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Publicado por - 22/10/2013

Tempo do Narcisismo, do Consumo e do Vazio.

Narciso

Amigos e Amigas

trouxe um texto sobre uma questão que venho percebendo que acontece no mundo atual, e nos meus atendimentos;

a falta de consciência de si mesmo,a compulsão por comprar e o vazio existencial. Gosto dos mitos e o simbolismo que eles trazem. 

Vamos refletir com Freud o Mito de Narciso. 

 

Sigmud Freud,  foi quem cunhou o termo ” narcisismo”.

No curso da evolução normal, do  indivíduo, o egocentrismo inicial deve ser superado, mas as vezes isso não acontece.

O Mito

 

Narciso é um jovem que perambula melancolia e desespero à de sua irmã gêmea já morta. Um dia, sentado à beira de um lago, olha distraidamente para a aguá e vê sua imagem refletida. Sem perceber que se trata dele mesmo, apaixona-se pela própria imagem e sente-se reconfortado e feliz.

A partir dai, volta sempre ao lago para adorar sua própria imagem, afastando-se de tudo o mais, inclusive da donzela Eco, que o ama apaixonadamente.  Certo dia, ao declinar-se demais sobre as águas, Narciso cai e desaparece para sempre.

 

Grande autores vão dizer que ao descrever uma criatura que passa a amar a si mesmo, a antiga lenda Grega  fala  simbolicamente uma das mais

profundas realidades psicológicas, e que se encontra em todos nós de um modo ou de outro. Freud diz que todas as pessoas passam necessariamente

por um período de amor voltado para si mesmo.

 

Temos na fase do bebê  recém nascido, o mundo gira em torno dele e de suas necessidades, chama atenção  primeiro da mãe, da família, o faz apenas

em termos dos serviços que as pessoas possam prestar a ele, a criança não concebe as pessoas como seres independentes, com suas próprias necessidades.

Nesse período  a criança é  egocêntrica,” vendo o mundo como um conjunto de coisas que giram em torno dela própria. ”

 

Assim, no curso da evolução normal, do  indivíduo, o egocentrismo inicial deve ser superado, mas as vezes isso não acontece.

 

Freud apresenta a questão de acordo com sua perspectiva sobre o desenvolvimento da personalidade. Para ele, a  fase da personalidade do indivíduo pode estagnar numa

 

certa época do desenvolvimento, se essa etapa não for vivida em todos seus múltiplos aspectos.

 

“Se um menino da fase Edipiana, por exemplo sofrer alguma pertubação emocional mais profunda, poderá ficar fixado para sempre na mãe, terá grandes dificuldades, para ligar-se a qualquer outra mulher, ficando afetado pelo que Freud denomina o Complexo de Édipo.

Da mesma forma, narcisista, é aquele que permanece na fase do egocentrismo dos primeiros anos de vida. Prováveis  causas para isso podem ser uma família  infeliz ou instável, ou a falta do amor materno. Frequentemente, as conotações de dor e sofrimento  originam-se simplesmente das dificuldades do próprio ato de   crescer.

Segundo as concepções freudianas o próprio fato de nascer, de sair da perfeição do ventre materno para a hostilidade do mundo exterior pode ser causa   de fixação  de um comportamento narcisista. ”

 

 

O narcisista tem necessidade de amor e admiração; procura assegurar-se de que todos se ocupem dele, mas sendo muito inseguro, nunca está satisfeito.

No intimo tem certeza de que jamais será amado e admirado como deseja, por isso volta toda sua capacidade de amar para si mesmo.

 

Então, o narcisista é  um imaturo, sem personalidade completa, uma criatura em constante sofrimento, como se fosse um ser dividido ao meio.

Egocêntrico, o narcisista precisa focalizar todas as suas energias em si mesmo, precisa ser amado e reconfortado. Ele não pode sofrer danos emocionais,arriscando-se a amar alguém e expondo-se a ser rejeitado.

 

 

Autores vão  apresentar que as ‘perturbações de ordem narcísica’ tais como a depressão relacionada  ao sentimento de vazio existencial, a síndrome do pânico, os transtornos alimentares (anorexia, bulimia e compulsão alimentar), os transtornos da imagem corporal, a drogadição, os atos anti-sociais, a compulsão pelo consumo e as compulsões de um modo geral, as obsessões de todos os tipos e o culto exacerbado do corpo e de sua estética – não apresentam sintomas muito bem definidos, surgindo como ‘perturbações caracteriais’, segundo o filósofo francês Lipovetsky (1983).

 

Caracterizam-se por um mal-estar difuso e invasor, um sentimento de ‘vazio interior’ e de absurdo da vida, uma incapacidade de sentir as coisas e os seres.

Os pacientes, ainda segundo o autor, já não sofrem de sintomas fixos, mas de perturbações vagas e difusas.

 

A impossibilidade de sentir, o vazio emotivo e a falta de substância revelam a verdade do ‘processo narcísico’ como uma estratégia do vazio.

 

Vivemos no tempo  do Narcisismo, do Consumo e  do Vazio.

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