Há um ano e meio a cantora Clarice Seabra, 55, conheceu a ibogaína por meio de suas irmãs, que buscavam ajudá-la a superar a dependência de crack, o abuso de álcool, de maconha e de cocaína. Passou por 12 internações em 35 anos.

“Eu estava pesando 49 quilos, tinha perdido todo o meu cabelo e alguns dentes. Tinha incapacidade total de sentir amor, medo, qualquer coisa.

Quando cheguei à mais uma clínica não achei que seria diferente das outras. Era violenta e brava.

Deitada numa maca, tomei quatro comprimidos de iboga e fiquei em silêncio. Logo achei que aquilo era charlatanismo e comecei a gritar: ‘Eu não estou sentindo nada!’.

O terapeuta perguntou: ‘Você veio aqui para sentir um barato ou para se tratar?’ É verdade, estava ali para me tratar.

Vomitei muito e depois senti muita vontade de comer doces. Fiz cinco aplicações de iboga, mas após a primeira eu já não sentia vontade de usar crack.

Virei outra pessoa. Fiquei mansa, alegre, humilde. Voltei a ser a garota de 19 anos que nunca havia usado nenhuma droga.”

A chamada ibogaína já é usada em clínicas em SP. A literatura médica já tem registro de mortes. Vários psiquiatras não aconselham o uso da substância.

Mesmo tendo efeitos desconhecidos e podendo ser até fatal sem acompanhamento médico, o uso da iboga tem se disseminado em clínicas para dependentes químicos.

A literatura médica registra 3.000 casos de uso de iboga. Seu efeito contra a dependência foi relatado pela primeira vez em 1962, quando o norte-americano Howard Lotsof, um viciado em opioides, registrou experiência benéfica com a planta. Há, no entanto, relatos de dezenas de mortes, principalmente porque a droga em alta dosagem provoca alterações cardíacas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informa que não há medicamento registrado no Brasil com a ibogaína, e, por isso, alegações terapêuticas a esse produto são ilegais.

Tem outras maneiras mais seguras para uma solução contra a cocaína e o crack, psicoterapia, grupos de apoio. 

Fonte:paraentender.com.br