressivas que se utilizam um referencial psicanalítico e das diversas correntes de arte terapia.

“O Terapeuta Expressivo  combina, movimento,arte,escrita, imaginação guiada pela música, meditação, trabalho corporal, comunicação verbal e não verbal, para facilitar o autoconhecimento interior, a auto expressão, a criatividade e estados mais alterados da consciência. Este é um processo integrador que utiliza nossas habilidades intuitivas tanto quanto nossos processos de pensamento lógico lineares. Envolvemos nossa mente, corpo, emoções e espírito. A Abordagem Centrada na Pessoa desenvolvida por Carl Rogers, enfatiza o papel do facilitador com sendo empático, congruente, aberto e honesto, na medida em que ele/ela escuta em profundidade e facilita o crescimento do individuo ou do grupo.

Esta filosofia incorpora a crença de que cada individuo tem valor, dignidade e a capacidade de se auto dirigir.” (Natalie, 1986, p6)

O trabalho de Natalie é bem diferenciado dos demais terapeutas que trabalham com processos expressivos na medida em que propõe uma integração e conexão entre movimento e escrita. Isto é mais do que procurar vias alternativas de expressão,como as diversas linhas que enfatizam: a liberação de processos inconscientes, resolução de conflitos emocionais internos e questões de relacionamento interpessoais.

 

“Eu imagino uma árvore; as raízes são a filosofia centrada no cliente, tão básica para o crescimento humano; o tronco é o contexto social no qual existimos e os inúmeros galhos e flores são os moldes de criatividade e beleza que temos dentro de nós. Estamos ainda por descobrir os frutos verdadeiros.”

Segundo a autora, a conexão entre movimento e escrita promove e utilização da outra metade do hemisfério cerebral. Ao tomar consciência de seus movimentos, de sua escrita, do que é explícito e conhecido em termos de comportamento e pensamento, o ser humano pode abrir-se para sentimentos profundos, a serem expressos em cor, linha ou forma dentro de uma produção artística. Aqui, não cabe discutir a questão estética ou de “Arte”. Quando se escreve logo após o movimento e o trabalho artístico,dá-se um fluir entre processos que, em outras abordagens poder-se-ia entender como integradores entre consciente e inconsciente. Permite que as pessoas se desinibam e se utilizem dos seus próprios sentimentos para o auto conhecimento e criatividade, o que leva também a uma  sensação de integração com o Universo. Assim,ela entende a Conexão Criativa.Nos EUA, existem cursos separados de arte terapia, dançaterapia, porém a autora está interessada em empregar diversos meios terapêuticos integradamente. Tem o objetivo de utilizar e desenvolver o potencial criativo que acredita existir em cada  indivíduo, ao exercer a combinação dos princípios e técnicas do processo terapêutico centrado na pessoa e a utilização de diversas formas de expressão artística. Ressalta o valor do processo criativo, não o produto obtido, nem o aprender a produzi-lo.

“O que o terapeuta expressivo faz é ajudar as pessoas a abrir o hemisfério direito e seu cérebro, que á a parte que nos permite ser intuitivos, holísticos, emocionais e subjetivos. Acredito que se o mundo deve sobreviver e ir além desta era tecnológica, nós como indivíduos devemos ampliar o lado direito de nosso cérebro. Porque, a medida que cada um de nós encontra seu equilíbrio interno, também o mundo entrará mais harmoniosamente em equilíbrio.” (Natalie Rogers, 198,p8)  

Dentro desta perspectivas de mundo e de homem nos fala o autor que Natalie adota um estilo de condução de grupo muito participativo e livre. Orienta-se com através das propostas de experimentos com arte, som e movimento, para facilitar o contato pessoal com uma forma de escrita ou discussão e apresentação dos trabalhos em grupo, permitindo-se participar franca e ativamente com seus próprios sentimentos e ansiedades.

