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Publicado por - 24/10/2013

Cartilha sobre o uso indevido de álcool e outras drogas

prevenção

 

 

 

 

 

 

 

 

 “Peço a vocês que não entrem nessa ideia de droga, é um caminho escuro de tristezas e decepções.”

 

INTRODUÇÃO

O Objetivo dessa cartilha é apresentar  um alguns dados necessários para o entendimento do que é uma Comunidade Terapêutica (CT), bem como apresentar depoimentos  de usuários e  participantes do projeto de Prevenção ao uso indevido do álcool e outras drogas.

Torna-se muito importante nos tempos atuais compreender o termo Dependência química por ser o termo utilizado para pessoas que se tornaram dependentes de substâncias psicoativas. Ou seja, qualquer droga que altere o comportamento e que possa causar dependência (álcool, maconha, cocaína, crack, medicamentos para emagrecer à base de anfetaminas, calmantes indutores de dependência ou “faixa preta” etc.).  A dependência se caracteriza quando o indivíduo sente que a droga é tão necessária em sua vida quanto qualquer necessidade básica vital. Já o termo “química” se refere ao fato de que o que provoca a dependência é uma substância química. O álcool, embora a maioria das pessoas o separem das drogas ilegais, é uma droga tão ou mais poderosa em causar dependência em pessoas predispostas quanto qualquer outra droga.

 

Comunidade terapêutica estratégias e método de tratamento

A demanda crescente de atendimento a pessoas vivendo com problemas relacionados ao uso abusivo e dependência de substâncias psicoativas, é associada a uma lacuna no atendimento público de saúde direcionado a essa clientela.

No Brasil, o movimento de proliferação das CTs, foi basicamente de orientação religiosa. Em sua grande maioria, as CTs trabalhavam orientadas pelo “tripé” Oração, Trabalho e Disciplina sem a utilização de procedimentos médicos, psicológicos ou outras técnicas que ajudassem a promover um aporte técnico científico aos atendimentos. Nas duas últimas décadas, esse movimento vem se fortalecendo, particularmente a partir da fundação da Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas (FEBRACT) e da Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas Evangélicas (FETEB).

O ano de 1998 representou um significativo marco político com a realização do I Fórum Nacional Antidrogas na cidade de Brasília. Resultou desse encontro o estabelecimento de diretrizes para o funcionamento das Comunidades Terapêuticas, culminando com a publicação de uma normatização – RDC-101/2001 – pela ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Conforme De Leon (2003), entre as décadas de 60 e 70 do século passado, as Comunidades Terapêuticas tiveram uma rápida expansão, fruto das contribuições deixadas pelos seus predecessores. As práticas que originaram esse movimento incluíam a ética do trabalho, o cuidado mútuo, a orientação partilhada, a espiritualidade, o autoexame, os valores morais, o trabalho conjunto, a reparação de danos e o reconhecimento dos defeitos de caráter.

Conforme verificaremos, esses preceitos continuam a orientar as práticas das CTs em várias localidades do mundo e também no Brasil. Para De Leon (2003), a CT apresenta-se como uma modalidade que consiste em si mesma no “método” de tratamento com a relação de mútua ajuda feita pelos pares. Define CT como uma abordagem de autoajuda fora das correntes psiquiátricas, psicológicas e médicas. Dentre outras características, cita sua grande flexibilidade, o enfoque na pessoa como um todo, a ênfase à pessoa e não à droga, o fato de ser um processo a longo prazo que deve resultar em mudanças nas pessoas e no estilo de vida, o reconhecimento de que os companheiros são os principais agentes de mudança, a manutenção das características de uma família ajustada e a não-aceitação às drogas, ao contato sexual e à violência física, principalmente dentro do espaço de tratamento.

As contribuições De Leon, psiquiatra e professor da Universidade de Nova York, têm sido muito presentes nas CTs de Minas Gerais. Sua vinda ao Brasil no ano de 2008 representou um avanço na tentativa de formalização das práticas que vêm sendo desenvolvidas nessas entidades. Conforme ressaltado por Pereira (2009), os critérios para que uma instituição seja definida como Comunidade Terapêutica está passando por uma reformulação a partir dos debates e fóruns realizados pelas entidades afins.

