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Publicado por - 27/04/2015

Uma reflexão sobre Dislexia e dificuldade de aprendizagem

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Diante dos meus atendimentos, tenho percebido, nas questões de dificuldades de aprendizagem, um ponto relevante é levar a criança e o adolescente ao desejo de aprender. Em seu livro “A inteligência aprisionada”, Alicia Fernández nos afirma que a inteligência é construída. No entanto, temos no nosso tempo presente processos de efetivação de diagnósticos que ignoram esta afirmativa e observamos, infelizmente, que na prática pedagógica, metodologias e posturas atitudinais negam espaço para tal construção. Aqui, num exercício de autoria de pensamento, busca-se elaborar provocações ao nosso sentipensar sobre o papel do desejo e do prazer no que se refere aos movimentos de aprendências e ensinagens, enfatizando a importância da motivação, da criação de vínculos, do afeto e da amorosidade para promovê-los a posição de protagonistas no cotidiano escolar e na construção da inteligência nos diferentes ambientes que se vinculam em nossa formação.

Em relação a dislexia tenho lido alguns autores e percebi que é importante e necessário que o diagnóstico da dislexia seja precoce, isto é, os pais e educadores se preocupem em encontrar indícios de dislexia em crianças aparentemente normais, já nos primeiros anos de educação infantil, envolvendo as crianças de 4 a 5 anos de idade.

Outro ponto, os pais, professores e educadores devem estar atentar a dois importantes indicadores para o diagnóstico precoce da dislexia: a história pessoal do aluno e as suas manifestações linguísticas nas aulas de leitura e escrita. Os dados históricos de dificuldades na família e na escola poderão ser de grande utilidade para profissionais como psicólogos, psicopedagogos e neuropsicólogos que atuam no processo de reeducação linguística das crianças disléxicas. Quando não se diagnostica a dislexia, ainda na educação infantil, os distúrbios de letras podem levar crianças de 8 a 9, no ensino fundamental, a apresentar perturbações de ordem emocional, efetiva e linguística.

O que  chama atenção, é que uma criança disléxica é inteligente, habilidosa em tarefas manuais, mas persiste um quadro de dificuldade de leitura da educação infantil à educação superior. Os disléxicos, em geral, sofrem com a discalculia (dificuldade de calcular) porque encontram dificuldade de compreender os enunciados das questões.

No plano da linguagem, os disléxicos fazem confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças sutis de grafia como “a-o”, “e-d”, “h-n” e “e-d”, por exemplo.

As crianças disléxicas apresentam confusão com letras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço como “b-d”. “d-p”, “b-q”, “d-b”, “d-p”, “d-q”, “n-u” e “a-e”. A dificuldade pode ser ainda para letras que possuem um ponto de articulação comum e cujos sons são acusticamente próximos: “d-t” e “c-q”, por exemplo.

Dislexia  é mais do que um problema de leitura ou simples troca de números.

Dislexia é mais do que um problema de leitura, é mais abrangente e complexa do que isso. A dislexia também implica ter dificuldades na escrita, nas relações espaciais, nas indicações de orientação, na gestão do tempo, na recordação de palavras e na memória. Por exemplo, a incapacidade de, por breves momentos, não se lembrar do nome do melhor amigo.

A palavra dislexia tem origem na partícula grega dys, que significa mal e lexia que significa acção de falar. A dislexia é um problema neurológico relacionado com as competências da linguagem e da leitura, muitas vezes afectando também as competências relacionadas com a ortografia, a escrita, a compreensão auditiva, a fala e a memória. Normalmente faz-se uma apresentação da dislexia de uma forma muito simplista como alguém que troca números e tem dificuldade com a leitura, porém a dislexia é uma dificuldade de aprendizagem mais complexa, não existindo uma solução ou forma de intervenção única para todas as crianças, jovens ou adultos disléxicos.

É importante saber qual é a definição oficial da dislexia. A definição aceita pelos autores que defendem a existência da dislexia e pelas entidades que defendem a existência da dislexia. Essa definição, de 2003, aceita pela Associação Internacional de Dislexia (IDA) e pela Associação Brasileira de Dislexia (ABD), é a mais recente e é de autores – Lyon e o Shaywitz – bastante conceituados entre os que defendem a dislexia. Claramente eles estabelecem que, para eles, a dislexia seria uma dificuldade ou um distúrbio de aprendizagem – o nome não muda o sentido – de origem neurológica. Portanto, é de uma doença neurológica que se trataria.

O diagnóstico 

Autores preconiza-se que exista uma doença neurológica que comprometeria só a linguagem escrita e o diagnóstico é feito usando só a linguagem escrita. Eles dizem: “Desculpem, mas isso não é um diagnóstico, no sentido médico, isso é um processo de rotulação, em que a criança desaparece no processo; a criança e o adolescente deixam de ser um sujeito, com toda a complexidade que o constitui, e se tornam apenas um doente. De uma doença jamais comprovada!”

Em 1984, a Academia Americana de Psiquiatria, considerando que a DCM se baseava em conceitos inadequados pois o problema era decorrente de comprometimento da atenção e a ênfase em hiperatividade era inadequada e os critérios diagnósticos eram vagos e pouco científicos trocou para ADD (Attention Deficit Disorders), que no Brasil virou TDA (Transtornos de Deficit de Atenção). Poucos anos depois, a própria Academia Americana de Psiquiatria mudou para ADHD (Attention Deficit and Hiperactivity Disorders), em reconhecimento de que a hiperatividade era um componente importante; no Brasil, surgiu os TDAH (Transtornos de Deficit de Atenção e Hiperatividade). Mais recentemente, a Dislexia Específica de Evolução virou Dislexia de Desenvolvimento. Tudo sempre sem qualquer comprovação… Aliás, pode-se supor que se houvesse um mínimo de evidência científica, os conceitos e os critérios teriam alguma racionalidade científica!

A discussão é intensa, na minha prática clínica tenho observado que os estímulos a leitura e a escrita através da arte terapia tem tido bons resultados, com processos mais intenso.

fonte: http://www.eliseugabriel.com.br/novo/dislexia/dislexia

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