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Publicado por - 18/10/2013

“De erro em erro acaba-se descobrindo a verdade”.

lua

O Filme “Freud além da alma”, é um drama, tem como diretor, John Huston filmado em  1962, nos  EUA. O diretor pretende mostrar como as teorias freudianas esboçam a própria vida de um dos maiores gênios da humanidade.

Freud descreve o narcisismo universal dos homens, seu amor próprio e os três severos golpes por partes das pesquisas científicas: golpe cosmológico, golpe biológico e golpe psicológico. Podemos ver os acontecimentos  na história  antes e depois de Freud.

Embora seus estudos encontrassem a resistência da ala conservadora da Medicina, que viam nas teorias de Freud uma ameaça à primazia do ser humano.

Freud prosseguiu em sua linha de pensamento e descobriu que o ser humano é dividido entre o Consciente e o Inconsciente, lançando as bases da Psicanálise.

Afirmando que as ações e os desejos humanos não são frutos da vontade e da vaidade humana, mas sim do nosso Inconsciente, Sigmund Freud abalou o mundo científico e criou uma nova maneira de entender a psiquê humana.

O presente trabalho pretende explicar e correlacionar os seguintes itens: loucura,histeria, psicanálise,hipnose, associação livre, sexualidade e cultura tendo como referência  os textos trabalhados na primeira unidade.

 

No século XVI vimos como um século de incertezas e confusão por causa da derrubada das grandes verdades que haviam sido estabelecidas por mais de dois milênios.  No século XVII foi que realizou a partilha entre a razão e a desrazão; o momento de emergências da loucura, isto é, o momento em que a razão produziu a loucura.

A loucura não existia, o que existia era a diferença e o lugar da diferença, falar do louco ocupando o mesmo espaço com o alcoólatra, o vagabundo, o delinqüente e outros. Antes do século XVII não havia o louco como entidade diferenciada, mas a consciência da diferença.

O médico austríaco, Franz Anton Mesmer, ao tratar pacientes neuróticos, além de empregar a técnica da hipnose, a qual ele originou e que veio posteriormente a ser aceita como uma técnica terapêutica, também se utilizavam de ímãs, pois acreditava que uma força oculta fluía do hipnotizador para o paciente.

Freud criou o termo psicanálise em 1896, depois de um largo esforço para elaborar as suas idéias sobre as causas das neuroses e outros distúrbios mentais, ansioso em obter respostas  para aplacar o sofrimento de seus pacientes.

Na viagem de Freud a Paris, onde foi estudar durante algumas semanas na Salpetrière, sob o comando de Jean-Martin Charcot, que era o maior estudioso da histeria na época, foi determinante para a descoberta da psicanálise.

Em uma das cenas do filme ao regressar a Viena, Freud uniu-se ao clínico geral Breuer, também um apreciador da hipnose e compartilharam pacientes e teorias. Quando Breuer pede a ajuda de Freud no tratamento da paciente “Cecily”, uma histérica que melhorava temporariamente quando era hipnotizada, mal sabia o clínico vienense que ele estaria auxiliando o seu colega a descobrir um dos conceitos mais importantes da psicanálise, a associação livre de idéias. Freud se apercebeu que para se alcançar o inconsciente não era mais obrigatório que o paciente fosse hipnotizado.

Em uma de suas palestras, na Sociedade Médica de Viena, mostrou que, através de conhecimentos anteriores, e de seus aprendizados com Charcot em Paris, havia pensamentos de níveis inconscientes, que havia traumas vindos de fatos ocorridos na infância, e que era preciso ainda descobrir seus elos.

Joseph Breuer, médico vienense, também adotava o procedimento da hipnose, não apenas para suprimir sintomas, mas também para descobrir as causas profundas do sofrimento de seus pacientes. Ele percebeu, durante o tratamento do caso da jovem “Anna O.”, que os resultados tinham um alcance muito maior, ao lhe permitir contar seus pensamentos e sentimentos. Através da hipnose, os pensamentos e as lembranças ligadas aos sintomas chegavam eventualmente à consciência.

Quando Breuer e Freud publicaram suas descobertas e teorias em Estudos sobre a Histeria. consideravam que os sintomas histéricos ocorriam quando um processo mental caracterizado por intensa carga de afeto ficava bloqueado, impossibilitado de expressão, através da via normal da consciência e dos movimentos. Esse afeto ‘estrangulado’ percorria vias inadequadas e derramava-se sobre a inervação somática (conversão).

Freud aprimorou os métodos de Breuer, baseado numa crescente compreensão clínica das neuroses. Ele percebeu que o êxito do tratamento dependia da relação paciente x médico, cabendo a este tornar consciente o inconsciente. Desenvolveu-se uma relação inteiramente nova entre paciente e médico, a partir de uma mudança na técnica, e os surpreendentes resultados, assim obtidos, estenderam-se a muitas outras formas de neurose.

Em 1896, Freud denominou esse procedimento de Psicanálise – a arte da interpretação. Freud insistia para seu paciente lhe dizer tudo que lhe ocorresse à mente (associação livre), a despeito de quão irrelevante ou potencialmente embaraçosa a idéia pudesse lhe parecer.