O tratamento em CTs vem passando por significativas reformulações em que se acrescentam à Disciplina, Trabalho e Espiritualidade atividades didático-científicas para aumento de conscientização, estimulação do crescimento interior e atividades lúdicas terapêuticas. As atividades diárias propostas dentro de uma CT, bem como as atividades terapêuticas, dão possibilidade ao sujeito de trabalhar as suas dificuldades emocionais, tanto as emergentes como as recorrentes, alargando parâmetros de percepção e compreensão deteriorados (com os quais chegam), problemas esses relacionados a limites, sentimentos e relacionamentos interpessoais. Um rico processo se deu e ainda vem se dando com a absorção de novos conceitos e novas práticas, cujo interesse maior é promover um alargamento das perspectivas de atendimento ao usuário de álcool e outras drogas e seus familiares.

Texto adaptado : Profa. Eloisa Lima –  Curso de Pós em Dependência Química pela UFSJ. Ano 2010.

 

Depoimento 01.    

Carrego comigo um Deus de maravilhas.

Hoje consigo falar melhor sobre meu passado, pois, foi uma época que trouxe muitas tristezas a mim, a minha família e o meu próximo. Sempre fui uma pessoa trabalhadora, mas iludido com o dinheiro e as drogas.

Comecei a fazer uso de drogas muito cedo, aos doze anos. Aos quinze anos já traficava, já viajava para várias cidades, inclusive para o Paraguai em busca de dinheiro e drogas. Com dezoito anos já havia cometido vários crimes como: homicídio, assaltos, roubos, seqüestros, enfim, carregava nas costas o verdadeiro código penal.

Tudo isto me custou oito anos e dez dias de prisão em regime fechado. Passei pelas piores prisões, isto com varias fugas e tentativas frustradas que me custavam vários dias em celas escuras, sem roupas, banho gelados de madrugada, e muitas “surras”.

Depois de tudo isso sai em liberdade condicional, achei que estava livre, mas não, continuava preso ao dinheiro. Sai da prisão, mais “malandro” do que antes, com mais conhecimentos sobre criminalidade. Assim, voltei ao tráfico pensando que deveria recuperar todo tempo perdido dentro da cadeia. E o tempo foi passando, adquiri casa, moto, carros, várias viagens, enfim, tudo que eu queria. Mas, sentia que faltava algo e não sabia o que era. Assim voltei a usar drogas, especificamente o crack.

E meu consumo era muito alto, pois eu mesmo traficava então meu acesso era muito fácil. Passava dias acordado usando. Às vezes pensava que precisava parar, que minha vida estava acabando e que me faltava alguma coisa.  O tempo foi passando e eu não conseguia parar.

Num domingo cheguei a minha casa após o serviço e comecei a usar o crack. Minha esposa já desesperada começou a brigar comigo. Sai andando pelas ruas de B.H ela atrás de mim, falando várias coisas inclusive gritou; que eu era traficante e ladrão.

Nesse momento entrei em total desespero e sai correndo sem rumo. Andei aproximadamente noventa km; de Belo horizonte a Itaúna a pé, pela rodovia. Eu tinha no bolso cerca de setecentos reais e uma grade quantia de crack.

Cheguei a Itaúna e continuei usando, mas tive a péssima notícia que minha mãe estava com câncer, o que piorou ainda mais minha situação, porque comecei a usar droga o tempo todo. Até que meu sobrinho me sugeriu a internação e nessa hora uma luz divina brilhou e eu aceitei, desde que fosse longe de tudo e de todos.

Então depois de muitas tentativas, conseguimos uma vaga  em santo Antônio do Monte, nesta Comunidade que considero um Santuário de Deus. Mas minha estadia aqui foi um tanto quanto conturbada, durante esse período tive duas perdas. Perdi um irmão de infarto aos quarenta e oito anos e também perdi minha mãe com câncer. Sinceramente não sei de onde tirei tanta força para suportar essa dor que me afligiu profundamente. Mas Deus com sua bondade me deu força e eu consegui concluir o tratamento. E agora estou fazendo um estágio aqui na Comunidade Terapêutica São Francisco de Assis para trabalhar como coordenador de Deus.

Pensar que as mãos que mataram, roubaram, destruíram, agora ajudam aqueles que também tiveram suas vidas destruídas como a minha. Deus é fonte de água viva!

 

Depoimento 02.    

