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Publicado por - 12/06/2017

Abuso sexual entre crianças e adolescentes.

O abuso sexual cometido por crianças ou adolescentes mais velhos contra crianças ou adolescentes menores

“O abuso sexual ocorrido entre menores de idade é muitas vezes um tipo de violência desconhecido pela população, por vezes não é observado. É um transtorno que gera dificuldades sociais, sexuais e relacionais não apenas para aquele que é tratado muitas vezes, e em determinados tipos de abuso erroneamente, como vítima neste modelo de abuso, mas também gera transtornos para aquele que é considerado o abusador, não apenas da sua situação atual, como também pelo que o levou a abusar de outra criança.”

O termo abuso,  possui o significado de : “uso errado, excessivo ou injusto;  ultraje ao pudor; canalhice; aborrecimento.” Bueno (1996, p. 13) Desta forma, é considerado abuso qualquer modo errado, injusto e exagerado de tratar outra pessoa, sejam estas pessoas crianças, adolescentes, adultos ou idosos. Além disso, o abuso geralmente é caracterizado como físico, psicológico ou sexual.

 O abuso sexual segundo diversos teóricos

Segundo Filho (2007), a violência ou abuso sexual ocorre quando alguém de mais idade faz uso do corpo de uma criança ou de um adolescente buscando sentir prazer sexual. Geralmente aquele que abusa utiliza de sedução, oferecendo algo à criança para com ela praticar o ato sexual. Apesar de a criança ser seduzida e aceitar algo em troca para vir a praticar o ato sexual, isto não pode ser considerado como consentimento dado pela mesma, em função de que a vítima não possui amadurecimento mental de escolha, muito menos possibilidade de negação ao ato (COHEN; GOBBETTI, 2000).

Ravazzola (1997) entende que tal como as pessoas abusam de substâncias, estas também podem abusar de outras pessoas não apenas sexualmente, mas também no que se refere às relações de poder onde o abusado acaba se tornando um objeto ao invés de ser visto como um sujeito, indivíduo, ser humano.

“O abuso sexual contra crianças e adolescentes tem sido considerado um grave problema de saúde pública, devido aos altos índices de incidência e às sérias consequências para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social da sua família” (HABIGZANG et al., 2005, p. 341).

O abuso sexual acaba se tornando um ciclo vicioso para o abusador, visto que aquele que abusa se torna um adicto com necessidades reais de tratamento em diversas esferas de sua vida. A sociedade erra ao condenar os envolvidos no abuso como abusadores ou como vítimas, evitando ou dificultando que ambos tenham o tratamento adequado (LEDESMA et al., 2010). “Se queremos romper efetivamente o ciclo de abusar e sofrer abuso sexual, precisamos criar um contexto no qual as pessoas que abusam sejam capazes de revelar e buscar ajuda terapêutica.” (FURNISS, 1993, p. 155)

O abuso sexual entre crianças, entre adolescentes, e entre crianças e adolescentes

Temos dois modelos de abuso sexual: o primeiro é o que Furniss (1993) denomina como “Síndrome de João e Maria” onde não existem os papéis de vítima e abusador, e um segundo modelo de abuso realizado por crianças e/ou adolescentes maiores contra crianças menores ou com maturidade inferior àquele que comete a violência.

De acordo com Furniss (1993) o ato sexual ocorrido entre duas crianças de idade cronológica semelhante não caracteriza nenhum dos dois como vítima ou abusador. Neste modelo de relacionamento sexual impróprio, segundo o autor, é inadequado utilizar o termo abuso, sendo que o correto é utilizar o termo “Síndrome de João e Maria”. João e Maria segundo as histórias infantis eram duas crianças que foram postas para fora de casa pelos pais, que se perderam na floresta, e que tinham apenas a companhia, o conforto, o cuidado um do outro para sobreviver.