Natalie coloca ao redor da sala mesas com instrumentos musicais simples, materiais artísticos como: argila, pastel, tintas variadas, lápis preto para escrita e desenho, lápis de cor, lápis de cera, canetas esferográficas e hidrocor, papéis para desenho pintura e escrita, cartolina, cola, tesoura, borracha, pratos de papel para servir de suporte, argila, fitas gomadas, grampeadores,tesouras. Uma arara com roupa, fantasias (roupas em geral) bijuterias, vários itens para que possibilitem as pessoas criarem personagens e viverem suas fantasias. Importante ter: CDs, espelho, caixa de material para construção de módulos… livros, artigos para leituras e consultas. Criando assim um clima descontraído, lúdico, para as pessoas desenvolverem percepções importantes para o crescimento pessoal. Essa autora considera legítimo a maioria dos programas de treinamento em arte terapia que oferecem separadamente arte, música, movimento como trabalhos diferenciados. Ela mesma foi  treinada em todos esses módulos. Entretanto em terapia expressiva e em seu método pessoal objetiva-se integrar todos estes trabalhos dentro da orientação humanística.

 

Recursos de Artes Plásticas

Nesta abordagem centrada na pessoa, como um trabalho de psicoterapia que se vale da arte, a expressão plástica é a linguagem utilizada como forma de percepção do cliente. O terapeuta não vai interpretar o trabalho,mas conduz o cliente a ter uma relação lúdica com o material.

Busca formas espontâneas de comunicação como cita como modelo o rabiscar em um bloco de papel ao falarmos ao telefone. Ao propor um trabalho com cores, a intenção, também não é o produto mas o que é sentido e vivido durante este processo.

O arte terapeuta visa criar uma atmosfera suficientemente acolhedora onde o cliente possa experimentar uma comunicação direta com a cor, a linha,  o movimento.

“Um propósito do arte terapeuta é ajudar o indivíduo a liberar sua energia criativa… Natalie Rogers”

 

Movimento e Dança

Em terapia o gesto, o movimento reflete o estado interior do indivíduo e sua personalidade onde o corpo é o instrumento.

Natalie Rogers salienta três passos importantes,na terapia pelo movimento.

Em primeiro lugar, trata-se de dar condições para o indivíduo pode adquirir consciência do corpo junto com o movimento.

O segundo passo é pode confiar no impulso interno do corpo, o  movimento aparece e aos poucos vai virando dança.   Em terceiro lugar, fazer a conexão externa com o que está acontecendo em nível intra- psíquico:o corpo expressa o estado interior permanentemente,mas é necessário poder entender esta linguagem.    

 

O Escrever – Natalie Rogers entrou em contato com técnicas de escrita livre com Patsy Cumning. Esta desenvolve um trabalho embasado nos trabalhos de J.Brown sobre escrita livre. O recurso de escrever utilizado como forma de terapia torna-se um exercício muito simples e resume-se em escrever sem importar-se com ortografia, regras gramaticais. Apenas é pedido ao cliente registrar o que quer que passe pela mente sem censurar-se, sem mesmo censurar-se por censurar-se.

Escrever automaticamente, sem reler durante algum tempo, para não impedir o fluir e dar o devido distanciamento emocional da situação que gerou o mesmo. Este recurso tão simples ultrapassa em muito o simples registrar e tomar contato com o pensamento. Permite também acionar o hemisfério esquerdo. O indivíduo pode retirar conhecimento, escrever coisas, registrar e criar inspirando-se neste outro lado seu, sob efeito do impulso, da intuição. Segundo Natalie Rogers a escrita livre permite encontrar a sua própria maneira de pensar.

 

Dramatizações – Improvisações

Todos esses recursos terapêuticos são utilizados separados e combinados. Mais no final do programa propõe ao grupo trabalhos de improvisações, ao qual denomina de “happenins” onde o grupo como um  todo pode manifestar-se como um todo, segundo a contribuição e escolha individual.