Falar no passado, muitas vezes nos traz arrependimentos, aquilo que fizemos ou deixamos de fazer. A vida nos traz muitas coisas boas, mas não sabemos aproveitá-la , talvez aquela chance de ser uma pessoa digna, mas ambição e maior de que a vontade. Deus nos criou para sermos digno de nos mesmos, não para nos destruir, nossa   corpo foi gerado para ser bem cuidado. Mas veio aquela vontade de experimentar uma coisa que não tinha vontade de experimentar talvez os companheiro mim  ajudassem . O álcool aparte deste momento que era só ilusão foi só decepção , começando pela minha família meu pai e pessoas que gostavam de min , perdi minha mãe cedo, passando a morar com parentes. O álcool  tomou conta de mim, não conseguia ou talvez não tinha vontade pelo menos tentar  parar de usá-lo. Foi a partir do primeiro gole, minha vida só tinha decepção em todos os sentimentos, normalmente, materialmente e principalmente não pedir ajuda. Queria que fosse do meu jeito, não admitia.

Quando fui morar em BH, continuava mesma coisa, trabalha e olha lá, cachaça e não ligava para meu futuro. Foi quando um belo dia deus colocou uma pessoa maravilhosa para nos conhecermos,talvez uma oportunidade para eu para de beber. Essa pessoa um belo dia casamos, ela não tinha vícios e os meu continuava aos traços, tivemos um filha linda, mas eu sempre achava que para ser homem tinha que beber, não aceitava opinião de sogro e sogra, bossa filha começou gatinha andar e falar , foi para escolinha. Passou um tempo. Ela veio falar comigo, papai pare de beber minhas colegas de escola falam que você vai as reuniões só bêbado. Um dia minha esposa que atualmente  somos separados chegou a min e disse, temos um filha maravilhosa e você um futuro brilhante pela frente. Você escolhe, eu e nossa filha ou a cachaça, não esperei ele fala duas vez, escolhi a bebida, separamos, a partir deste momento minha vida foi só amarguras. Foi quando um dia minha Irmã foi BH min buscar para voltar a Samonte neste meio tempo meu pai veio a falecer. Foi quando um dia estava eu num Bar “grande novidade” sai para fora do bar e pedi a Deus para mim ajudar, quando olho para outro lado da rua já estava minha irmã chamando para eu ir internar na fazendinha, Comunidade Terapeuta São Francisco de Assis, fui para casa naquela noite, olhei para  o céu e disse, meu Deus esta é uma grande oportunidade de minha vida. Fui para a comunidade. Lá recebi toda ajuda possível para mim libertar do álcool, ajuda que até então nunca tinha aceitado. Aprendi o que é ouvir as pessoas falar de verdade, é bom ficar sóbrio, família, união, respeito, e principalmente que Deus existe e  passei a gostar de mim mesmo.

Finalmente resolvi aceitar ajuda, admitir que era alcoólatra. Através das orações que sempre fazíamos na comunidade, com ajuda dos coordenadores do qual são muito bem preparados e com muita força de vontade de vencer, convencer a mim mesmo que podia  confiar  em Deus  daí eu consigo. Eu consegui vencer minha primeira missão na comunidade, graduei, mas logo em seguida  mim veio uma frase antiga, que hoje sou contrário a ela,essa frase quando ouvia umas palavras das pessoas eu nem ligava, era um velho ditado palavras são palavras, palavras o vento leva.

Hoje graças a Deus sei ouvir e guardar para aperfeiçoar mais, agora falar no presente e tão mais gratificante que muitas vezes é só agradecimento a Deus por esta vida tão maravilhosa que é a sobriedade. Assim, pude encontrar mais sabedoria, paz de espírito, dignidade, respeito e principalmente nasci de novo. Minha filha hoje fala com suas colegas; “meu papai não bebi”, hoje, não sei quantas vezes que ela diz: “Papai eu te amo”,foi a primeira palavra que falei para ele quando pequena.

Hoje eu e minha filha e sua mãe combinamos muitas graças a Deus, mas esta ajuda devo muito a COMUNIDADE TERAPEUTA SÃO FRANCISCO DE ASSIS, sem esta ajuda não sei, talvez nem mais poderia escrever este depoimento.Porque felicidade existe, temos que acreditar que podemos modificar nos mesmo, para depois ajudar o próximo.

 

Depoimento 03    

 

Decidi pedir ajuda aos meus pais.

 

Meu nome é T. tenho vinte e um anos, sou de São Paulo e atualmente moro em N.S. Tive um envolvimento com drogas aos dezesseis anos por curiosidade,  más companhias e por levar uma vida “sem futuro”. Comecei com um simples cigarro, depois passei para maconha, pensando estar na moda, que eu era “o cara”, quando na verdade estava me matando e a minha família. Comecei a beber muito e gostava de tudo isso, a sensação no inicio é boa. Mas depois a maconha perdeu a graça e passei para a cocaína e fui alimentando essa infelicidade em minha vida.  Comecei a perder dias de trabalho porque o uso da droga se tornou diário e incontrolável.