O abuso sexual por irmãos quase da mesma idade, geralmente, é parte de uma síndrome geral de privação emocional, em que ambas as crianças também podem ter sido abusadas, física ou sexualmente, por figuras parentais. O abuso de crianças da mesma idade, geralmente, é muito mais um relacionamento sexual igual em que ambas as crianças tentam dar e receber uma forma distorcida de mútua satisfação, conforto e cuidado. O abuso sexual é uma forma de cuidado emocional pervertida e confusa, em que a estimulação e excitação sexual é um pobre e triste substituto do cuidado emocional parental. (FURNISS, 1993, p. 314)

Neste modelo de abuso,  ambas as crianças devem ser tratadas como vítimas iguais de negligência e ausência de cuidados parentais. O relacionamento sexual para essas crianças se torna semelhante ao relacionar-se emocionalmente com outras pessoas, podendo gerar comportamentos sexualizados de ambos, sendo que as meninas se tornam mais vulneráveis a novos abusos e os meninos acabam por desenvolver papéis relacionados a um abusador, podendo cometer abusos em outros relacionamentos.

O abuso sexual cometido por crianças ou adolescentes mais velhos contra crianças ou adolescentes menores

 Este item trata do abuso sexual cometido por crianças e adolescentes maiores contra crianças e adolescentes com idade ou maturidade inferior. Este modelo de abuso não deve e não pode em hipótese alguma ser confundido com a “Síndrome de João e Maria” apresentada no item anterior, visto que, neste item, existe a caracterização e denominação de vítima e abusador.

Um caso noticiado recentemente pelo site globo.com em Setembro de 2012, foi a de um menino de treze anos residente na Flórida (EUA) que espancou até a morte seu irmão mais novo de dois anos e abusou sexualmente do seu outro irmão de cinco anos de idade. As autoridades ao investigarem o passado deste adolescente infrator encontraram evidências tenebrosas de abusos sexuais dentro da família do acusado nas gerações anteriores, sendo que sua própria mãe deu a luz ao mesmo quando tinha apenas doze anos de idade. A sua avó foi flagrada abusando de drogas quando deveria estar despendendo cuidados ao acusado quando este era uma criança de apenas dois anos. Foram ainda evidenciadas negligências diversas para com o acusado, visto que o mesmo foi encontrado nu e sozinho aos dois anos de idade perambulando pela cidade, e, por fim, foram encontrados vestígios de abuso sexual cometido contra o acusado realizado por um primo e pelo seu pai adotivo na época.

Madanes (1997) relata um caso de abuso intrafamiliar no qual um jovem de dezesseis anos havia abusado de sua irmã de nove anos. O jovem em questão cometeu o abuso durante o período de um ano, se dirigindo até o quarto da irmã e abusando da mesma de diversas formas. Durante o método de terapia empregado por esta autora, foram descobertos outros abusos sexuais dentro desta família, sendo que a mãe teria sido abusada sexualmente pelo padrasto e o próprio jovem abusador teria sido molestado aos treze anos.

Em um primeiro caso, um menino de sete anos teria sido rendido e imobilizado fisicamente dentro do banheiro masculino por outro menino, sendo que este o penetrou e o ameaçou de agressão caso a vítima esboçasse algum tipo de reação para com aquela violência. Após um mês a mãe deste menino descobriu o ocorrido em função de um sangramento encontrado nas suas roupas, resultado de uma doença sexualmente transmissível que o menino adquiriu após passar por tal violência, sugerindo então que aquela criança que abusou deste menino também tenha adquirido essa doença de alguma outra forma sexual. Além da doença adquirida, esta criança voltou a apresentar enurese noturna e envolvimento em brigas escolares.

