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Publicado por - 10/12/2013

Fases do Desenvolvimento Infantil: do Pré-Operatório ao Operatório Concreto

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Desde o nascimento pode-se dizer que a criança busca e encontra formas de interagir com o ambiente. Embora isso ocorra de maneira diferente nas diversas fases da infância, o objetivo é viabilizar o desenvolvimento na perspectiva de um convívio familiar e social harmonioso (Davidoff, 2004). No universo em questão, a brincadeira certamente encontra um lugar de destaque. O psicólogo suíço Jean Piaget, referência obrigatória para os pesquisadores da etapa inicial da vida, citado por Tavares (2010, p. 6 e 7), dividiu o brincar a partir do que fixou como estágios de desenvolvimento: sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal.

Do ponto de vista sociológico, a criança é tomada como sujeito social, que participa de sua própria socialização, reprodução e transformação da sociedade. A brincadeira, então, adquire o status de cidadania.

Os diferentes tipos de brincadeiras nas fases do desenvolvimento humano, reforçam a importância delas para a criança, inclusive no âmbito fisiológico. Elas transcendem o sentido de “passa-tempo” para serem compreendidas como provável fonte avaliativa e ferramenta no processo ensino-aprendizagem (Tavares, 2010).

Se  determinados traços da personalidade começam a ser moldados já no útero materno e logo depois do nascimento, com chances de persistirem “por razões ambientais e também hereditárias”, conforme sublinha Linda Davidoff (2004),  o universo infantil, que vai do nascimento aos 15 anos, torna-se base essencial de pesquisa e interesse para acadêmicos de psicologia, sobretudo quando desmistifica a brincadeira que, então, deixa de ser mero apêndice para se tornar componente da aprendizagem.

A infância é um período crucial para o desenvolvimento humano. Acredita-se que as origens do temperamento sejam perceptíveis a partir dos dois meses de idade.

Davidoff (2004), entretanto, menciona estudos que vão além ao sugerir que elas remontem ao primeiro dia e que as condições intrauterinas e o momento do parto favorecem o surgimento dos traços da personalidade. Daí a importância de se pesquisar as características dessa época inicial da existência, entre as quais a brincadeira, prática observada em qualquer lugar onde a criança esteja ou na maioria das circunstâncias que a envolva.

Tavares (2010) fala sobre o psicólogo suíço Jean Piaget, que eleva a brincadeira à condição de fonte avaliativa, uma ferramenta no processo ensino-aprendizagem, e a enquadra nas diferentes fases do desenvolvimento infantil.

Referência obrigatória sobre o desenvolvimento cognitivo, Piaget, segundo Tavares (2010), dividiu o brincar em estágios: sensório-motor (brincar prático, na faixa-etária de seis meses a dois anos), quando os bebês fazem “experiências pela visão, tato, paladar, olfato e manipulação”, portanto necessitam de objeto concreto para brincar;

pré-operatório (brincar simbólico, dos dois até seis ou sete anos), quando os pequenos “guiam-se fortemente pelas percepções da realidade” e levam a efeito as sociodramatizações na forma de brincadeiras de faz-de-conta e fantasia; e das operações concretas (jogos com regras, dos seis ou sete anos até os 11), quando as crianças adquirem “a capacidade de usar a lógica e param de se guiar tão predominantemente pelas informações sensoriais simples para entender a natureza das coisas” (DAVIDOFF, 2004).

Para melhor entender o significado das brincadeiras nos estágios pré-operatório (4 e 5 anos) e operatório concreto (8 a 11 anos), objetos de estudo do presente trabalho, interessante notar algumas características marcantes de cada um no âmbito fisiológico, mais especificamente do sistema nervoso central, parte do sistema nervoso e dividido em cérebro e medula espinhal. No pré-operatório, composto de crianças de um e meio ou dois anos a cerca de seis ou sete anos, desenvolve-se o pensamento lógico, surgindo o pensamento representativo e com ele a comunicação verbal. Todavia, nessa fase predomina o egocentrismo, quando

a criança fala o que está em sua mente sem se preocupar com o outro. Tem noção para manipular símbolos verbais para objetos e ações. Caracteriza-se por acréscimos no desenvolvimento conceitual, ainda que de forma limitada. Nessa fase exibem centração – uma tendência para focalizar somente um aspecto especialmente observável de um objeto ou uma situação complicada. (Piaget , 2000)

 

Enquanto que, no das operações concretas, que compreende a faixa etária de 7 ou 8 anos até os 11 ou 12 anos, “as crianças já conseguem manipular mentalmente as representações internas que formaram durante o período pré-operatório”. Noutras palavras, além de “ideias e memórias dos objetos”, elas, agora, já são capazes de levar a termo “operações mentais com essas ideias e memórias”, mas só no que diz respeito a objetos concretos. (STERNBERG, 2000, p. 377)

Em ambos os casos percebem-se no funcionamento cerebral atuação destacada do sistema límbico, que regula “a emoção, a motivação, a memória e a aprendizagem” e do córtex cerebral, responsável pelo raciocínio, no sentido de “planejar, coordenar pensamentos e ações, perceber padrões visuais e sonoros, usar a linguagem…”; e o desempenho da medula espinhal, que tem o decisivo papel de “encaminhar a informação sensório-motora até o cérebro”, de modo a emitir as respostas motoras adequadas (STERNBERG, 2000).

Em suas pesquisas, Piaget “concluiu que sistemas lógicos coerentes fundamentam o pensamento das crianças” e diferem em espécie dos sistemas lógicos dos adultos. Isso porque  os meios de adaptação formam um continuum que varia de meios relativamente inteligentes, tais como hábitos e reflexos, a meios relativamente inteligentes, tais como os que exigem insight, representação mental complexa e a manipulação mental de símbolos. De acordo com seu foco na adaptação, acreditava que o desenvolvimento cognitivo acompanhava-se de respostas cada vez mais complexas ao ambiente. (PIAGET (1972).

Na concepção de Piaget, o conhecimento desenvolve-se “em estágios que evoluem pela equilibração, na qual as crianças procuram um balanço (equilíbrio) entre o que encontram em seus ambientes e as estruturas e os processos cognitivos que levam a esse encontro, bem como entre as próprias capacidades cognitivas” (STERNBERG, 2000).

Sob a ótica analítico-comportamental, a brincadeira adquire igualmente lugar de realce. Del Prette e Meyer (2012) evidenciam que a dimensão do prazer e da espontaneidade do ato de brincar está presente na maioria das definições e aponta para a importância que a brincadeira tem assumido na prática clínica.

A fim de ampliar a comparação jogo/brincadeira, Del Prette e Meyer (2012), sob amparo de Del Prette e Del Prette, enfatizam a relevância do jogo nas mais diversas culturas “com objetivos educacionais distintos como socialização, transmissão de valores e desenvolvimento de autonomia”, e na perspectiva de Goldstein e Goldstein, pontuam que “a criança aprende a controlar o ambiente e fortalecer suas habilidades sociais e de raciocínio”. Quanto à brincadeira, as autoras sublinham o fato de a criança às vezes considerá-la um subterfúgio para expressar “sentimentos, desejos e valores que ela não consegue, ainda, expressar por meio de relatos verbais, devido às limitações próprias de desenvolvimento em linguagem”.

A brincadeira influencia a vida da criança,amplia seu potencial cognitivo e sua relação com o mundo.

 

Fonte:  Carla Vanusa Silva Froes Cássia e outros

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