A maconha, a cocaína e o álcool já não bastavam, foi ai que “ingressei” no crack e comecei a acabar com minha vida. Eu não tinha dinheiro para sustentar esse vicio que só me trouxe desgraça e destruição de todos os tipos. Eu estava matando de desgosto minha família que tanto me ama.

Morei junto com uma boa pessoa que me amava por dois anos e meio, mas nem mesmo o amor dela me suportou. Tornei-me uma pessoa insuportável, comecei a roubar coisas de dentro de casa, vendia minhas roupas, enfim, virei um mostro fisicamente e espiritualmente. Voltei a morar na casa dos meus pais, mas eles não podiam ficar comigo com esse vício, e eu também não conseguia parar sozinho. Com tudo isso meus pais me colocaram para fora de casa três vezes. Nessa época eu estava roubando muito e iria acabar sendo preso ou morto pelos traficantes. Decidi pedir ajuda aos meus pais, que me internaram na Comunidade Terapêutica São Francisco de Assis. Fiz mim passar do tempo conheci um tal  Jesus que eles tanto falam, que dominou e mudou minha vida e renovou tudo.  Faltam duas semanas para completar meus nove meses de caminhada, e eu não troco minha vida hoje por droga nenhuma, minha família está muito feliz e eu estou bem por dentro e por fora.

Agradeço a Deus por tudo de bom que tem feito por mim.

Peço a vocês que não entrem nessa ideia de droga, é um caminho escuro de tristezas e decepções.

Busque conhecer Jesus pelo Amor, não pela dor que é mais complicado.

 

Depoimento 04.    

O vício do crack é devastador.

 

Eu contava com apenas quatorze anos quando Deus achou por bem chamar meu pai. Muitas coisas, muitas lições de vida foram ensinadas a mim pelo meu pai. Posso dizer que depois dessa fatídica data, realmente comecei a conhecer o mundo pelo caminho mais difícil, aquele caminho que tem como destino o abismo sem fundo.

Minha mãe tentou me alertar quanto à crueldade da escola do mundo que usa como método principal de ensino: a dor física e moral, sempre decepcionando!

Naquela época infelizmente não soube dar ouvidos ao que minha mãe queria me ensinar, preferi percorrer o caminho árduo da dor, esbanjando tudo o que de “bom” a vida me oferecia.

Porém, fazia isso cego pelas ilusões do mundo, dando valor às vaidades da vida, às coisas efêmeras e destrutivas. Já estava com quinze anos quando consegui um trabalho excelente, no qual fiquei por dois anos; entretanto, era ingrato e não tive condições de retribuir esta dádiva de Deus (meu emprego).

E assim, deixei o mundo subversivo me levar por um trajeto perigoso que para mim era certo, satisfatório, muito prazeroso. Mas que também foi o decreto da minha ruína: foi quando conheci o crack, apresentado a mim por um “amigo”.

Ao conhecer essa droga me perdi totalmente, sendo arrastado para um pesadelo real que parecia que não teria mais fim. Essa é a fase “macrabra” de minha vida.

Por certo tempo consegui perceber o meu grande erro e dar um tempo naquilo que já sabia que já estava se tornando um vício impiedoso. Ainda, enquanto eu estava nesse emprego tinha um certo senso de responsabilidade, comprava minhas coisas, pagava minhas contas em dia e honrava meus compromissos. Mas novamente a vida me pregou outra peça, colocou em meu destino uma garota (também usuária de drogas), que de certa forma me impulsionou para retornar àquela antiga vida nas drogas com toda força.Esse namoro que muito me fez mal, por ser a causa de varias situações embaraçosas, na realidade foi prejudicial para ambos. Tanto ela, quanto nós nos aprofundamos no vício das drogas. Nossa separação foi traumática, e enveredei-me ainda mais nos tóxicos. Fui inclusive para a cadeia porque estive envolvido no narcotráfico.   No entanto, o vício do crack é devastador. Destrói o usuário e junto destrói também a família; é um verdadeiro “efeito dominó”.  Estava no submundo, já não me importava mais nem com minha higiene pessoal. Só queria me drogar e fazia o possível e até mesmo o “impossível” para conseguir a droga. Como sempre quem sofre é a família. Posso dizer que quase matei minha mãe de desgosto por ver o filho que ela tanto ama naquela vida que mais parecia à morte.

