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Publicado por - 11/10/2014

Como lidar com agressividade e TDAH

As crianças e adolescentes com TDAH apresentam, frequentemente, comportamentos difíceis  e  maior dificuldade para aceitar limites.Eles têm necessidades de obter recompensas de forma imediata , de maior gravidade o transtorno opositor e desafiante (negar a obedecer e desafiar constantemente as figuras de autoridade). Esses aspectos podem levar, mais adiante, a um transtorno grave de conduta. A coexistência de ambos os quadros (TDAH e Opositor Desafiante) é muito frequente e considera-se que, provavelmente, a impulsividade é o factor que favorece a união dos dois transtornos. As crianças predominantemente desatentas não demonstram este tipo de conduta; portanto, um factor associado de maior risco de comportamento agressivo irá apresentar no subtipo predominantemente hiperactivo impulsivo ou no subtipo combinado .  Nestes casos, a impulsividade impede que a criança e o adolescente analise a situação conflitante na qual se encontra utilizando os mediadores racionais ou cognitivos, e que não tente formular as regras de comportamento que o ajudaram a se controlar nessa situação.

Paralelamente ao deficit nas habilidades de mediação verbal ou auto-instruções em muitos dessas crianças, existe um déficit na aprendizagem das habilidades sociais adequadas para enfrentar as relações interpessoais com respostas não agressivas.  Por último, cabe associar ou relacionar o comportamento agressivo da criança TDAH com uma frágil auto-estima; paradoxalmente ao que pode parecer uma atitude arrogante. Atrás desta, subentende-se uma opinião muito pobre de si mesmo, de tal forma que reflecte na sua incapacidade para aceitar o fracasso ou a crítica.  Ao chegar na adolescência, o comportamento agressivo pode intensificar-se. As mudanças físicas e emocionais que poderá enfrentar qualquer criança nesta idade, podem significar uma atenuante (grave) de complicação que desenvolve em graves crises para o adolescente com TDAH no seu ambiente.

A detecção e intervenção precoce são aspectos especialmente importantes em casos de crianças com hiperactividade que apresentem oposição e conduta desafiante e determinante na evolução de ambos os quadros.  O tratamento deve contemplar a intervenção psicológica (tratamento Cognitivo Comportam As Causas da Agressividade.

As diversas teorias que tentam explicar a agressividade dividem-se, fundamentalmente, em ativas e reativas. As ativas ou teorias biológicas, subentende-se a origem interna da agressão, são entendidas como inatas e consistentes à espécie humana. As reativas explicam os mecanismos ambientais que facilitam e mantêm o comportamento agressivo, destacando entre elas a teoria da aprendizagem  social.

Desse ponto de vista da teoria da aprendizagem social, o comportamento agressivo se dá ante uma situação de conflito que provoca um sentimento de frustração na criança. O tipo de reacção que terá a criança dependerá de como saiba reagir diante dessa situação conflitante. É dizer que dependerá de sua experiência prévia.

Os processos pelos quais tenha aprendido a comportar-se de maneira agressiva são a modelagem e o reforço (basicamente a observação por parte da criança de modelos que respondam agressivamente às situações conflitantes). Esses processos actuaram, por sua vez, como mecanismos de manutenção desses comportamentos.

Isso é o que chamam de transtorno de oposição desafiador (TOD), uma comorbidade do TDAH?
Sim e não. Explico:  Comorbidades são doenças que coexistem, sem que uma seja a causa da outra. Embora o Transtorno de oposição desafiador (TOD) seja considerado comorbidade, em minha opinião, ele é um comportamento reativo porque tem relação de causa e efeito.
Uma criança que cresce sentindo-se um peso para aqueles que a cercam pode usar a agressividade como defesa. Já escutei de paciente, justificando-se de uma atitude indisciplinada na escola: “Se eu não tivesse feito aquilo, mesmo assim, diriam que fui eu. Então, eu fiz”. Quanto maior a angústia, quanto mais comprometida a autoestima da criança, maior será a chance de aparecimento de um comportamento opositor. O ser humano, criança ou adulto, que se sente constantemente rejeitado pode desistir de ser compreendido e, por sua vez, desistir de compreender os que o cercam. 

AGRESSIVIDADE: 
Eu diria que é preciso tratá-la. 
Com psicoterapia psicológica. Associar homeopatia ajuda muito e, às vezes, é necessário utilizar alopatia também.
Vejamos:
1. O TDAH pode cursar com impulsividade. Essa impulsividade faz com que o paciente se precipite em transformar pensamentos e emoções em ações;
2. Essas ações podem ser muito agradáveis e criativas (um abraço apertado fora de hora que, no entanto, é bem vindo; uma atitude de compaixão com desconhecidos na rua etc.);
3. As crianças podem ter a intenção de ser agradáveis e terminarem de forma desastrada (a criança corre para ajudar e derruba o pacote que você tem nas mãos quebrando seu conteúdo, por exemplo) ou de forma perigosa (como subir no telhado da escola para pegar um objeto que alguém deixou cair do edifício ao lado);
4. As crianças podem ser extremamente agressivas. Por exemplo, a criança tem ciúmes do irmão e bate nele com o pretexto mais insignificante ou o paciente sente-se desprezado pela turma e provoca acidentes, intencionalmente, para extravasar seus sentimentos. Neste caso, frente a pessoas ou situações específicas, a impulsividade se manifesta de forma destrutiva.
5. Finalmente, as ações podem refletir o modo como a criança se sente em relação à vida. Se ela se sente rejeitada de maneira geral, passa a rejeitar tudo o que vem do meio. Se isso acontecer de forma sistemática, pode se tornar um transtorno de oposição desafiador.
No TDAH a impulsividade é neurológica e gera a imediata transformação de pensamentos e emoções em atos, mas, o conteúdo dessa impulsividade é psíquico. Dependendo de fatores psicológicos esse conteúdo será: agradável, criativo, desastrado, perigoso, agressivo, desafiador ou opositor. Em última análise, depende de como a criança percebe a própria vida.
A impulsividade deixa aparecer mais facilmente o que o paciente tem dentro de si.
Podemos tratar essa impulsividade com medicamento, homeopático ou alopático, mas tratamos o conteúdo psíquico da impulsividade com terapia psicológica. É importante ter em mente que se usarmos medicação psicotrópica de forma banalizada corremos o risco de não percebermos o grito de socorro embutido no comportamento agressivo.

 

Fonte: Lucinete de Freitas Messina

 

3 Comentários

    • Muito bom!!!

  1. Sou autora do livro infantil JOÃO AGITADÃO da Ed. Caravansarai, ilustrado pelo publicitário Ney Megale. O livro visa ajudar a elevar a autoestima das crianças com hiperatividade.

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