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Publicado por - 19/12/2013

A música de Minas ecoa para muito além dos limites de nossa serras e montanhas

 

oi

Música Brasileira

Temas para aulas de Arte –

A música de Minas ecoa para muito além dos limites de nossa serras e montanhas, capaz de encantar, capaz de inspirar novos talentos.

O primeiro registro histórico referente à música, no Brasil, encontra-se expresso na carta de Pero Vaz de Caminha: “Diogo Dias, que é homem gracioso e de prazer, levou consigo um gaiteiro nosso com sua gaita. E meteu-se com eles (os indígenas) a dançar, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam, e riam, e andavam com ele muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem, fez-lhes ali, andando no chão, muitas voltas ligeiras e salto real, de que eles se espantavam e riam e folgavam muito.”

Daí, o surgimento da música brasileira deu-se com a contribuição dos indígenas, dos colonizadores e dos negros, que, por sua vez, imprimiu forte caráter na formação do perfil cultural brasileiro – que o digam nossos tambores mineiros.

O processo de colonização viria associar a música brasileira à matriz européia, durante muito tempo, até que as novas expressões populares nascidas da miscelânea étnica fariam com que a música brasileira se tornasse uma das mais expressivas da América.

Se no último século ela desabrochou, espalhando sementes no imaginário da população brasileira, em Minas Gerais, estes elementos forjaram-se a outras sementes, mesclando-se ritmos e harmonias, dando origem a uma música única e universal, que é a música mineira.

São muitas as explicações para a diversidade de tendências da música mineira. Em Minas, quando sua história era desenhada, o ambiente urbano e cosmopolita da mineração – sobretudo na Ouro Preto de então – juntou-se com os ritmos rurais oriundos da Bahia, adicionados às influências européias, forjando a base do surgimento, no início do século XX, do Samba na Bahia e Rio de Janeiro.

Antes disso, porém, no fim do século XVIII e começo do século XIX, floresceu nas cidades mineiras uma geração de compositores que criaram uma música contemporânea da arte do Aleijadinho e da poesia dos inconfidentes. A música Barroca de Minas, tocada, sobretudo, nas igrejas, em saraus, em circuitos mais restritos.

Parte desta época já está sendo resgatada, cuidada e disponibilizada, inclusive pela internet, por meio do projeto Patrimônio Arquivístico-Musical Mineiro – PAMM, encabeçado pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e que, por meio de verdadeiro garimpo, coordenado pelo musicólogo Paulo Castagna, tem levantado composições e autores até então pouco conhecidos, a partir de cerca de 15 acervos mineiros e outros localizados, sobretudo, no Rio de Janeiro e São Paulo.

O PAMM efetiva um marco no reconhecimento da música como um dos principais patrimônios imateriais do Estado de Minas Gerais, para além do já consagrado patrimônio de “pedra e cal”.

Já a música mineira contemporânea foi capaz de assimilar o que de melhor existe em outras tendências, em outros ritmos vindo do jazz, dos  Beatles, que, sintetizando-se com outros elementos da música popular brasileira pôde, por exemplo, resultar no movimento sem rótulos do Clube da Esquina, que por sua vez influenciou novas gerações que ampliaram vertentes vanguardistas, que vão do som percussivo do Uakti ao pop-rock do Skank e do Jota Quest, passando pela música de raiz e expressões dialéticas do Vale do Jequitinhonha, do Norte de Minas e da Gerais “preta e barranqueira” emoldurada pelas carrancas que singraram o Velho Chico, além do som sul-mineiro impregnado com o sotaque paulista.

Podemos dizer, sem sombra de dúvida, que a música de Minas ecoa para muito além dos limites de nossa serras e montanhas, capaz de encantar, capaz de inspirar novos talentos.

 

Referências Bibliográficas: Barsa – Enciclopédia Britânica do Brasil Publicações Ltda., edição de 1999; Revista MPB – Compositores, Milton Nascimento – nº 19 – 1997 – Editora Globo S.A. Revista O Globo – ANO 4 – nº  217 – 21 de setembro de 2008.

 

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