Eu sofria e não sabia. Todavia, Deus é Misericordioso e ouviu as preces de minha mãe e também as minhas. Graças ao Nosso Pai Eterno, minha família nunca deixou de me amar e sempre confiou que um dia Deus faria sua obra em mim. Apesar de ter uma vida louca, nunca deixei de acreditar em Deus, porém não O procurava como deveria.  Quando resolvi procurá-Lo, foi Ele quem me encontrou, ou melhor, já havia me encontrado desde o início e sempre perto de mim, nunca me abandonou era só olhar para o lado que Ele sempre esteve ali, mas as drogas não permitiam nossa aproximação.

Deus, em sua infinita bondade me fez enxergar que Ele é o único remédio para minha doença. Foi quando através de pessoas bondosas conheci a Comunidade Terapêutica São Francisco de Assis na qual estou residindo e aprendendo a cada dia sobre Deus e sobre a vida.

É aqui nesta Comunidade que estou encontrando ou talvez, reencontrando o meu lado espiritual por meio das orações, individuais e coletivas. Aqui sinto que estou crescendo espiritualmente, sinto Deus mais presente em minha vida.

Posso concluir que o conhecimento que tive através das drogas foi uma verdadeira desgraça em minha vida. E só posso aconselhar a quem está nessa vida ou que pensa em entrar um dia, que procure Deus, a única solução para todos os problemas.

E se já estiver “atolado”, sem forças para lutar, procure ajuda.

Hoje estou bem, louvo a Deus todos os dias, tenho uma namorada que me ama muito e eu também a amo muito. Breve serei papai e poderei dar um exemplo de vida digno ao meu filho.

 

Depoimento 05.  

Passei por muitas dificuldades, mas Deus nunca deixou de estar ao meu lado. Minha mãe biológica me teve aos doze anos de idade, era de uma família muito humilde e sistemática, fui abandonado pelo meu pai. Minha mãe não teve condições de me criar. Sendo assim, ela me entregou para uma senhora, M.R, uma pessoa maravilhosa, um anjo de Deus em nossas vidas. Tudo isso aconteceu quando eu tinha apenas seis meses de vida. Sei que minha mãe não queria, mas foi a vontade de Deus.

Fui crescendo no seio de uma família lutadora, apesar de todas as dificuldades da vida, mas que sempre tiveram muito carinho, amor e respeito por mim. Minha mãe me criou no caminho de Deus, da verdade, simplicidade, respeito e humildade. Na infância eu não sabia que era filho adotivo, porque minha mãe adotiva não deixava que falassem a verdade. Não por maldade, mas para me preservar, pois tinham medo de me perder ou da minha reação.   Eu não sabia, mas tinha três irmãos que eu não conhecia, aos quinze anos de idade eu fiquei sabendo de toda essa historia.

Comecei a trabalhar e nessa mesma época me envolvi com pessoas que diziam serem meus amigos, mas, na verdade não eram. Assim, conheci a cerveja e comecei a beber muito cedo, com apenas dezessete anos. Dois anos mais tarde a bebida já não me satisfazia, então, comecei com as drogas. Iniciei fumando maconha com os “amigos”, depois já não bastava para mim, então, fui me envolvendo cada vez mais no mundo das drogas pesadas.

Fiz muitas coisas erradas, cheguei a pensar em suicídio de tanta depressão. Vi muitas mortes de amigos e inimigos. Perdi meus amigos de infância para a guerra do tráfico de drogas.

Fui “obrigado” o sair de BH me mudar para SGP, onde mora minha família biológica. Foi bastante difícil ter que deixar o lugar onde cresci, mas já era hora de partir, pois, sabia que se continuasse ali não viveria por muito tempo.

Passei por muitas dificuldades, mas Deus nunca deixou de estar ao meu lado. Conheci uma pessoa especial que iria mudar para sempre minha vida. Já conhecia há vários anos atrás, mas só em SGP que decidimos ficar juntos. Não foi fácil passar pelas diversas e difíceis fases do relacionamento, mas estamos juntos até hoje e desse relacionamento temos um presente de Deus, nossa filha Ana Clara. A razão de nossas vidas.

O tempo foi passando e lá estavam as drogas outra vez em minha vida. Dessa vez mais poderosa, pois estava usando a pior de todas – o crack. Já estava perdendo minha família, minha dignidade, respeito e principalmente, meu amor próprio. Foram dois anos de luta em vão, pois a cada dia eu estava mais viciado.