O National Center on Child Abuse and Neglect (1981) descreve o abuso sexual como uma situação onde acontecem contatos ou interações sexuais entre uma criança e um adulto, visto que a criança não possui maturidade sexual ainda, e acaba sendo utilizada como objeto de estimulação sexual do adulto. Também é considerado abuso sexual quando o abusador possui menos de dezoito anos e a vítima possui idade consideravelmente inferior ao mesmo, ou quando o abusador está em uma posição de poder ou controle sobre outra criança ou outra pessoa com idade inferior a dezoito anos (MALCHIOD, 1990). De acordo com Pfeiffer e Salvagni (2005, p.198):

Define-se o abuso ou violência sexual na infância e adolescência como a situação em que a criança, ou o adolescente, é usada para satisfação sexual de um adulto ou adolescente mais velho, incluindo desde a prática de carícias, manipulação de genitália, mama ou ânus, exploração sexual, voyerismo, pornografia, exibicionismo, até o ato sexual, com ou sem penetração, sendo a violência sempre presumida em menores de 14 anos.

Em tese, define-se o Abuso Sexual como qualquer conduta sexual com uma criança levada a cabo por um adulto ou por outra criança mais velha. Isto pode significar, além da penetração vaginal ou anal na criança, também tocar seus genitais ou fazer com que a criança toque os genitais do adulto ou outra criança mais velha, ou o contato oral-genital ou, ainda, roçar os genitais do adulto no corpo da criança.

As consequências psicológicas do abuso sexual, segundo Mattos (2002), variam de acordo com a idade da vítima e do agressor, o grau de relação entre ambos, a personalidade da criança, a duração do abuso, a frequência do abuso, o tipo e a gravidade do ato e as reações do ambiente. Segundo essa autora, crianças na faixa de três a cinco anos são as mais frágeis à sedução e às ameaças. Quanto maior o grau de aproximação do abusador e da vítima, maior a confusão entre proteção e abuso.

Para Filho (2007), são características de crianças que sofreram ou sofram violência sexual: isolamento, falta de vínculos de amizades, dificuldade de estabelecer contato autêntico com outras pessoas, visto que essa aproximação acaba sendo associada com o abuso sexual. Demonstram também, de acordo com Finkelhor (1997), certo grau de impulsividade, comportamentos autodestrutivos e suicidas, sintomas depressivos, sentimento de ter sido permanentemente danificado, sentimentos contraditórios e autodesvalorização. O autor ressalta ainda que as consequências psicológicas e físicas do abuso sexual infantil podem ser destruidoras e irreversíveis.

Tais consequências podem vir a se transformar em uma idade adulta em fobias, transtornos de ansiedade e depressão e também comportamentos sexuais inadequados (ECHEBURÚA; CORRAL, 2006). Alucinações e delírios são sintomas com maior probabilidade de acontecer em pessoas que sofreram abuso sexual do que em pessoas que não sofreram esse tipo de abuso (READ; ARGYLE; PSYCH, 1999).

As consequências dos abusos sexuais podem ser definidas em duas categorias, segundo Kristensen (1996): aquelas em curto prazo e aquelas em longo prazo. Os efeitos em 13 Rev. Psicologia em Foco Frederico Westphalen v. 5 n. 6 p. 48-65 Dez. 2013

A curto prazo são aqueles detectáveis ainda na infância, podendo ser observados até dois anos após o último episódio do abuso. Geralmente as vítimas apresentam compulsividade, comportamentos sexualizados, confusão nos relacionamentos, transtorno de estresse pós-traumático, confusão da identidade masculina e reafirmação da sexualidade (em vítimas do sexo masculino).

Os efeitos psicológicos do abuso sexual podem ser devastadores e infelizmente perpetuam até a idade adulta. “Sobreviventes do abuso sexual frequentemente repetem o ciclo de vitimização, perpetrando o abuso sexual intergeracional com seus próprios filhos.” (PFEIFFER; SALVAGNI, 2005, p. 198).

Fonte:Artigo QUANDO CRIANÇAS ABUSAM DE OUTRAS CRIANÇAS de Ana Clara Almeida Silva- Mara Regina Soares Wanderley Lins

mais informações entre em contato pelo e-mail:

Lurdinha Batista psicologa online.

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