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Publicado por - 18/12/2013

TERAPIAS COGNITIVAS

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Terapia Comportamental e Cognitivo-comportamental –    Práticas Clínicas

 

INTRODUÇÃO ÀS TERAPIAS COGNITIVAS

Cristiano Nabuco de Abreu

             A partir dos anos 60 vários pesquisadores, tais como Michael Mahoney, Aaron Beck e Albert Ellis, fizeram com que as práticas cognitivas de intervenção clínica se desenvolvessem. Mahoney focou os processos cognitivos, Beck focou o tratamento da depressão, e Ellis versava sobre a razão e emoção em terapia.

            Com o passar do tempo as pesquisas sobre a terapia cognitiva se expandiu. Na visão epistemológica objetivista entende-se que os conceitos que descrevem os estímulos representam a realidade externa. Assim, as técnicas visam a substituição de padrões disfuncionais de pensamento por outros mais funcionais.

            Já os modelos epistemológicos construtivistas entendem que os conceitos são criados a partir das estruturas corporal-emocionais, e vê o homem como um ser que constrói seus significados sobre os fatos e, portanto constrói sua própria realidade já que a forma como este interpreta seu mundo determinará a maneira com que ele irá comportar-se. As terapias cognitivo-construtivistas procuram entender e ampliar os padrões de significados cognitivos equivocados.

            A terapia cognitiva, pelo modelo de Beck, é uma abordagem de terapia estrutural, diretiva, com metas claras e bem definidas, que foca o presente, e visa alterar crenças e outros pensamentos, que levem a uma mudança comportamental e emocional duradora. Beck considerava que o modo com as pessoas se sentem é determinado pela forma como interpretam e abstraem informações do mundo externo, e a cada nova experiência, o indivíduo tenta extrair padrões percebidos de cada acontecimento que corroborem com as interpretações anteriores, formando uma rede de significados na estrutura cognitiva. Na prática, tenta-se auxiliar o paciente na busca de padrões de redes cognitivas mais concordantes com a existência social estabelecida.

            Para os cognitivo-objetivista, as emoções derivam de padrões de comportamento baseadas em crenças que direcionam a forma de interpretação das situações que o indivíduo vivencia. As emoções não são determinados por eventos, mas pelos juízos de valor associados aos eventos que provocam uma resposta emocional. E o terapeuta deve verificar a avaliação racional de uma situação pelos olhos do cliente para contextualizar uma emoção.   

            As emoções identificadas e contextualizadas servem para indicar a presença de crenças e outros pensamentos que estão associados a tais emoções. O tratamento basea-se em identificar padrões de crenças irracionais que levam a um sofrimento, corrigindo essas crenças, sendo assim, quando se tem uma crença disfuncional haverá uma resposta emocional correspondente. Tendo que refletir racionalmente e examinar realisticamente os pensamentos disfuncionais para alterar as emoções associadas e criar novas formas mais claras e objetivas de se pensar.

            Essa abordagem considera que crenças excessivamente disfuncionais ou distorcidas resultam em sintomas psicopatológicos. Pelo modelo de Beck essas crenças, possuem três níveis de cognição: o primeiro nível é formado por um núcleo (básicas ou centrais), que levam ao desenvolvimento de pressupostos que forma o segundo nível o intermediário ou periférico, e o terceiro nível compõem a estrutura de valores. E se há crenças disfuncionais rígidas e mal adaptadas, a estrutura final poderá se expressar através de pensamentos negativos automáticos (PNA), que são responsáveis pela ativação de emoções desadaptativas. Essas crenças disfuncionais se caracterizam por valores antigos ou distorcidos, que são resistentes a mudanças, e atribuem interpretações errôneas, devendo ocorrer a identificação dessas crenças e sua modificação.

O papel do terapeuta, segundo Beck, é auxiliar a identificação de PNA e de crenças disfuncionais associadas, propor técnicas de reestruturação cognitiva, levantar hipóteses sobre a categoria de crença central e especificar qual crença é preponderante, apresentar tal hipótese da crença central ao paciente quem ira confirmar ou não, a partir daí o terapeuta deve ensinar o cliente sobre o que é uma crença central e sobre a crença dele, orientando-o a se monitorar, e avaliar e modificar a crença central junto com o cliente buscando uma reestruturação para uma crença central mais adaptativa

Na terapia cognitiva baseado no modelo de Beck, se caracteriza como breve e focal, o terapeuta vai esclarecer logo no início que a terapia tem a função de ensinar o cliente a identificar e reduzir os seus sintomas até que consiga fazer isso sem ajuda do terapeuta, o terapeuta também oferece um folheto com informações sobre os princípios da terapia e sobre a disfuncionalidade do pensamento.

Procura-se definir claramente os objetivos, especificando-os de acordo com os problemas e questões trazidas pelo paciente, sendo que as sessões são estruturadas, em que se inicia com a elaboração de uma agenda, aqui o terapeuta deve atentar ao abordar assuntos incluídos na agenda do dia para que os objetivos de reestruturação cognitiva possam ser contemplados.

E também são feitos resumos do que aconteceu na ultima sessão e um resumo no final de cada sessão sobre o que foi discutido naquele dia, com revisão da tarefa passada na sessão anterior e programação da próxima consulta.

Esse estilo de terapia permite que o cliente coloque em foco, a cada sessão, seus pensamentos e crenças disfuncionais, sendo treinado a aprender novas habilidades de manejo e modificação de crenças, e que possa utilizar o que aprende na terapia em outras situações.

Para lidar com os pensamentos automáticos o cliente pode preencher um diário para anotar ocorrência de sintomas ou mudanças de humor ou pensamentos, anotando a data e o local. Para tanto são utilizadas técnicas cognitivas que buscam identificar os pensamentos automáticos, testar estes pensamentos (análise de erro de lógica) e substituir as distorções cognitivas.

Assim, essa terapia tende a focar o presente, se voltando para o passado quando o trabalho com presente não estiver resultando em mudança, ou se o terapeuta julgar necessário saber quando e como as crenças disfuncionais se originaram, e como estão afetando o cliente atualmente.

 

REFERENCIA
ABREU, Cristiano Nabuco de; GUILHARDI, Hélio José. Terapia comportamental e cognitivo-comportamental: práticas clínicas. São Paulo: Editora Roca, 2004. p.277-285.

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