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Publicado por - 24/10/2014

Paralelo entre maconha e tabaco.   2º parte

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 Ênfase aos malefícios de cada uma das substâncias.

Comorbidade da maconha

A literatura sobre comorbidade da maconha é incipiente para podermos realizar uma conceituação mais ampla. Contudo, constata-se nítida associação entre o consumo da maconha e a sintomatologia depressiva. No que se refere à relação causa-efeito da maconha e da depressão, podemos dizer que:

1- não existem evidências de que os sintomas depressivos predispõem a pessoa ao consumo da maconha;

2- não existe clareza se o consumo da maconha causaria sintomas depressivos ou desencadearia depressão em indivíduos vulneráveis;

3- de acordo com estudos realizados com gêmeos, verificou-se uma vulnerabilidade genética em comum para os transtornos da maconha e da depressão. Todavia, os estudos ainda são incipientes e necessitam de mais aprofundamentos, a fim de proporcionar um melhor esclarecimento se o consumo de maconha leva aos sintomas depressivos.

 Tratamento farmacológico
Normalmente, a desintoxicação por uso de canabis não requer intervenção farmacológica. Um suporte psicológico e uma atenção familiar que tragam o paciente para a realidade são bases suficientes para um bom êxito nesse momento vivido pelo dependente, isso porque a toxidade proveniente da maconha é relativamente baixa. Em casos que necessitem de uma intervenção farmacológica, os benzodiazepínicos, associados a algum neuropilético, são de grande valia em quadros psicóticos e de ansiedade. 

 Tabaco

Segundo a Organização Mundial de Saúde, seis trilhões de cigarros são fumados por um milhão de fumantes em todo o mundo, tendo como consequência a morte de três milhões de pessoas. O número de fumantes vem aumentando nos países em desenvolvimento e diminuindo nos Estados Unidos da América. A nicotina é a principal droga ativa em plantas da espécie nicotiana. A nicotina é um veneno potente que pode causar a morte. Apesar disso, seu uso só perde para o da cafeína. A nicotina é considerada uma droga de passagem, que pode fazer com que alguns adolescentes comecem a usar excessivamente álcool, maconha e outras drogas (LONGENECKER, 2002, p. 77).

O princípio ativo do tabaco é a nicotina. Ele é fumado nas formas de cigarro, charutos, cachimbos e também usados como rapé ou tabaco de mascar (caracterizado pela ausência de fumaça).Geralmente, as pessoas começam a fumar a partir dos 16 anos. Outro contingente menor de pessoas após os 20 anos, desenvolvendo rapidamente as características da dependência.

Tal dependência implica o desencadeamento de problemas clínicos, dificuldade de controle do uso e apresentação dos sintomas de abstinência devido à falta ou diminuição de seu uso. Contudo, o fumante não apresenta manifestações psíquicas, nem mesmo estado de agressividade e euforia, como no uso das demais drogas.

O DSM–IV – TR possibilita o diagnóstico da dependência, mas não do abuso da nicotina. A dependência ocorre de forma rápida, provavelmente porque a nicotina ativa o sistema dipaminérgico da área tegmentar ventral, o mesmo sistema afetado pela cocaína e pelas anfetaminas. O desenvolvimento de dependência é potencializado por fatores sociais que encorajam o tabagismo em certos cenários e pelos poderosos efeitos de propaganda de cigarros. As pessoas têm mais probabilidade de fumar se pais ou irmãos fumam e atuam como modelos. Diversos estudos recentes também sugeriram diátese genética para a dependência. A maioria dos fumantes quer parar e já tentou fazê-lo, mas não obteve sucesso (KAPLAN E SADOCK, 2007, p. 479).

Efeitos agudos e efeitos crônicos e suas complicações

Rapidamente, a nicotina é absorvida pelos pulmões e pela mucosa oral, passando para a corrente sanguínea e chegando ao cérebro em 15 segundos, depois do ato de fumar, sendo 25% passando pela corrente sanguínea. Sua meia-vida é de duas horas. O padrão de consumo da nicotina é um modelo de dependência de uma droga. O consumo do cigarro ao longo do dia serve para aliviar os sintomas de abstinência, uma vez que, já ao acordar, os sintomas da abstinência são apresentados; por exemplo: dificuldade de concentração, ansiedade e a própria vontade de fumar. Um quarto dos fumantes faz uso da nicotina já nas primeiras horas do dia e fuma uma média de 14 cigarros/dia.