Freud notou que, na maioria dos seus pacientes, o material reprimido estava relacionado às idéias perturbadoras referentes à sexualidade. Em 1897, percebeu que, ao invés de serem lembranças de acontecimentos reais, esses eventos eram resíduos de impulsos e desejos infantis (fantasias). E concluiu, portanto, que a ansiedade era conseqüência da libido reprimida, a qual encontrava expressão em vários sintomas.

Freud fez a ligação entre as fantasias e sentimentos do analisando pelo analista e a origem desses pensamentos e emoções nas experiências da infância do paciente – interpretação. A sessões analíticas calcadas na livre associação tornou-se uma regra indispensável e unida à interpretação dos sonhos serviu de ferramenta para que Freud lançasse os princípios centrais da psicanálise. A descoberta do inconsciente e de sua importância psíquica constituiu o fundamento da psicanálise.

É relevante no filme a cena, quando o pai de Freud falece, ele não consegue entrar no cemitério, desmaia, tem um sonho e fala para Breuer que os sonhos têm sentido para aqueles que sonham. Então, descobre que havia algum erro de seu pai escondido nas profundezas da sua mente que ele não conseguia alcançar. Pensa em alguma ligação, tenta desvendar o que estava encoberto com relação a seu pai,e vem a sua mente que as neuroses podem surgir desde a infância.

Conforme relata o filme, Freud continua tratando da paciente “Cecily”, que fora antes de Breuer. Abolindo o método hipnótico, Freud a leva a muitas lembranças através da livre associação, em estado plenamente consciente. Em meio a fantasias, que eram a verdade do paciente, criando situações que pareciam reais, por exemplo, quando disse ter sido molestada pelo pai na sua infância, Freud procurava buscar em que ponto da infância daquela jovem o trauma ocorreu. Uma fantasia transportada para a fase adulta, que não sendo trabalhada, tornou-se um recalque.

Em outra sessão, Freud pontua os problemas da jovem. O porque de amar o pai e odiar a mãe. Da repressão de seus desejos, da fase em que o ser humano começa a distinguir o que é certo e errado. Cada vez mais, Freud via um recalque na infância, novamente, um problema de repressão sexual vindo da tenra idade da paciente.

A criança, até aquele momento era pura, sem perversão.

Ele, volta a pensar em sua infância. O que causou o surto em frente ao cemitério?

No sonho que vê a figura da sua mãe que o deixou sozinho para ir dormir com seu pai, sentiu ciúmes, queria a mãe ali. Veio a culpa por achar que desonrou seu pai.

Freud  conclui que a criança também tem seus instintos sexuais desde quando nasce, suprindo suas necessidades alimentares com o leite materno e satisfação de sua sexualidade em sugar o seio da “mãe”. Sua mãe ou quem cumpre essa função, é seu primeiro objeto de desejo.

Na sua palestra no Conselho de Neurologia e Psiquiatria de Viena, Freud começa frisando como na Idade da Inocência a criança não tem consciência sexual,porém começa falar sobre a fase oral onde faz da boca a zona de prazer, que o desejo pelos seios da mãe, passa a ser pelo seu corpo inteiro, pois a mãe também o acaricia durante o banho. Fala que  a criança tem um desejo, a mãe, e tem um concorrente, o pai. Cita Édipo que matou o pai para se casar com a mãe.

Freud explica aos médicos que o amor da filha pelo pai é o máximo em erotismo infantil, que cada ser humano tem esse desafio, de se confrontar com o seu complexo e de supera-lo. Se conseguir superar se torna um ser humano completo, se não se tornará um neurótico, fadado a vagar pela vida inteira, cego e sem um lar.

Breuer defendeu o amigo, dizendo que Freud é um dos melhores, no meio médico para esses assuntos, mas que jamais poderia concordar com a teoria da “Sexualidade Infantil”.

Na cena final Freud caminha lentamente, consegue ultrapassar o muro do cemitério, chegando até a lápide de seu pai. Momento fantástico, na sua historia de vida, e na vida de todo ser humano.

Acredita-se que este caminho é bastante novo, as pessoas deveriam aprender a ser elas mesmas, ou seja, que elas deveriam parar de depositar nas outras pessoas a esperança da felicidade. Percebe-se que a psicanálise depende do aprofundamento da dimensão do inconsciente, o reconhecimento do sujeito como sujeito de desejo e portanto “inconsciente de si.”.

 

Bibliografia

FREUD, Sigmund. Uma dificuldade no caminho da psicanálise (1917). In: FREUD, S. Edição Standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud.  Vol XVII, História de uma neurose infantil e outros trabalhos. 2ª edição, Rio de Janeiro: Imago, 1988, p. 147–153.

Freud Além da Alma. Gênero: Drama Duração: 140 minutos Ano/Local: 1962 / EUA Direção: John Huston. Elenco: Montgomery Clift, Susannah York e Larry Parks. DVD.

GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Freud e o Inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1995. (Capítulo 1: A pré-história da psicanálise, p. 25 – 41).

SANTOS, Tânia Coelho dos. O movimento psicanalítico e a difusão da psicanálise no Brasil. Revista do Tempo Psicanalítico. Rio de Janeiro, no. 29, p. 171 – 189.

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