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Publicado por - 9/10/2013

Demência de Alzheimer e a Família

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Reflexão sobre o  Filme “Longe dela”.

O envelhecimento não é em si uma doença, mas implica uma crescente vulnerabilidade, motivada por causas genéticas, causas ambientais ou estilo de vida do indivíduo. O agravamento de doenças que tiveram início em fases anteriores da vida ou daquelas que são típicas da velhice caracteriza o envelhecimento patológico, que pode se manifestar de diversas formas e com diferentes graus de severidade. Os avanços da medicina, da farmacologia e da ergonomia permitem, hoje, o tratamento de várias doenças dos idosos, mas ainda não existe a possibilidadede reverter doenças neurológicas típicas da velhice, entre as quais se inclui a demência de Alzheimer.

A doença de Alzheimer causa um considerável impacto econômico na sociedade, por ser uma doença crônica de evolução lenta (pode durar até 20 anos),e pelo fato de que, nas suas fases mais avançadas, o paciente torna-se totalmente dependente de seu cuidador, ficando incapaz de realizar tarefas de sobrevivência. Isso acarreta a necessidade de vários cuidadores, direta ou indiretamente envolvidos com sua qualidade de vida.

No Brasil, a presença da doença de Alzheimer já é significativa e merece atenção especial das autoridades competentes. Grupos de apoio, de serviços sociais e farmacológicos têm focalizado o assunto com o intuito de aconselhar familiares no que se refere à qualidade de vida desses pacientes e ao ônus financeiro, físico, social e psicológico a que estão expostos.

Famílias já procuram aconselhamento legal para um adequado planejamento financeiro e para a proteção de seus bens, assim como curadorias para as quais são transferidas decisões quanto a assuntos de cunho legal. É urgente o desenvolvimento de uma política social pública associada à inserção da doença na previdência privada, para que possa haver um suporte às famílias dos portadores, pois, caso contrário, poucas serão as que poderão lhes oferecer uma vida digna. Até a presente data, a doença de Alzheimer é incurável.

No estudo de caso analisado pela dissertação de mestrado (2000), apresentado a necessidade de ajuda terapêutica que foi fortemente sentida pela família, pois não conseguia lidar com os comportamentos alterados da paciente. A agressividade, a hiperatividade, a falta de recato, as dificuldades na alimentação e no asseio pessoal, bem como as perdas de memória, pareciam problemas insolúveis aos familiares.

No atendimento a pessoas idosas são relativas ao preconceito, isto é, ao fato de que a presença de idosos em psicoterapia não é comum em consultório de psicologia, e à falta de informação quanto ao trabalho desenvolvido.

Quando o idoso começa a se comportar de maneira diferente, o mais comum é dizer “isso é uma consequência do envelhecimento”. Mas atitudes como dificuldade com a fala, desorientação de tempo e espaço e demora em lembrar fatos recentes, pode ser um indicativo de algo bem mais sério: a doença de Alzheimer.

Explica o neurologista Paulo Bertolucci. “Trata-se de uma enfermidade progressiva que pode levar à dependência total, por isso, o papel do cuidador aliado ao tratamento adequado podem adiar a sua progressão”. Segundo a publicação científica The Lancet, a cada sete segundos uma pessoa fica com demência no mundo. No Brasil, 1,2 milhão de pessoas são portadoras de Alzheimer e estima-se o surgimento de 100 mil casos novos ao ano. A doença se caracteriza por uma disfunção na parte do cérebro que controla a memória, o raciocínio e a linguagem, em diferentes graus, do inicial ao avançado. Dessa maneira, seu portador terá mudanças significativas em toda a sua rotina. Nas fases mais avançadas, a pessoa com doença de Alzheimer passará a precisar da ajuda de um cuidador para praticamente todas as suas atividades.

Os cuidados e atenção com os pacientes são os maiores desafios dos integrantes de uma família que tenha, entre ela, portadores da doença. Envolver o maior número de membros possível nas atividades diárias de cuidados, mesmo que haja um cuidador contratado, é fundamental para assegurar a tranquilidade do paciente e fortalecer seus laços familiares, preservando sua convivência familiar.

Assim, “mesmo que sejam necessárias algumas adaptações para tais programas, como o uso de uma cadeira de rodas para a locomoção, é essencial procurar formas de manter a atividade e o convívio”, destaca o neurologista.

De modo geral, o familiar representa mais do que a simples presença de alguém promovendo cuidados ao paciente. Independente das possibilidades terapêuticas, a pessoa que cuida pode compreender e realizar com carinho difíceis tarefas como, por exemplo, promover a higiene pessoal, controlar os horários da medicação, preparar e dar uma alimentação adequada e fazer curativos, entre outras. É claro que profissionais contratados para essas tarefas poderão fazê-las melhor, tecnicamente, mas em determinadas situações o que importa é a maneira e o carinho com que é realizado o atendimento.

Para o geriatra Rubens Fraga Júnior, geralmente, os cuidadores não sabem o que lhes espera e não têm noção do quanto será exigido. E o que é pior: se não houver uma estrutura familiar favorável, todos sairão perdendo, inclusive o doente. “Quem já cuidou de algum parente com algum tipo de incapacidade sabe que essas doenças provocam situações estressantes”, comprova o médico.

A primeira inquietação experimentada pela pessoa que passa à condição de cuidador é sentir-se incapaz de cumprir o seu papel. Para isso, ela deve procurar conhecer bem a doença, seus sintomas, como é a evolução e o que fazer em determinadas situações. Nesse sentido os médicos sugerem que os cuidadores procurem o suporte de grupos de apoio. Além disso, no entender do geriatra João Carlos Gonçalves Baracho, todos na família devem compreender que quem está cuidando também tem o direito de viver a sua vida o mais normalmente possível. “A qualidade de vida do cuidador é primordial para o bem-estar do próprio enfermo”, alerta.

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIA:

FORTUNA, Sonia Maria Castelo Branco.Terapias expressivas, demência de Alzheimer e qualidade de vida : uma compreensão junguiana /  Campinas, SP : Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual de Campinas,Faculdade de Educação. 2000.

 

SCHARDONG, Maria Fernanda .Alzheimer,Família ainda é a melhor referência para diagnóstico da doença. Disponível em: www.maisde50.com.br/editoria_conteudo2.asp?conteudo_id=7335.Acesso em: 20 de mar.2011.ww.slideshare.net/marciofborges/cuidar-da-famlia-afetada-pela-doena-de-alzheimer-presentation

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