Já não estava agüentando mais, então Jesus colocou outro anjo em meu caminho, um amigo de serviço que já havia passado por um tratamento terapêutico e estava ali, pronto para me ajudar. Através dele conheci a Comunidade Terapêutica São Francisco de Assis, me internei e estou muito bem. Graças a Deus vou seguir minha caminhada até o fim com muita fé em Deus.

Peço a Deus todos os dias sabedoria, discernimento, humildade e que aumente minha fé. Hoje minha vida mudou completamente, só bênção em minha vida e da minha família. Agradeço a Deus por tudo que realizaou em minha vida.

Obrigado meu Deus por me libertar do mal.

 

Depoimento 06.    

A Caminhada

 Sei que na minha caminhada há um destino e uma direção, por isso devo medir meus passos, prestar atenção no que faço e no que fazem os que por mim também passam ou pelo os quais passo eu.

Que eu não me iluda com o animo e vigor dos primeiros trechos, por que chegará o dia em que os meus pés não terão tanta força e se ferirão no caminho e cansarão mais cedo. Todavia quando o cansaço vier, que eu não desespere e acredite que ainda terei força para continuar, principalmente quando houver alguém que me auxilie.

É oportuno que em meus sorrisos, eu me relembre que existem os que choram que assim meu sorriso não ofenda a mágoa dos que sofrem.

Por outro lado, quando chegar minha vez de chorar, que eu não me deixe dominar pela desesperança, mas que eu entenda o sentido e o sofrimento que me nivela, me iguala e torna todos os homens iguais.

Quando eu tiver tudo, coragem, animo no coração, bota nos pés, chapéu na cabeça e assim não temer o vento, o frio, a chuva e o tempo, que eu não me considere melhor do que aqueles que ficaram para trás, porque pode vir o dia em que nada mais terei para minha jornada e aqueles que ultrapassei na caminhada me alcançarão e poderão fazer como eu fiz e nada da fato fazer por mim, que ficarem no caminho sem concluí-lo.

Quando o dia brilhar, que eu tenha vontade de ver a noite em que a caminhada será mais fácil, mais amena; quando for noite, porém e a escuridão tornar mais difícil a chegada, que eu saiba esperar o dia como aurora, o calor como benção.

Que eu perceba que a caminhada sozinho pode ser mais rápida, mas muito mais vazia.

Quando eu tiver sede, que encontre a fonte no caminho.

Quando eu me perder, que eu ache à indicação, a seta, a direção.

Que eu não siga os que desviam, e que ninguém se desvie seguindo meus passos.

Que a pressa de chegar não me afaste da alegria de ver as flores simples que estão à beira da estrada.

Que eu não perturbe a caminhada de ninguém.

Que eu entenda que seguir faz bem, mas que às vezes é preciso ter a bravura de voltar a trás e recomeçar e tomar outra direção.

Que eu não caminhe sem rumo.

Que eu não me perca nas encruzilhadas.

Que eu não tema os que me assaltam, os que me ameaçam, mas que eu vá onde devo ir e se eu cair no meio do caminho, que fique a lembrança de minha queda para impedir que outros caiam no mesmo abismo.

Que eu chegue sim, mas ainda mais importante, que eu faça chegar quem me perguntar, quem me pedir conselho, e acima de tudo, quem me seguir confiando em mim.  Amém!

 Depoimento 07

Drogas – Projetos sobre a prevenção

 

Para mim como professora foi muito rico, pois ao longo da capacitação foi sendo mostrado não às drogas e sim a prevenção. Foi possível perceber que o melhor, para a pessoa é ser um cidadão atuante na sociedade em que ele vive.

Com a capacitação, percebi que a prevenção é para o público que não usou a droga, que a intervenção é para o público que experimentou, e quem fez o uso indevido, necessita de tratamento ou um acolhimento.

Mostrou que o tema é extenso e seu conteúdo é rico. As informações são necessárias para nós como docentes, mostra que o aprendizado foi valioso, com certeza trará bom aproveito para o nosso cotidiano, como pessoas e formadoras de cidadãos.

Como profissional ajudará a ter bons frutos naquilo que propomos fazer e fazer com amor. A prevenção feita no PETI, é através de projetos, diálogos, informações que ajudarão  na formação de cada participante que está no programa e com certeza terão um futuro diferente.

Ângela Lacerda – PETI -2010

Organização da Cartilha: Maria de Lourdes Batista

 

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