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Publicado por - 9/07/2017

Dica de Filme

Uma lição de vida / O aluno.

ASSUNTO

Adversidade, redenção, educação, inclusão, exclusão, respeito às diferenças, respeito aos idosos, obstinação, perseverança, amizade,  preconceito, relações sociais e afetivas.

SINOPSE

 “The First Grader”, 2010, foi lançado no Brasil em 2014 com o título “Uma lição de vida”, encontrado no netflix como O ALUNO. Conta a história de Kimani Maruge, pessoa reconhecida pelo Guiness book, o livro dos recordes, como o homem mais velho a ingressar numa escola primária em todo o mundo. O filme inicia num vilarejo do Quênia,  quando  Maruge (Oliver Litondo) ouve no rádio o anúncio da educação gratuita para todos. Não tendo tido oportunidade de estudar no passado, o senhor de 84 anos – um veterano da tribo Mau Mau que lutou para libertar o Quênia dos ingleses –  bate à porta da escola primária e espera uma chance de poder aprender a ler. Rejeitado de início, ele não desiste: já de uniforme escolar e uma pequena bolsa a tiracolo, volta a pedir por uma vaga e insiste até ser aceito pela professora Jane (Naomie Harris). Em meio a lembranças do doloroso passado, o ancião tem de enfrentar a revolta e as ameaças das autoridades, dos moradores da região e dos pais dos alunos, inconformados por um idoso ter sido aceito em uma classe de crianças de seis anos de idade.

Observações sobre o filme:

O filme é inspirador, particularmente para os que desanimam diante dos obstáculos, é emocionante, sem precisar apelar para o sentimentalismo, é histórico, pois conta parte da história que pertence a toda humanidade, e, é também provocador, pois nos faz refletir sobre diferentes temas. A experiência de vida de Maruge o motivou a buscar educação. Ele percebeu a importância das letras ao receber documento enviado pelo governo e se ver incapaz de compreender. Diante de si havia uma mensagem importante, como tantas outras, ele precisava aprender, para decodificar não apenas aquela carta, mas tudo o que o mundo lhe oferecia na forma de letras e números. Quando jovem, ele lutara junto a um grupo extremista pela independência do país. Por conta disso, fora preso e torturado antes de cair na miséria e no esquecimento. Ouvir que o Governo oferecia educação “para todos” não seria suficiente. Maruge teve de enfrentar a falta de vontade de autoridades locais, a desconfiança dos vizinhos e a rixa tribal que ainda afligia o país. Foi preciso muita perseverança para atingir seu objetivo, o que contaminou a professora Jane. Ambos são personagens fortes, reais, que colocam a perseverança como base para se operar mudanças e apontam a educação como a ferramenta principal para isso.

É quase impossível não se emocionar com o herói de carne e osso, que luta por seus direitos e necessidades, mas também comete erros em suas ações. Sendo produto da própria história e considerando o contexto no qual está inserido, é possível compreender suas atitudes “politicamente incorretas” no trato com os colegas indisciplinados. Temos como exemplo, a cena em que vai separar uma briga de garotos, quando começa a espancar o menino que cometia “bulling” com o outro, mostrando que naquelas circunstâncias, seria a atitude “correta”. Dentro de suas possibilidades, o ancião luta por aquilo que acredita, enfrentando as adversidades em seu entorno. As crianças são receptivas ao colega idoso, não fazem diferenciação, não alimentam pré-conceitos. Aos poucos, o relacionamento entre eles vai sendo construído. Consequências nefastas da “colonização” deixam cicatrizes, não só nas costas de Maruge, mas também naquela comunidade singular e em tantas outras, também marcadas pela miséria, pela humilhação, ignorância e preconceito. Diversas cenas do filme podem retratar outras realidades, como algumas escolas para crianças ou adultos em diferentes cantos do Brasil. Para além da possível identificação do púbico com situações sociais semelhantes, o enredo provoca reflexões sobre diferentes aspectos individuais. Como exemplo, podemos citar os valores herdados e os valores apreendidos durante a experiência de vida. O valor que as crianças daquele lugar dão ao processo educacional está muito distante daquelas que priorizam os adereços do material de estudo em detrimento do universo infinito que a educação pode proporcionar. O consumo e disputa de quem tem o material mais caro ou bonito perde o sentido diante das cenas do filme. A educação, o respeito, o reconhecimento do conhecimento em detrimento do material escolar podem favorecer boas reflexões. Outros valores, como respeito, não só aos mais velhos e professores, o que muito falta em nossa cultura, mas o respeito pela história, pelos antepassados, pela sabedoria da experiência vivida e transmitida como alicerce. Impossível não ser provocado pelos  contrastes apresentados, por exemplo, entre a escola das crianças e aquela dos adultos, tão semelhante a outras, que perderam o poder de seduzir e motivar o aluno. A história mostra que “Quem não aprende com seu passado não será capaz de projetar seu futuro”. Impossível não se emocionar com o olhar e os ensinamentos do ancião. Ele afirma:  “A Liberdade é Aprender”, ” O Poder está na Caneta, nunca é tarde para sonhar”,  “A educação é a chave, nós somos o cadeado”, “mas não somos nada se não podemos ler” e “ler e entender é muito importante, é uma maneira de acabar com a pobreza entre nós”. Também podemos refletir sobre inclusão, exclusão, poder e dominação, submissão, respeito às diferenças, amor a profissão, etc. Não podemos perder de vista o comportamento da professora Jane, que enfrenta o sistema em diferentes situações, afetando e inspirando, direta e indiretamente,  a todos. A educação liberta quando oferece ferramentas para o pensamento livre, teremos sempre o que aprender, nunca é tarde. Como ela repete o ensinamento que recebeu do pai, ” Só deixarei de aprender quando meu ouvido estiver cheio de terra”. O que foi seguido por Maruge até o fim de seus dias. Para saber mais sobre fatos reais e históricos que envolvem Maruge, veja mais: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/licao-de-vida-filme-inspirador/

 

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