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Publicado por - 12/12/2013

Terapia Familiar – CASO QUE ILUSTRA A TEORIA


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Na maioria das vezes, as crianças que apresentam Dificuldade de aprendizagem são sensíveis, captam a situação familiar e a explicitam. Os aspectos da família, que provêem um terreno fértil para o aparecimento da dificuldade de aprendizagem, relacionam-se com o tipo de circulação do conhecimento dentro do sistema familiar, com o significado que dão ao saber/não saber, com o tipo de manejo que utilizam para tratar das perdas e dos segredos e, sobretudo, com a dificuldade que seus membros apresentam em diferenciar-se e separar-se.

Nessas famílias é difícil aceitar que alguém pense de modo diverso, que é possível, existirem pontos de vista divergentes sobre uma mesma experiência e ainda que ser diferente não implica ser desleal com o grupo.

 Os pais inconscientemente deixam a seu filho a carga de refazer a sua história, mas refazê-la de tal maneira, que nada deva ser mudado. A terapia familiar demonstra que o enfoque principal do tratamento relacional consiste na ampliação e na escalada da participação do terapeuta. Devendo este trabalhar com todos os membros da família, numa rede de relações.

 

CASO QUE ILUSTRA A TEORIA

   

 T. masc. 9 anos. Cursa a 3° série do ensino Fundamental. Filho único de pais separados. Tem dificuldade para ler e interpretar textos, troca letras e dificuldade para entender problemas de matemática.

A mãe relata uma gravidez indesejada. Os pais se separaram quando o menino tinha 4 anos. O pai assumiu uma identidade homossexual e desde então constitui outro núcleo familiar com um companheiro. A mãe relata: “nunca deveria ter me casado, nem ter tido filhos. Não fui feita para isto. Acho difícil criá-lo”.

  Nos finais de semana T dorme na casa do pai e seu companheiro e não faz nenhuma referencia sobre o que acontece ou vê nesse período. A mãe e os avós maternos dizem que preferem nada comentar com T., “pois ele ainda é muito pequeno para entender essas coisas.”

  Durante os encontros, pude perceber que o segredo familiar era conhecido pelos adultos e sua manutenção compartilhada por todos os membros. Nessa família os segredos são uma constate. De T. era esperado que ele nada visse ou dissesse sobre a condição de seu pai, poupando assim, sua mãe da critica da família (Não queríamos este casamento) lhe era praticamente impossível aprender, discriminar, usar seu saber. Ele não podia dar credito aquilo que os órgãos dos sentidos lhe mostravam, nem tampouco fazer uso de sua experiência pessoal. Não lhe fora autorizado conhecer. Qualquer segredo pode ter vários significados dentro de uma família.

  O trabalho terapêutico com esta família teve como meta trazer os vínculos de lealdade à luz, para, ao torná-los explícitos, poder libertar os indivíduos neles atados. Buscava-se que o saber circulasse livremente e que passasse a haver a flexibilidade suficiente no sistema, para possibilitar que seus membros se desenvolvessem.

  Atualmente T. vem apresentando progresso na área pedagógica. Seus erros ortográficos estão menos freqüentes e ele tem obtido bons resultados em matemática.

“A existência do segredo em si não é causa da modalidade sintomática de aprendizagem. O sintoma em geral gera-se em uma situação que não permite reconhecer a existência do segredo” (FRENÀNDES, 1995, p. 115). 

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