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Publicado por - 21/10/2013

Tratamento da Drogadicção

drogas.
Uma pergunta que  me fazem no consultório presencial ou online  a respeito do tratamento em dependência química e outros vícios, como poderá acontecer? 
Digo, é difícil e trabalhoso, mas não impossível. Deixo algumas considerações sobre o tratamento de acordo com os autores :  Raquel De Boni  e Félix Kessler.

Tratamento

 

As primeiras abordagens terapêuticas para o tratamento de dependentes químicos datam do século XIX, embora existam relatos de quadros de alcoolismo desde a antiguidade.

Por isso, ainda hoje, são realizadas pesquisas que buscam avaliar quais tratamentos realmente funcionam.

Os profissionais que trabalham com usuários de substâncias psicoativas  (SPA) precisam, inicialmente, conhecer os efeitos agudos e crônicos  das drogas de abuso, suas formas de uso, a prevalência e os padrões de uso

mais típicos.

Atualmente, considera-se que os indivíduos que apresentam problemas  com droga compõem grupos heterogêneos e necessitam de tratamentos diferentes.

Isso acontece porque a dependência química resulta da interação de vários  aspectos da vida das pessoas: biológico, psicológico e social.

Desse modo, as intervenções devem ser diferenciadas para cada indivíduo e devem considerar todas as áreas envolvidas.

 

1. Definições de objetivos de um tratamento para  dependência química

 

Muitas vezes os dependentes químicos nem percebem que possuem problemas relacionados ao uso de substâncias.

Assim, o primeiro passo do tratamento é alcançar um nível de participação e motivação suficiente para manter um tratamento a médio e longo prazo. 

Em seguida, costuma-se propor três objetivos principais: abstinência,  melhora da qualidade de vida e prevenção de recaídas.

 

Abstinência do uso de substâncias psicoativas

O objetivo final da maioria dos tratamentos é o abandono do uso de SPA (abstinência).

Os elementos necessários para alcançá-lo incluem a aquisição de diferentes habilidades e comportamentos que permitam evitar seu consumo.

 

Melhorar a qualidade de vidaIndependente de o primeiro objetivo ser alcançado, e dado ao fato de nem sempre estarem presentes as condições psicológicas e sociais propícias para atingi-lo, é de especial importância a melhora da qualidade de vida, mesmo que o uso de drogas não tenha sido interrompido. Para estes indivíduos, deve ser reforçada a adesão ao tratamento e deve ser

proposta uma estratégia de redução de danos, que permita diminuir as  conseqüências negativas do consumo. Quem precisa de tratamento?

 

Prevenção de recaídas

Os indivíduos que aceitam a abstinência completa como meta devem  ser preparados para a possibilidade de recaídas.

É importante que estejam cientes da natureza crônica e reincidente da dependência química.

 

 Quem precisa de tratamento

Para responder esta pergunta , é necessária uma avaliação cuidadosa e  ampla do indivíduo. Nesta avaliação, deve-se perguntar sobre as substâncias  utilizadas, o tipo de consumo de cada uma delas (se o uso é experimental, recreacional, abuso ou dependência); tratamentos anteriores; comorbidades clínicas e psiquiátricas; história familiar ;

Perfil psicossocial.

Quanto maior a gravidade do consumo, mais o indivíduo  necessita de tratamento. Indivíduos que apresentam padrões de consumo recreacional e de abuso, em geral, também se beneficiam de tratamento, sendo que, nesses casos, apenas o aconselhamento pode ser suficiente.

 

Avaliando comorbidades psiquiátricas

O uso de drogas pode ser causa e/ou consequência de sintomas psiquiátricos.  Quando a presença desses sintomas demonstra representar uma doença independente – além do transtorno por uso de substâncias, identifica-se um subgrupo de indivíduos chamados de “indivíduos com diagnóstico duplo” ou “comorbidade”, ou seja, com mais de um diagnóstico psiquiátrico.

Indivíduos com comorbidade psiquiátrica e uso abusivo de SPA costumam apresentar maiores dificuldades para aderir ao tratamento e, geralmente, não respondem bem a abordagens terapêuticas direcionadas a apenas um dos transtornos. Desse modo, é necessário combinar medicações e modificar as terapias psicossociais, incluindo abordagens para ambos.

Como escolher o tratamento

Antigamente, havia poucas opções disponíveis (internação, grupo de auto-ajuda e encaminhamento a especialistas), contudo, pesquisas têm demonstrado que tratamentos breves, conduzidos por não-especialistas, apresentam resultados significativos e com baixo custo, de maneira que essas técnicas vêm sendo amplamente difundidas.

As abordagens por não-especialistas são realizadas através de aconselhamento

e intervenções breves . Porém, indivíduos com dificuldade de aderência ou pouca melhora com o tratamento breve devem ser encaminhados  a especialistas como psiquiatras ou psicólogos.

 

Então, quando se deve encaminhar ao especialista?

Quando estiverem presentes as seguintes características:

1. suspeita de outras doenças psiquiátricas;

2. não melhoraram com os tratamentos anteriores;

3. tiveram múltiplas tentativas de abstinência sem sucesso.

 

Além disso, se o usuário é incapaz de cumprir as mínimas combinações,  ou se ele apresenta-se frequentemente intoxicado, provavelmente  apresenta um quadro de dependência grave e necessita ser encaminhado  para algum ambiente que envolva mais estrutura e segurança – para si e para os técnicos que o atendem- ou seja, deve ser considerada a  internação psiquiátrica. Outra indicação de internação ocorre quando

a agressividade do indivíduo implica riscos para sua integridade física ou para os outros.

 

Indicações de internação

  Condições médicas ou psiquiátricas que requeiram observação  constante (estados psicóticos graves, idéias suicidas ou homicidas, debilitação ou abstinência grave).

Complicações orgânicas devidas ao uso ou cessação do uso  da droga.

Dificuldade para cessar o uso de drogas, apesar dos esforços terapêuticos.

Ausência de adequado apoio psicossocial que possa facilitar o início da abstinência.

Necessidade de interromper uma situação externa que reforça o uso da droga.

 

As várias formas de tratamento

O tipo de tratamento a escolher depende da gravidade do uso e dos recursos  disponíveis para o encaminhamento.

A seguir, vamos descrever brevemente os principais modelos de tratamento que vêm sendo utilizados em nosso meio e que são cientificamente recomendados.

Eles devem ser indicados conforme os critérios previamente estabelecidos e muitas vezes se constituem em abordagens complementares para um mesmo indivíduo,

de modo que não devem ser vistos como excludentes.

 

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Prevenção de Recaída

 

Nesta forma de tratamento, procuram-se corrigir as distorções cognitivas  (pensamentos e crenças mal-adaptativas) e os comportamentos  que o usuário tem em relação à droga.

A abordagem básica da TCC pode ser resumida em “reconhecer, evitar e criar habilidades para enfrentar” as situações que favorecem o uso de drogas. As sessões seguem uma estrutura padronizada e os indivíduos têm papel ativo no tratamento.

Após a motivação e a implementação de estratégias para interromper o uso da droga, surge uma tarefa tão ou mais difícil, que consiste em evitar que o indivíduo volte a consumi-la. O modelo de “prevenção de recaída” (Marlatt, 1993) incorpora os aspectos cognitivo comportamentais e objetiva treinar as habilidades/estratégias de enfrentamento

de situações de risco, além de promover amplas modificações no estilo

de vida do indivíduo.

 

Maria de Lourdes Batista

Pós graduada  em Dependência Química – Universidade Federal de São João del Rei. 

 

 

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