 

“Temos estado juntos por algum tempo e compartilhado algo de nós mesmos de maneira importante. Agora nós gostaríamos de levantar vôo. Numa aventura co-criativa. Você tem vinte minutos para decidir que tipo de pessoa gostaria de ser nesta vida que criaremos juntos (algumas vezes conduz as pessoas numa fantasia dirigida para ajudá-los a descobrir alguma sub-personalidade que eles talvez gostariam de representar). Temos maquiagem ….. Use qualquer coisa que você encontrar ou criar. Depois que tiver criado o personagem que gostaria de ser todos nós deixaremos o recinto. Quando eu puser a música para tocar, entraremos no recinto como se estivéssemos chegando numa vila de uma terra estranha. Não existe uma linguagem comum. Você pode fazer qualquer som que desejar, mas as palavras, como tais,não existem.” Natalie Rogers, 1989, p.27

 

Natalie  se precavê de teorizar a respeito, contudo verifica que as pessoas escolhem situações e seus lados mais sombrios para representar. Natalie Rogers chama atenção para valores e deveres de todos nós que trabalhamos como psicoterapeutas. Estes  dizeres resumem toda ideologia, teoria e técnica desta abordagem centrada na pessoa das terapias expressivas: “Como psicólogos, psicoterapeutas e educadores com valores humanísticos temos uma responsabilidade para conosco, nossos clientes e o universo, de contribuir para a necessária mudança na conscientização que irá evitar que expludamos para fora deste planeta. Existem crenças que tem sido dominantes no nosso país pelos últimos 50 anos. Estes valores parecem se que : maior e melhor; temos que nos defender ou os outros vão nos atacar; nós temos que estar no controle; os suprimentos da terra são ilimitados; e o poder nuclear é seguro e necessário. Eu acredito exatamente o oposto. Existem momentos quando eu penso que aqueles de nós que veneram na terra, as amizades, e as soluções não violentas para os problemas, estão vivendo o mundo errado…

Quando penso a respeito de mudar o mundo, algumas vezes sinto-me sem poder. Outras vezes, penso que se eu mudar a mim mesma (a única pessoa que eu posso mudar) estarei afetando os outros de maneira mais positiva.

… Vejo o processo criativo, abertura para o lado direito do cérebro, como um caminho para estágios mais elevados de conscientização. Estou ciente de que a criatividade por si só, não é necessariamente uma coisa positiva. As pessoas podem ser criativas descobrindo novas maneiras de matar ou torturar os outros. No entanto, acredito que descobrindo o aspecto criativo de cada uma, em um ambiente orientado, onde a raiva, a dor e o lado sombrio pode ser explorado de maneira segura, irá permitir que a pessoa se abra para o espírito universal. Este espírito é positivo e amável. Quando usamos nosso lado esquerdo do cérebro, nós estamos avaliando, analisando sendo cautelosos, suspeitosos, evitando surpresas e riscos. Nós precisamos de todas estas qualidades. Nós temos usado mal nossas habilidades de ser intuitivos, imaginativos, brincalhões, nos arriscar, curiosos e conscientes da experiência total…)

 

 DANÇATERAPIA DE MARIAN CHACE: UM ESTUDO

 

A proposta de terapia pela dança, de Marian Chace, é introduzida no Brasil, em 1977, por Norberto Abreu de Silva Neto. A autora incorpora alguns elementos do desenvolvimento da criança e pratica um “approach” rogeriano com os clientes iniciando uma fundamentação teórica do seu trabalho.

Tem formação como bailarina na escola Denishawn.

A dançaterapia tem por objetivo uma expressão humana interia e completa através do movimento. Ela estaria isenta de todas as pequenas subdivisões das atitudes e intenções do homem moderno. As origens do dançar como parte integrada da vida dos homens encontra-se nos povos chamados primitivos. A autora se inspira também no pensamento de Isadora Duncan, a qual  criou métodos e conceitos sobre o movimento físico e a função do dançar e expressão do corpo, por não concordar com o modo como o “ballet” clássico.

Maria Chance começa sua vida profissional como bailarina e pouco a pouco vai interessar-se pela integração expressiva grupal muito antes de voltar-se para a dança como um recurso de terapia.

Ao dançar, o artista desempenha grupalmente idéias e concepções engendradas por diversas pessoas e individualmente idéias próprias, enquanto um solista.

 

 ANDRADE,Liomar Quinto.Terapias Expressivas.Vetor: São Paulo

Deixe uma resposta