Dependendo da dose e da frequência do uso, a nicotina pode estimular, deprimir ou perturbar o sistema nervoso central. Ela ativa e dessensibiliza os receptores nicotínicos e cria um mecanismo compensatório. A tolerância à nicotina pode ser relacionada a esse mecanismo compensatório, uma vez que ocorre um aumento regulador do número de receptores e, numa próxima ingestão, a nicotina terá mais receptores para estimular.
Os efeitos crônicos do uso de nicotina podem ser conferidos nas complicações físicas provocadas, bem como em doenças cardiovasculares, cânceres, doenças pulmonares e nos efeitos sobre o feto, no caso de gestantes.

As complicações psiquiátricas residem no campo de fumantes com histórico de ansiedade, depressão ou esquizofrenia. Sendo o uso de tabaco mais comum em pacientes psiquiátricos com diagnósticos de depressão ou esquizofrenia. Pessoas que fumam possuem mais probabilidades de incidência de uso de álcool e drogas ilícitas.

Síndrome de abstinência

No que se refere à abstinência de nicotina, os critérios para o seu diagnostico, segundo os escritos do Compêndio de Psiquiatria de Kaplan e Sadock (2007), são:

  1. Uso diário de nicotina pelo período mínimo de algumas semanas.
  2. Cessação abrupta ou redução da quantidade de nicotina usada, seguidas, dentro de 24 horas, por no mínimo quatro dos seguintes sinais e sintomas:
    1. humor disfórico ou deprimido
    2. insônia
    3. irritabilidade, frustração ou raiva
    4. ansiedade
    5. dificuldade de concentração
    6. inquietação
    7. bradicardia
    8. aumento do apetite ou ganho de peso

    C.
    Os sintomas do Critério B causam sofrimento clinicamente significativos ou prejuízo do funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes do funcionamento.
  3. Os sintomas não se devem a uma condição médica geral, nem são melhor explicados por outro transtorno mental (p. 479).

Comorbidade do tabaco

A associação entre tabagismo e comorbidades psiquiátricas pode ocorrer de três formas, a saber:

  1. a) a comorbidade precede no tempo o início do tabagismo;
    b) o tabagismo precede os problemas psiquiátricos;
    c) ambos os transtornos ocorrem na mesma época na vida do indivíduo.

A prevalência de comorbidades relacionadas ao uso de tabaco encontra-se em pessoas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, transtorno de humor bipolar e transtorno borderline de personalidade, entre outros.

Segundo Mccharge et al. (2003), fumantes deprimidos, assim como os esquizofrênicos, embora cientes do risco de fumar, percebem o cigarro mais prazeroso do que aqueles sem comorbidades. Esse acaba por ser um fator que mina a motivação desse grupamento de tabagistas para deixar de fumar.

Tratamento farmacológico

Os benzodiazepínicos, buspirona, dextroanfetamina, naloxona e mecamilamina, têm pouca representatividade na eficácia do tratamento, mas, em determinados casos, dão a sua contribuição. A administração deles tem como objetivo reduzir a avidez (fissura). Há de se reconhecer grande eficácia no mecanismo de ação em outros dois tipos de medicamentos.

Nicotínicos – terapia de reposição nicotínica (TRN)

Em substituição à forma de uso da nicotina por meio da inalação pela fumaça do cigarro, a nicotina é introduzida no organismo de outras formas. O condutor pode ser goma de mascar, adesivo, spray nasal, comprimido sublingual, inalação e pastilhas. Os mais comumente encontrados são as gomas de mascar e os adesivos.

A intenção é que o dependente não sinta os efeitos da abstinência devido à interrupção abrupta ou paulatina do uso da droga, em consequência da manutenção dos efeitos da nicotina no organismo, porém sem necessariamente manterem-se os mesmos hábitos (fumar).

Esse tipo de terapia, pela reposição da nicotina, deve ter pouca duração. Esperam-se 24 semanas, desde o início da administração, até que se retire gradativamente, chegando à sua interrupção total. A dose de substituição deve ser calculada para se diminuírem os riscos de reações desagradáveis em decorrência de reposições com altas doses de nicotina. Por isso, é recomendável que o uso desses medicamentos seja feito apenas sob orientação médica.

Bupropiona (nome comercial: Zyban) medicamento não-nicotínico

Reconhecido pela FDA, desde 1997, o bupropiona é um antidepressivo de ação lenta, contudo com eficácia comprovada. É um medicamento com boa tolerância, mas é importante evitar a sua associação com o uso do álcool, psicotrópicos, anoréticos ou outras substâncias ilícitas. Sua indicação é para quando há significativos graus de dependência, com o intuito de amenizar os efeitos causados pela abstinência e os efeitos da fissura.

 

Histórico
Existem referências ao uso da maconha há mais de 12.000 anos. Ao longo do tempo, foi utilizada com fins medicinais, pelo seu efeito de produzir risos e suas fibras utilizadas para confecção de cordas e roupas. Entre 2.000 e 1.400 a.C. foi descoberto seu efeito euforizante na Índia, onde foi utilizado com fins medicinais como: estimular apetite, curar doenças venéreas e induzir o sono.  

A cannabis foi introduzida na Medicina Ocidental no século XIX, chegando ao seu ápice em sua última década. Porém, no início do século XX esse uso diminuiu, especialmente pela variedade de potenciais da droga, sendo difícil o controle de sua dosagem.

A partir de 1965, o interesse científico pela maconha ressurgiu por terem conseguido identificar a estrutura química dos componentes da droga, possibilitando a obtenção dos mesmos puros. Nos anos 90, começou a ser identificado usos terapêuticos os quais estão sendo comprovados por estudos científicos.

A maconha foi trazida ao Brasil pelos escravos como uma forma de ligação com a terra natal. Foi cultivada com finalidade têxtil, inicialmente, sendo logo descoberto seus efeitos perturbadores e usados para tal. Na década de 1930, iniciou-se uma fase de repressão contra o uso da maconha no Brasil, sendo em 1933 feitos os primeiros registros de prisões pelo comércio ilegal de maconha. Em 1938, o Decreto-Lei nº. 891 do Governo Federal proibiu totalmente o plantio, cultivo, colheita e exploração por particulares da maconha, em todo território nacional.

Ao longo dos anos, foram sendo feitas seleções das espécies de plantas de maconha com maior concentração de THC: em 1960 o teor médio de THC era 1,5%; em 1980 variava de 3 a 3,5%; e em 1990 a média chegou a 4,5%.

Atualmente, graças às pesquisas recentes, a maconha, ou substâncias dela extraídas, é reconhecida como medicamento em pelo menos duas condições clínicas: reduz ou elimina náuseas e vômitos produzidos por medicamentos anticâncer e tem efeito benéfico em alguns casos de epilepsia (doença que se caracteriza por convulsões ou “ataques”). Entretanto, é bom lembrar que a maconha (ou as substâncias extraídas da planta) tem também efeitos indesejáveis que podem ser prejudiciais.

Conseqüências Negativas
O uso crônico de maconha está associado a problemas respiratórios, visto que a fumaça é muito irritante, seu teor de alcatrão é muito alto (maior que do tabaco) e contém benzopireno, substância cancerígena. Outras conseqüências do fumo, semelhantes ao tabaco, são: hipertensão, asma, bronquite, cânceres, doenças cardíacas e doenças crônicas obstrutivas aéreas. Há conseqüências também na fertilidade do homem por haver uma queda de 50 a 60% na produção de testosterona.  

A maconha tem como efeito mais comum o bem-estar, porém, ocasionalmente traz um desconforto acompanhado de uma ansiedade intensa e idéias de perseguição. Mais raramente pode haver alucinações. Há também, os ocasionais flashbacks que consistem em sintomas da intoxicação após a interrupção do uso.
Pode haver também, no caso de pessoas com transtornos psicóticos pré-existentes uma exacerbação do quadro, como a esquizofrenia, exigindo mudanças no tratamento da doença psiquiátrica.

Esse psicotrópico, quando usado regularmente, traz problemas cognitivos como o prejuízo na memória e na habilidade de resolver problemas, comprometendo seu rendimento intelectual. Pode gerar a síndrome amotivacional, caracterizada por problemas de atenção e motivação.
A tolerância é observada apenas em casos de consumo elevado da substância. Quanto à dependência, 10% dos usuários crônicos apresentam a fissura (desejo intenso pela droga) e centralidade na droga.

Já a abstinência, também observada em usuários crônicos e em altas doses, é caracterizada por: ansiedade, insônia, perda de apetite, tremor das mãos, sudorese, reflexos aumentados, bocejos e humor deprimido.

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